Elon Musk enviou o primeiro email aos funcionários do Twitter e deu a maior lição sobre como (não) comunicar

Human Resources
15 de Novembro 2022 | 14:40
Elon Musk enviou o primeiro email aos funcionários do Twitter e deu a maior lição sobre como (não) comunicar

Dizem que as primeiras impressões são importantes, principalmente quando se entra numa nova empresa, independentemente do cargo ou função. A verdade é que o novo CEO do Twitter causou uma tremenda primeira impressão junto dos seus funcionários. Nas primeiras semanas despediu 3700 pessoas e o primeiro mail enviado aos funcionários fez tudo menos inspirar.

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Desde que adquiriu o Twitter, no dia 27 de Outubro, Musk ainda não tinha formalmente falado com os colaboradores que se mantêm na empresa. «Qualquer tipo de comunicação, sobre o que quer que fosse, teria sido um primeiro passo», revelou à Fast Company um colaborador que trabalha nos escritórios em Nova Iorque. «Ninguém sabe nada.»

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Na passada sexta-feira, Musk corrigiu isso – mais ou menos – mas conseguiu enviar o pior primeiro email de um CEO aos colaboradores de que os peritos em liderança têm memória, em parte devido ao tom usado. «O caminho pela frente é difícil e vai exigir trabalho intenso para ter sucesso», alertou o CEO.

Do ponto de vista da liderança, os especialistas apontam várias falhas na mensagem.

Primeiro, a falta de sinceridade na introdução. A mensagem explica que o Twitter está numa situação perigosa e que os trabalhadores precisam de se esforçar mais. Acrescenta ainda que já não podem trabalhar a partir de casa.

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«Este é um exemplo de verdadeira má comunicação e liderança», revela Andrew Brodsky, professor assistente de Gestão na McCombs School of Business da Universidade do Texas, relativamente ao primeiro parágrafo que começa por «Desculpem este ser o meu primeiro email para toda a empresa, mas não há forma de dourar a pílula».

Iniciar com um pedido de desculpas como este parece insincero, afirma Brodsky, especialista em comunicação no local de trabalho. «Enquanto CEO e dono da empresa, pode escolher qualquer email a enviar como o seu primeiro email. Se realmente estivesse arrependido, este não seria o seu primeiro email.» E o tom do email decai a partir daí.

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«O cenário económico que se avizinha é terrível», prossegue Musk, alertando que o Tiwtter está «duplamente vulnerável» devido ao modelo de negócio dependente de publicidade. Sem mudanças, «há uma forte possibilidade de o Twitter não sobreviver à próxima crise económica».

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A mensagem de Musk «é notavelmente directa e sem tretas corporativas», diz André Spicer, dean e professor de Comportamento Organizacional na Bayes Business School, da Universidade de Londres. «O estilo directo de Musk é, por um lado, resultado da sua marca pessoal, e, por outro, resposta a uma crise iminente na empresa.»

Nesse sentido, afirma André Spicer, este não é o pior email de sempre. «Numa situação de crise imediata, o melhor estilo de comunicação é o directo», explica, mas acrescenta que os melhores comunicadores são também sensíveis. «Durante uma crise, o melhor estilo de liderança é dar aos colaboradores alguma sensação de segurança que serve como base para mudanças criativas. É difícil ver de que forma Musk está a fazer isso.»

«Os gestores deviam usar técnicas de gestão adequadas como motivar as pessoas, não assustá-las e não fazê-las sentirem-se inseguras», declara Sir Cary Cooper, professor de Psicologia Organizacional na Manchester Business School, da Universidade de Manchester.

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Se o tom do email é mau, as notícias que saíram, entretanto, sobre a empresa são ainda piores. Musk anunciou repentinamente que o Twitter ia cortar a possibilidade de os funcionários trabalharem remotamente a partir de 11 de Novembro. «Normalmente, boas medidas têm uma justificação por trás, para que as pessoas possam sentir que, “Ok, há um bom motivo por trás disso”», revela Andrew Brodsky. «Neste caso, é discutível se há uma boa razão para acabar com o trabalho remoto.»

«As práticas de Musk agravam o trauma no local de trabalho, pois ele não consegue entender os requisitos dos trabalhadores e afirma a sua autoridade de forma agressiva», diz Mariann Hardey, professora na Durham University Business School em Inglaterra, especializada em sociedade e tecnologia. «Musk faz trocadilhos e gere o seu próprio feed [no Twitter], sem qualquer noção de que os padrões de trabalho, comportamentos e estilos de vida mudaram. É prática comum, e inclusive desejável e produtiva, trabalhar com horários flexíveis, objectivos de conclusão de projectos e capacidade de resposta de equipas.»

O CDEO podia ter usado o seu primeiro email para encorajar os funcionários e inspirá-los com valores mais profundos e credíveis, servindo assim de «base de estabilidade em tempos de mudança», afirma André Spicer.

«O melhor tipo de relacionamento entre líder e colaborador empregado é aquele em que há troca e partilha», acrescenta Andrew Brodsky. «Esta não parece uma verdadeira troca em que os funcionários sentem que a empresa seja merecedora dos seus esforços.»

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E por fim, a hora a que o e-mail foi enviado. «Que mensagem esperava Elon Musk passar ao enviar um email às 2h30 da manhã?», questiona André Spicer. «É claramente sinal de que o chefe está sempre a trabalhar e os funcionários devem seguir esse exemplo.»

Qualquer que fosse a intenção de Elon Musk, os colaboradores revelam que não foi bem recebido. Um deles, que trabalha no escritório da Costa Oeste, disse que o email – e especialmente a exigência do regresso ao escritório – caiu bastante mal. Em vez de motivar uma equipa completamente desanimada, fez precisamente o oposto. «Está a destruir a empresa e parece mesmo que quer acabar com o Twitter», concluiu.

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