
Com o desconfinamento à vista, empresas equacionam testes à Covid-19 e imunidade
A medição da temperatura corporal pelas empresas aos trabalhadores esteve nos últimos dias na ordem do dia, depois de a Comissão Nacional de Proteção de Dados ter vindo dizer que não é possível impor aos o controlo da febre no regime vigente. Já o Ministério do Trabalho explicou que pode ser feito desde que não sejam guardados registos. E algumas empresas admitem que já o fazem, mas em conformidade com a lei.
O “Jornal de Negócios” avança que, além de medirem a temperatura dos trabalhadores, há já empresas que ponderam testar a sua imunidade no regresso ao trabalho presencial. E exemplifica: a Autoeuropa, que retomou a produção nesta segunda-feira, dia 27 de Abril, com dois turnos e horários reduzidos, testa todas as pessoas. «Estamos a cumprir o que está previsto na lei», assegurou ao jornal fonte oficial da empresa.
Também a PSA Mangualde, que ainda não retomou a actividade, tem programadas uma centena de iniciativas, entre as quais medição da temperatura dos colaboradores. Será «feita por profissionais de saúde, pelo que entendemos que estamos a cumprir escrupulosamente a lei», adiantou ao “Jornal de Negócios” fonte oficial.
É também isso que pretende fazer o grupo tailandês Aapico, quando na segunda-feira, 4 de Maio, a fábrica de Maia (uma das três fábricas portuguesas) retomar a produção, suspensa desde 23 de Março. Está preparado, segundo contou Jorge Fesch, CEO da Aapico Portugal, ao jornal, «um plano extenso, incluindo a medição da temperatura, embora sem o seu registo, como recomendado». «A medição da temperatura é parte do plano de contingência da Colquímica Adhesives e não é feito qualquer registo, pelo que não há qualquer inconveniente», ressalvou o também presidente da empresa.
A reabertura contará com 63 trabalhadores. Os restantes, das unidades da Maia, Águeda e Trofa, que totalizam mais de 700, permanecerão em regime de lay-off.
A Faurecia, o maior fornecedor da AutoEuropa, que tinha fechado a 18 de Março todas as seis fábricas em Portugal, onde emprega mais de 3.700 pessoas, reabriu as unidades de Bragança e de Palmela a 21 de Abril, prevendo retomar a produção a 4 de Maio nas de Nelas, São João da Madeira (duas) e de Vouzela. Fonte oficial da multinacional disse ao “Jornal de Negócios” que estão a ser disponibilizadas «máscaras, luvas, óculos, gel hidroalcoólico, produtos para limpeza dos postos de trabalho, que serão limpos no início, a meio e no final de cada mudança». Está também a ponderar medir a temperatura dos trabalhadores, mas prefere esperar pela «decisão final do Governo português».
Pedro Rego, CEO da F. Rego, é peremptório: «Entendemos que, enquanto cidadãos, é dever de cada um ser agente de saúde pública, tomando todas as precauções, incluindo a monitorização de temperatura e informando a respectiva empresa sobre eventuais variações acima dos valores normais», sendo que «tal não invalida, e em nome da protecção do grupo de trabalho, que a empresa se reserve o direito de individualmente, respeitando a privacidade de cada um, sem guardar quaisquer registos, fazer a sua monitorização».
Alfredo Valente, CEO da imobiliária Iad Portugal, revelou que a empresa vai controlar a febre dos trabalhadores de forma voluntária, tal como Melom. João Carvalho, diretor-geral da Melom, contou ao jornal que «será aconselhado a todos os colaboradores que façam um controlo diário da sua própria temperatura» e que «o transporte para a sede da empresa seja feito em veículo apenas com um ocupante».
Empresas equacionam pedir testes de imunidade
Questionada sobre a possibilidade de vir a testar os trabalhadores à Covid-19 ou pedir-lhes testes de imunidade, a Colquímica Adhesives adiantou que facultará, gratuitamente, testes serológicos para detecção da covid-19 a todos os colaboradores que tenham estado no mesmo turno laboral que o trabalhador infectado. Relativamente aos testes de imunidade, «estamos a equacionar os mesmos para as deslocações ao estrangeiro».
Já a F. Rego aguarda para ver a capacidade de testes do país, admitiu a CEO da correctora de seguros: «Caso os mesmos venham a ser disponibilizados, nomeadamente os testes serológicos, é nossa intenção testar todos os colaboradores logo que possível»
Por sua vez, a Melom Portugal tem como objectivo realizar «todos os testes e procedimentos que se julguem adequados à prevenção do contágio, ainda que tenhamos de aguardar, tanto por instruções da DGS, como também da própria capacidade do SNS ou de entidades privadas, para a realização de testes», referiu ao jornal João Carvalho.
Do lado da banca, o BPI levantou um pouco o pano, dizendo que está a «analisar e avaliar todos os procedimentos necessários para assegurar a protecção e segurança dos colaboradores, no quadro das condições que vierem a ser determinadas pelas autoridades».