OE2022: Problema da inflação não se resolve com aumento de salários

Human Resources com Lusa
11 de Abril 2022 | 18:00
OE2022: Problema da inflação não se resolve com aumento de salários

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, afirmou hoje que o problema da inflação não se resolve com aumento dos salários, defendendo a tomada de medidas que possam mitigar a «exponencial» subida dos custos.

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«Se o Governo ou as empresas tivessem de reagir imediatamente ao valor da inflação estávamos constantemente a alterar salários e a inflação dos salários levaria inevitavelmente a inflação sobre inflação», disse António saraiva, salientando que tem de haver «uma moderação».

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«Não podemos ser cegos e pensar que o problema da inflação se resolve com aumento de salários», acrescentou.

O presidente da CIP falava à entrada para a reunião da Concertação Social convocada pelo Governo para discutir com os parceiros sociais o Orçamento do Estado para 2022 cujas linhas gerais foram apresentadas esta manhã aos grupos parlamentares e deputados únicos, e que conta com a presença do ministro das Finanças, Fernando Medina.

Questionado sobre o impacto da subida da inflação no poder de compra, António Saraiva precisou que a falta de poder de compra das pessoas é semelhante ao problema das empresas perante o «exponencial aumento das matérias-primas, na escassez da mesma, nos elevados custos energéticos».

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«É na nossa produtividade e no nosso crescimento económico que assenta a sustentabilidade dos salários», precisou, afirmando: «Se vamos atrás da inflação para subir os salários, não a conseguimos controlar, apenas a potenciamos”.

Sobre as medidas de mitigação do impacto da subida dos custos da energia e agroalimentares – aprovadas no final da semana passada hoje detalhadas pelo Governo em conferência de imprensa — António Saraiva afirmou que são «bem-vindas», mas que não evitam o «exponencial aumento de custos», sendo necessário procurar mais respostas.

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«Estamos conscientes das dificuldades e da necessária sustentabilidade das contas públicas, não estamos aqui a pedir apoios cegamente, estamos a pedir que o Governo português, à semelhança de outros Estados-membros, tenha em atenção esta dimensão da situação para que possa minorar o mais possível», referiu o presidente da CIP, afirmando esperar que o Orçamento do Estado possa trazer novas respostas.

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António Saraiva afirmou ainda, face às medidas já anunciadas e conhecidas, que o importante é que «cheguem rapidamente às empresas sem complexidades burocráticas».

Numa primeira análise às medidas, o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes, reconheceu que estão «no caminho» que se necessita, mas ressalvou que falta ainda conhecê-las em pormenor e a análise dos setores mais afectados e representados pela CCP, como os transportes.

Além disso, João Vieira Lopes afirmou que tendo a anterior proposta orçamental sido desenhada antes da subida da inflação e da guerra na Ucrânia, o novo OE2022 «terá de ter em conta a nova situação».

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«Estas medidas são positivas, vamos analisá-las com os sectores, mas tem de ter haver também um enquadramento diferente do Orçamento do Estado anterior», precisou o presidente da CCP.

Já o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Eduardo Oliveira e Sousa, adiantou esperar que o OE2022 traga «uma redução efetiva do Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos» (ISP).

Sobre as medidas já conhecidas e cujo detalhe se conhece já melhor, como a isenção temporária da taxa do IVA dos fertilizantes e das rações de animais, afirmou que «na vertente económica não têm grande resultado» na medida em que o IVA destes produtos é dedutível.

Por seu lado, a presidente da UGT, Lucinda Dâmaso, considerou positivas as medidas já tomadas, mas precisou que, perante a subida da inflação, são insuficientes, tendo de haver uma resposta ao nível dos salários e das pensões.

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«Provavelmente as medidas já conhecidas não são suficientes», disse, salientando que perante a inflação que já se regista «e que se perspectiva, é obvio que os salários e as pensões têm de aumentar».

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