Kleya: Gestão de expectativas

Human Resources
14 de Julho 2022 | 13:30

Há cada vez mais profissionais de outros países interessados em trabalhar no nosso país. Para os apoiar nessa mudança existem empresas que se dedicam a projectos de relocação.

 

A Kleya dá apoio a empresas e a profissionais internacionais que desejam mudar-se para trabalhar no nosso país. Desde toda a burocracia envolvida à preparação para a mudança, nomeadamente no que diz respeito à residência e à matrícula na escola para as crianças, este é um trabalho complexo que, em alguns casos, pode demorar nove meses ou mais. Alexandra Cesário, Customer Experience officer & co-founder da Kleya, explica à Human Resources Portugal o que está em causa num processo típico de relocação.

 

Quais os factores mais importantes a considerar na relocação de cidadãos estrangeiros para Portugal?
Na nossa experiência, tudo começa com um bom planeamento antecipado, já que, dependendo das necessidades do colaborador, do tipo de relocação e se são oriundos do Espaço Schengen, os timings e processos são diferentes. Nesta fase, focamos muito no “como é viver em Portugal” para alinhar expectativas.

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Na Kleya, oferecemos um serviço completo que inclui o enquadramento de temas de residência e fiscalidade, permitindo analisar qual o melhor caminho para obter a autorização de trabalho. É imperativo que tudo isto fique definido no início para evitar perdas de tempo ou descoordenação.

O nosso foco é que a empresa se possa dedicar ao seu “core business”, sem se preocupar com o “Relocation” e, ao mesmo tempo, que os colaboradores da empresa não sofram com o stress da mudança para estarem focados no seu trabalho e desfrutarem ao máximo da qualidade de vida em Portugal.

 

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Quais os desafios mais comuns?
Diria que o desafio mais comum é a gestão de expectativas geradas. Para colaboradores que vêm com família, a preocupação com a escola dos filhos é crucial e define os timings de tudo. As escolas internacionais com sistema IB são muito procuradas, pelo que as inscrições devem ser feitas até ao início do ano. A grande maioria dos nossos clientes nesta situação não avança com o planeamento da mudança sem ter a garantia da inscrição na escola que desejam. Isto leva a que possamos começar a trabalhar com um cliente nove meses antes da mudança ou mais.

Geralmente, as expectativas prendem-se com o estilo de vida desejado e a localização do trabalho/escola, o que influencia a procura de apartamento.

O nosso foco passa, assim, por alinhar as expectativas com o planeamento burocrático, seja o pedido de NIF, Registo da SS, inscrição no SEF ou os vistos – é uma gestão de projecto que não é fácil porque há muitas dependências de um número alargado de entidades.

 

De que forma é feito o acolhimento e posterior acompanhamento em Portugal?
Quando chegamos à fase do acolhimento, o mais difícil já passou. Há obviamente algumas burocracias que só podem ser feitas quando se mudam, mas se o planeamento for bem feito, esta fase é mais leve. No entanto, surge a questão das expectativas. Os primeiros tempos são de adaptação e se, nós na Kleya, não mantemos uma certa perspectiva de estrangeiro, podemos correr o risco de encarar certos elementos da nossa realidade como conhecimento comum, mas que para os nossos clientes, são situações novas e, como tal, podemos falhar nesse apoio.

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Isto também nos leva às diferenças culturais. Se é certo que o nosso país é extremamente acolhedor, um cidadão que queira morar em Portugal depara-se com uma realidade que quem visita não se apercebe, como é o caso do sentido do trânsito em hora de ponta para quem se desloca para o escritório ou tem de levar os filhos à escola.

 

Quais as categorias profissionais e sectores de actividade em que é mais habitual projectos de relocation para Portugal?
A presença contínua do Web Summit tem dado muito destaque a Portugal, em concreto para os profissionais da Economia Digital. Temos sido contactados por muitas empresas de software, mais concretamente Fintechs.

Por outro lado, o facto de Portugal oferecer segurança e infra-estruturas de qualidade chamou a atenção de sectores mais tradicionais como a consultoria, Indústria Automóvel e Farmacêuticas, levando à criação de Hubs em Portugal.

O fenómeno mais recente que tem vindo a ganhar expressão são os Corporate Nomads. O facto de as empresas estarem mais abertas a um modelo híbrido (presencial/ remoto) e até puramente remoto, muito devido à pandemia, gerou esta nova tendência, em que é o próprio colaborador que propõe trabalhar remotamente e opta por mudar-se para o nosso país.

 

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Relocation” publicado na edição de Junho (n.º 138) da Human Resources.

Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

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