É este o perfil dos desempregados que a COVID-19 criou

De acordo com os dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), citados pelo Observador, no final de Abril havia em Portugal 392.323 pessoas desempregadas, mais 48.562 do que em Março, mas mais 71.083 do que no mesmo mês de 2019. Entre os mais afectados estão as mulheres e quem tem como habilitação escolar o ensino secundário.

 

«Os estudos mais recentes têm mostrado que quem tem mais qualificações tende a estar em ocupações em que, por um lado, é mais possível o teletrabalho e, por outro lado, a necessidade do contacto próximo com outros trabalhadores é menor (à excepção da Saúde)», explicou o economista e especialista em mercado laboral, João Cerejeira ao Observador. São, portanto, profissões que, por ser possível trabalhar em casa, não ficaram em risco.

Os dados do IEFP mostram ainda que foram os trabalhadores com menos de 25 anos ou que têm entre 25 e 34 anos os que viram, em termos percentuais, o desemprego mais subir em Abril face ao mês anterior, respectivamente 20,19% e 25,11%.

O Algarve foi a região mais afectada, face a período homólogo de 2019, o número de inscritos nos centros de emprego aumentou 123,9%; em relação a Março, a subida foi de 21,9%. «O peso do Algarve no novo desemprego é, aliás, sintomático, ao contrastar com o seu diminuto peso relativo na estrutura do emprego, revelando as consequências de grande concentração das suas actividades em torno do turismo», faz notar o economista João Ramos de Almeida.

A actividade do “alojamento, restauração e similares” foi a que mais desemprego registou em Abril face ao mesmo mês de 2019 (+60,6%).

Depois do alojamento e da restauração, as actividades mais afectadas são a indústria do couro (+42,7% face a período homólogo de 2019) e as “actividades imobiliárias, administrativas e dos serviços de apoios” (+41,2%). Esta última agrega actividades como as agências de viagem, call-centers, operadores turísticos, assim como organização de eventos, área na qual trabalhava Ana (nome fictício), 26 anos, que estava a um mês de entrar nos quadros quando lhe foi comunicado o despedimento.

Francisco Figueiredo, dirigente da Federação dos Sindicatos da Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo (FESAHT), revelou ao Observador que, na hotelaria, “mal começou a crise” iniciaram-se diversos processos de despedimentos: de trabalhadores contratados que ainda estavam em período experimental; a revogação de contratos a termo, “alguns antes dos prazos terminarem”; ou a antecipação de férias.

Segundo dados do instituto, dos 63.643 pedidos de emprego ao longo do mês (um número que não contempla quem entretanto conseguiu arranjar emprego), a maioria (36.322) apontou como razão para a procura de emprego o “fim do trabalho não permanente”, seguido de “despedido” (16.280). Mais de 2 mil despediram-se e em 2010 casos houve um despedimento por mútuo acordo. 754 eram trabalhadores por conta própria.

Ler Mais