Três grandes mudanças + uma

Human Resources
31 de Julho 2020 | 12:20

«Em momentos de profunda crise, ainda mais se sente essa centralidade do capital humano como fonte de mudança.»

 

Por Clara Raposo, presidente do ISEG – Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa

 

«Parabéns, Human Resources! 10 anos a acompanhar o crescimento de tantos profissionais que têm visto as suas vidas sofrerem significativas alterações nesta década. É também há 10 anos que estou no ISEG: tenho tido a oportunidade de, na universidade, acompanhar a mudança na investigação nestas áreas, assim como na formação dos novos gestores e na requalificação de quem já está mais maduro no mercado.

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Aquilo que, de forma mais relevante, mudou em 10 anos pode não ser consensual. Do meu ponto de vista, as maiores mudanças são três e têm a ver com a transformação digital, começando pela maior presença de tecnologia no dia-a-dia de quase todas as profissões. A par desta mudança, passou a haver também uma menor separação entre a vida profissional de muitos de nós e aquilo que é o tempo que dedicamos a lazer ou a “vida pessoal”, uma tendência que está muito ligada à popularidade que adquiriram as redes sociais (mesmo o Linkedin), que nos levam a uma partilha quase contínua daquilo que se passa no nosso trabalho e do que o influencia. Ou seja, aspectos que seriam “privados” há uns anos, são hoje mais facilmente partilhados – assistimos a uma certa perda de privacidade em troca de maior publicidade. O terceiro elemento de tendência da última década que gostaria de destacar é a valorização do indivíduo, enquanto alguém que se quer desenvolver – e ao seu talento –, em profissões não exactamente “artísticas” como aquelas ligadas à gestão. Há um certo culto da juventude, dos profissionais que procuram descobrir o seu sonho e nele desvendar o seu talento, quais “rock stars”.

Os jovens profissionais, com um objectivo de maior flexibilidade na gestão do seu tempo e um maior apego à experiência do que à posse, fazem com que as relações no trabalho se alterem – entre as pessoas e também na sua interacção com o espaço físico. Atrair e reter talento foram keywords da segunda década do século XXI.

Aquilo que a pandemia veio alterar de forma súbita foi, essencialmente, a generalização do teletrabalho, em muitos casos adoptado por necessidade mais do que por desejo. Apesar do muito que as organizações terão de afinar quanto à Gestão de Pessoas (e de tudo), presencialmente e de forma remota, esta experiência traz alguma aprendizagem e uma clara noção de que podemos mudar hábitos – de vida e de trabalho.

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A outra grande mudança que a pandemia nos trouxe foi a consciencialização de todos acerca da importância das pessoas. Foi uma questão de saúde pública e preservação de vidas que nos fez parar a todos. Essa lição fica. Sim, as pessoas e a sua capacidade de adaptação e criação estarão no centro e assumem um papel estratégico. Em momentos de profunda crise, ainda mais se sente essa centralidade do capital humano como fonte de mudança – é na sua motivação que residirá a resiliência de muitas organizações. Aí e na sua maior consciencialização da necessidade de se ter em conta o impacto de cada um, e de cada organização, num todo de que todos dependemos.»

Este artigo faz parte do tema de capa da edição de Julho (n.º 115) da Human Resources, nas bancas.

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