COVID-19: Migrantes, ciganos e jovens são os mais vulneráveis no mercado de trabalho

Human Resources com Lusa
22 de Fevereiro 2022 | 18:00
COVID-19: Migrantes, ciganos e jovens são os mais vulneráveis no mercado de trabalho

Os migrantes, os refugiados, as pessoas ciganas e os jovens são os mais vulneráveis no mercado de trabalho português, aponta um relatório da Cáritas Europa, que destaca o impacto da pandemia COVID-19.

Escolha a Human Resources como fonte preferida no Google Escolher ›

 

A avaliação sobre Portugal, integra o relatório anual da Cáritas Europa sobre pobreza (CARES!), salienta que no período que antecedeu a pandemia provocada pela COVID-19 a economia portuguesa «tinha uma performance positiva com uma tendência moderada de crescimento», salientando que, segundo dados do Eurostat, entre 2010 e 2020 a «taxa de emprego entre homens e mulheres cresceu e a taxa de desemprego baixou».

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

No entanto, os dados relativos ao terceiro trimestre de 2020, que reflectem os efeitos iniciais da pandemia, «mostram uma rápida e considerável redução na taxa de emprego e um aumento da taxa de desemprego quando comparado com o terceiro trimestre de 2019».

Para a Cáritas Europa, os «principais desafios» do mercado de trabalho português têm vindo a ser abordados, mas mantêm-se um problema, «tal como o número de pessoas disponíveis para trabalhar, mas que não procuram um emprego, o desemprego entre os jovens, e diferenças territoriais entre regiões».

«As pessoas migrantes ou em contexto de migração, os jovens e as pessoas de comunidades ciganas estão entre os grupos mais vulneráveis no mercado de trabalho português», considera a instituição.

Continue a ler após a publicidade

No que diz respeito aos imigrantes, refugiados ou requerentes de asilo, a Cáritas Europa considera que «a situação é difícil» e que Portugal «caracteriza-se sobretudo por um fenómeno de entrada, com as pessoas a chegarem principalmente para trabalhar no país».

«Os trabalhadores migrantes estão concentrados em grupos profissionais menos qualificados e mais precários, estão mais expostos à instabilidade na relação laboral, recebem salários mais baixos e têm uma maior incidência de acidentes de trabalho. A maioria dos migrantes desempenha funções abaixo do nível das suas qualificações», lê-se no documento.

Continue a ler após a publicidade

No entanto, «para os refugiados e requerentes de asilo a situação é ainda pior», somando-se as dificuldades linguísticas e o «longo» tempo de espera até terem os documentos legais, o que faz com muitos procurem emprego ainda indocumentados, além da «resistência do mercado local ao emprego de refugiados».

Continue a ler após a publicidade

«Os ciganos são outro grupo severamente marginalizado em Portugal. Os ciganos enfrentam discriminação na procura de emprego. A maioria dos empregadores recusa-se a contratar pessoas ciganas e por vezes conseguem arranjar emprego, mas são despedidos quando o empregador descobre a sua etnia cigana», descreve a Cáritas Europa, acrescentando que a discriminação vai desde o processo de recrutamento às disparidades salariais ou condições de trabalho.

A par destes grupos, a Cáritas Europa coloca os jovens como outro dos grupos mais vulneráveis, salientando que entre 2011 e 2015, devido à crise económica, emigraram mais de 77 mil jovens, com idades entre os 15 e os 24 anos, e que já naquela altura foram afetados no acesso ao emprego e, consecutivamente, à habitação ou na intenção de constituir família.

«Considerando os desafios que estes grupos marginalizados enfrentam no mercado de trabalho em Portugal, pode argumentar-se que este mercado de trabalho é insuficientemente inclusivo, apesar de algumas mudanças positivas nos últimos anos», considera a instituição, defendendo que há margem para melhorias, apontando que o nível do salário mínimo não é adequado e que a economia informal é generalizada.

Continue a ler após a publicidade

Defende, por isso, que sejam criadas condições para uma economia que apoie os trabalhadores mais vulneráveis, que aumentem as políticas de criação de emprego e o apoio social e que as autoridades portuguesas fomentem a inovação, a requalificação e formação profissionais e implemente medidas de apoio aos mais jovens.

«Além disso, as autoridades precisam de fazer um esforço para aumentar o salário mínimo para assegurar que as pessoas sejam capazes de cobrir os seus custos diários», refere a Cáritas Europa.

Uma segunda recomendação vai no sentido de que seja dada mais atenção aos trabalhadores da área dos cuidados, que «são, na sua maioria, não qualificados, têm salários baixos e trabalham por turnos» e precisam de mais do que um emprego para fazer face às despesas e aos custos de vida, apesar de ter sido um grupo reconhecido como essencial durante a pandemia.

«As autoridades nacionais necessitam de renovar as qualificações profissionais, formação e competências dos trabalhadores da assistência social, e assegurar condições de trabalho mais justas com acesso a benefícios sociais», diz a instituição.

Continue a ler após a publicidade

Na opinião da Cáritas Europa, o impacto da pandemia no mercado de trabalho português foi evidente e os efeitos socioeconómicos foram particularmente severos entre as pessoas com níveis de educação mais baixos, entre as quais o risco de desemprego foi mais elevado, mas também entre os jovens, os trabalhadores com mais idade (em particular as mulheres), os migrantes e os trabalhadores da área da assistência social.

Partilhar


Mais Notícias