Envelhecimento nem sempre é sinónimo de perda de capacidades mentais. Algumas podem até melhorar
Human Resources com Lusa
22 de Agosto 2021 | 10:30
Há capacidades mentais que podem melhorar com o envelhecimento e proteger o declínio do cérebro, de acordo com um estudo divulgado e publicado na revista Nature Human Behaviour, que sugere essa possibilidade.
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Segundo a investigação internacional, em que participaram investigadores da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) e da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, a capacidade de dar atenção a novas informações e de nos focarmos no que é importante em cada situação pode melhorar em indivíduos mais velhos e funcionar como escudo protetor contra o declínio do cérebro.
Em declarações à agência Lusa, João Veríssimo, psicólogo e investigador no Centro de Linguística, sublinhou que «alguns desses indícios já existiam em literatura anterior» e foram agora detectados «num estudo maior e mais cuidadoso, relativamente grande, comparado aos anteriores», em que participaram 702 pessoas, entre os 58 e os 98 anos, em Taiwan.
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Em duas das três funções examinadas, através de tarefas comportamentais, com o objetivo de medir a eficiência dos participantes nessas funções cerebrais, «as pessoas mais velhas tiveram melhores resultados», frisou João Veríssimo.
Enquanto os dados recolhidos indicaram que a capacidade de alerta diminuiu, a função de orientação, que nos permite dirigir o foco para determinada área, e a função de inibição executiva, que permite gerir a informação, receber informação contraditória e perceber o que é mais importante, para tomar decisões, melhoraram em pessoas mais velhas.
João Veríssimo pormenorizou que enquanto na rede de orientação não se verificou uma quebra nas melhorias detetadas em função da idade e os participantes no estudo executaram as tarefas pedidas «de forma mais eficiente e um bocadinho mais rápida», no caso da rede de inibição executiva foram observadas melhorias no desempenho até cerca dos 76 aos 78 anos, «a partir daí as melhorias começam a achatar e possivelmente até começamos a encontrar declínios», referiu o investigador.
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Num comunicado divulgado pela FLUL, é sublinhado que os autores aventam a hipótese de o declínio da capacidade de alerta se justificar «por corresponder a um estado básico de vigilância que não pode ser treinado».