Em que países europeus os professores ganham mais? E que posição ocupam os professores portugueses?

Tânia Reis
14 de Dezembro 2022 | 08:40
Em que países europeus os professores ganham mais? E que posição ocupam os professores portugueses?

Muitas vezes aclamados como heróis, a verdade é que são poucos os motivos para os professores celebrarem. Em Portugal, a classe docente está em greve por tempo indeterminado, com manifestações agendadas. Segundo o Sindicato de Todos os Professores, as alterações ao modelo de concurso de colocação de professores, a melhoria das condições da carreira, mudança de escalões e congelamento do tempo de serviço estão em cima da mesa. Na Hungria, milhares de professores marcharam em Budapeste por melhores salários e reformas urgentes. 

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Este mal-estar na educação é geral um pouco por toda a Europa e reflecte-se na falta de professores. Em França, existem actualmente 4 mil vagas por preencher e, na Alemanha, as estimativas apontam um défice de 25 mil professores até 2025.

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As razões estão maioritariamente associadas às condições de trabalho, incluindo os salários estagnados. A Euronews foi saber quanto recebem os professores na Europa e quanto mudaram os seus salários na última década. E as diferenças são consideráveis.

De acordo com dados compilados pela Comissão Europeia/EACEA/Eurydice, no ensino secundário os salários iniciais brutos anuais oficiais, nas escolas públicas, variam entre cerca de 4 233€ na Albânia e 69 076€ no Luxemburgo em 2020/2021. O salário médio dos professores nos países da União Europeia (UE) é de 25 055€. Na lista de 36 países, Portugal ocupa o 17º lugar, com 22 374€.

Além do Luxembourgo, o salário inicial anual é superior a 50 mil euros em apenas dois países, Suíça (66 972 euros) e Alemanha (54 129 euros).

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Entre os países da EU, a Bulgária tem o salário anual mais baixo, com 7 731 euros. Abaixo de 10 mil euros estão outros países da UE, como Letónia, Eslováquia, Hungria, Roménia e Polónia.

Comparativamente ao salário mínimo nacional, a relação entre os salários dos professores e o salário mínimo mostra quanto ganham os professores. (o rácio é calculado dividindo o salário bruto do professor pelo salário mínimo bruto).

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A Alemanha tem a proporção é mais elevada, com 2,8, enquanto a Polónia tem a proporção mais baixa, com 1,1. Ou seja, o salário inicial dos professores na Polónia é muito próximo do salário mínimo, enquanto os professores recém-licenciados nas escolas públicas alemãs ganham quase três vezes o salário mínimo. A proporção média em 21 países da UE é de 1,86. Portugal ocupa a quarta posição com uma proporção de 2,4.

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O relatório mostra também dados relativos ao período de 2009/2010. Nessa altura, os salários iniciais brutos anuais dos professores variavam de 2 743 euros na Roménia a 63 895 euros no Luxemburgo.

A média nos 26 países da UE foi de 19 563 euros em 2009/2010. No entanto, em seis países da UE ficou abaixo dos 5 mil euros, nomeadamente Eslováquia (4 824€), Polónia (4 462€), Lituânia (4 275€), Letónia (4 166€), Bulgária (2 761€) e Roménia (2 743€). Em Portugal, o valor era de 21 261 euros.

A maior variação nos salários iniciais brutos anuais dos professores entre 2009/2010 e 2020/2021 aconteceu Lituânia, onde aumentaram 269% nesses 11 anos. A Roménia e a Bulgária também tiveram aumentos consideráveis na última década, de 193 e 180 por cento, respectivamente.

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O salário inicial dos professores também aumentou 42% na Alemanha, que já tinha o segundo salário mais alto no período 2009/2010. A variação foi inferior a 10 por cento em seis países da UE – Chipre, Portugal, Espanha, Itália, Eslovénia e Luxemburgo.

A Turquia é o único país da lista onde os salários iniciais dos professores diminuíram ao longo da década, caindo 876 euros, ou 10%, provavelmente devido ao colapso da lira turca nos últimos anos.

Em termos nominais, a Islândia viu os salários iniciais brutos anuais dos professores aumentarem 25 720 euros entre 2009/2010 e 2020/2021, o maior aumento entre os países estudados, seguida pela Alemanha (15 915 euros) e Suécia (15 135 euros).

De acordo com o Teaching and Learning International Survey (TALIS) de 2018, em média apenas 26% dos professores nos países e economias da OCDE inquiridos consideravam o seu trabalho valorizado pela sociedade e 39% estavam satisfeitos com o seu salário.

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Em 2020, as despesas com educação na UE totalizaram € 671 bilhões ou 5% do PIB, percentagem verificada também em Portugal.

Os países da UE que gastaram a maior parcela do PIB em educação foram a Suécia (7%), a Bélgica e a Estónia (6,6%), seguidos pela Dinamarca (6,4%). Fora do bloco, a Islândia gastou 7,7% do seu PIB em educação. Os níveis mais baixos de gastos com educação foram observados na Irlanda (3,1%), Roménia (3,7%) e Bulgária (4%).

Na UE, o número médio de alunos por professor no ensino primário foi de 13,6 em 2020, mas, mais uma vez, existem variações significativas de país para país.

Os índices mais baixos – que alguns chamariam de ideais – foram registados na Grécia (8,4), Luxemburgo (8,9) e Hungria (10), enquanto o Reino Unido (19,9), a Roménia (19,2) e França (18,4) apresentaram as maiores médias número de alunos por professor. Pelo meio está Portugal com uma média de 12,1 alunos por professor.

O rácio aluno-professor é calculado dividindo o número de alunos equivalentes a tempo inteiro pelo número de professores equivalentes a tempo inteiro.

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