O RESET (também!) na liderança das organizações: A renovação inevitável

Human Resources
15 de Novembro 2021 | 10:10
O RESET (também!) na liderança das organizações: A renovação inevitável

Os “novos líderes” já estão a substituir os “líderes contemporâneos” porque é necessário orientar a acção de liderança para o desenvolvimento do sentimento de “comunidade” nas organizações. Já não bastará gerir o capital humano numa lógica de equipas de alto desempenho.

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Por Tiago Brandão, director-geral da The Browers Company

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Há um ano, em plena crise pandémica, escrevia nesta mesma “coluna”, a propósito das consequências que a COVID-19 poderia trazer para as organizações que «(…) O “novo normal” não será algo muito diferente do que se projectava (…)! A grande diferença esteve na forma como o “novo normal” chegou: mais depressa, de modo abrupto, apanhando a maioria impreparada! (…)”.

Por “novo normal”, entende-se o contexto resultante do “reset” que todos assumíamos estar em curso, desde a crise financeira global de 2007-2008, alavancado na transformação digital da economia, nas alterações socioeconómicas mundiais em curso e na crescente preocupação com a sustentabilidade do planeta.

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Passado um ano, e num contexto em que a pandemia tende para a endemia (felizmente, e graças à ciência vacinal!), as premissas em que baseei a afirmação do excerto acima não perderam força. Pelo contrário! A transformação digital aplicada ao dia-a-dia profissional; a consciencialização crescente sobre os impactos das alterações climáticas; e a relocalização do centro económico mundial para a Ásia estão, hoje, ainda mais presentes no quotidiano das pessoas, empresas e negócios.

É neste contexto “acelerado” de reset global que as organizações foram forçadas a evoluir nos últimos meses: assumindo estratégias de actuação mais flexíveis e ágeis; adoptando a sustentabilidade como valor central da gestão; protegendo a reputação de marcas; e defendendo a confiança dos consumidores e parceiros de negócios. Um misto de adaptação para a sobrevivência e transformação forçada, dirão alguns…

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Mas diria mais: o que se seguirá, nos próximos tempos, obrigará a uma inevitável renovação dos perfis de liderança que (ainda) hoje comandam muitas das empresas.

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Com efeito, a dinâmica transformacional do reset global requer competências de liderança diferentes das que dominam os perfis sentados nos lugares mais altos das organizações. Entre os factos em que baseio a minha afirmação, refiro: (1) a importância da empatia, “mente aberta” e do activismo social do líder na atracção e comprometimento das novas gerações; (2) a prevalência da lealdade, ética e transparência dos líderes sobre a vertente de compensação e benefícios na criação de ligações emocionais fortes com os colaboradores; (3) e a valorização pelas equipas do comprometimento do líder que promove o “lead by doing” em vez do tradicional “walk the talk”.

O contexto BANI, que sucede ao VUCA, sendo menos linear, exigirá uma renovação nas competências dos líderes para comandarem equipas cada vez mais multigeracionais, multiculturais e até activistas. Essa renovação irá criar uma alternância – natural, mas acelerada – em muitas equipas de gestão de topo das empresas.

Haverá coragem para reconhecer esta “necessidade” de alternância no topo das empresas? Tal “necessidade” deverá criar uma oportunidade para o executive search globalmente, mas também um desafio para organizações que poderão ver agravado o turnover do talento dos níveis até aqui “na linha de sucessão natural” para posições de topo nas empresas. Haverá “oferta” para esta “procura” acelerada.

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Este artigo foi publicado na edição de Outubro (nº.130) da Human Resources, nas bancas.

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