HR Talks. Sustentabilidade: Um pequeno passo para as empresas, um salto gigante para a sociedade

Human Resources
3 de Março 2023 | 10:10
HR Talks. Sustentabilidade: Um pequeno passo para as empresas, um salto gigante para a sociedade

A sustentabilidade já é uma aposta real e estratégica nas empresas? Sendo o seu âmbito muito mais abrangente do que a vertente ambiental, que áreas estão a ser trabalhadas (e como)? De que forma estão empresas, trabalhadores, clientes e restantes stakeholders a contribuir para a sociedade como um todo? Especialistas da Ikea, Fnac e Randstad reflectiram sobre o tema na primeira HR Talks.

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Por Tânia Reis | Fotos Nuno Carrancho

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A Human Resources, em parceria com a Randstad, estreou online as HR Talks, uma rubrica vídeo que aborda temas relevantes no mundo da Gestão de Pessoas e das empresas, com o objectivo de partilhar boas práticas e reflectir sobre desafios e tendências. Ao longo do ano, 12 temas e 12 conversas, com protagonistas diferentes, vão juntar profissionais de realidades e sectores distintos.

A primeira HR Talk reuniu Ana Barbosa, responsável de Sustentabilidade da IKEA Portugal; Joaquim Almeida, director de Recursos Humanos e responsável de Sustentabilidade da Fnac; e Pedro Empis, director de Outsourcing da Randstad, em torno do mote “Gives back to society”, numa conversa moderada por Ana Leonor Martins, directora de redacção da Human Resources.

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Um caminho que já não é opcional
Na Ikea, tudo começa com uma visão – criar um melhor dia-a-dia para as pessoas –, e isso passa obrigatoriamente pela sustentabilidade. «Tentamos sempre fazer mais com menos. É muito orgânico para nós», sublinhou Ana Barbosa. Há mais de 10 anos, é uma área que está integrada de forma estratégica no negócio da marca sueca, ao longo da cadeia de valor e em todas as funções. «Trabalhamos para criar um impacto positivo nas pessoas e no planeta, com metas ambiciosas comuns até 2030», afirmou.

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A redução do consumo de recursos e da pegada carbónica em toda a cadeia de valor é uma dessas metas. É calculada anualmente e, desde 2019, tem vindo a diminuir, motivo de grande orgulho para a empresa. Outro foco passa por uma área mais comercial, ou seja, de que forma podem os produtos ajudar os consumidores a ter uma vida mais sustentável. E, por fim, a área das pessoas, pilar igualmente importante na estratégia de sustentabilidade, que contempla as comunidades e a sua população mais vulnerável, os colaboradores dos fornecedores e, por último, os colaboradores Ikea. «E quando pensamos nestes, analisamos o que podemos fazer para ter uma força de trabalho mais envolvida, e em que áreas temos de nos focar», explicou a responsável.

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Quando se fala em sustentabilidade, é comum o foco estar mais na vertente ambiental, mas o alcance do tema é muito mais abrangente. Igualdade, diversidade e inclusão são também vistas neste âmbito e uma das bandeiras da marca sueca. Ana Barbosa garante: «Temos igualdade de género salarial e em posições de chefia, mas não paramos aqui. Uma melhor representatividade da sociedade em termos de raça, etnia e nacionalidade é o nosso próximo passo.» Até porque «a sustentabilidade não pode ser apenas para fora, tem de começar de dentro». Assim, em Janeiro, aumentaram o salário de entrada para mil euros, para todos os colaboradores. «No fundo, devolver à comunidade acaba por ser devolver ao negócio. O negócio não pode prosperar numa comunidade que não prospera.»

Apesar da pressão a que muitas empresas, principalmente as cotadas em bolsa, estão sujeitas, Joaquim Almeida reconheceu que, actualmente, «já não é viável uma organização, grande ou pequena, ignorar o seu papel na sociedade e passar ao lado de temas como a paridade de género, a inclusão de pessoas com deficiência ou a pegada ambiental». E o director de Recursos Humanos e responsável de Sustentabilidade da Fnac acredita que, mesmo num tecido empresarial nacional maioritariamente de pequenas e médias empresas (PME), estes temas estão presentes – ainda que possam não ser os prioritários – e, cada vez mais, o resultado e a actividade das empresas depende do seu posicionamento sobre estas matérias no mercado, e também perante os clientes e colaboradores. «As novas gerações olham para estes temas de outra maneira, têm um interesse maior na protecção do ambiente, na integração, na qualidade de vida profissional e pessoal.»

Na Fnac, a sustentabilidade e a responsabilidade social têm objectivos muito concretos e um caminho já trilhado. Se antes, o tema era abordado através de acções dispersas – «e nem era comunicado internamente» –, há dois, três anos, está incluído numa política integrada, assente em diferentes dimensões: «a ambiental, em duas vertentes, externa, na consciencialização dos consumidores, e interna, na redução do consumo de energia; o apoio à cultura, à comunidade e ao meio em que nos inserimos; a ética e corrupção; e, por fim, mas não em último, claro, as pessoas».

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Também na Randstad há uma maior consciência da importância do tema da sustentabilidade e um «percurso já feito», garantiu Pedro Empis, fazendo notar que «nenhuma empresa sobrevive no mercado ou numa comunidade que não prospera». Sendo indiscutível que as empresas têm de apresentar resultados e cumprir objectivos financeiros concretos, o director de Outsourcing acredita que «existe uma maior noção de que isso, por si só, não é suficiente ou que, a ser suficiente, não é sustentável».

Na qualidade de organização prestadora de serviços especializada em Recursos Humanos, e que abrange todos os sectores de mercado, sentem uma responsabilidade adicional perante um conjunto de circunstâncias, como por exemplo, na segurança e saúde no trabalho. «Não basta termos um projecto em que vamos colocar 100 pessoas, é importante saber e assegurar que aquela fábrica ou centro logístico tem as condições necessárias para as pessoas trabalharem», salientou. Esse e outros indicadores são medidos, e a Randstad promove acções de sensibilização e formação. Pedro Empis garante que «os resultados são positivos, já que a sinistralidade tem vindo a diminuir». E acrescenta: «Apesar de não parecer óbvio, iniciativas que contribuam para evitar acidentes de trabalho ou doenças profissionais já são um caminho para a sustentabilidade.»

O director de Outsourcing defende que «as grandes empresas têm um papel ainda mais importante a desempenhar neste ecossistema, pois os padrões que determinam devem ser disseminados pelos fornecedores, maioritariamente PME. É um caminho que está a ser feito. E sentimos que é cada vez menos uma coisa administrativa e burocrática, para ter o selo, algo mais genuíno, feito de uma forma sustentada, que vai trazer resultados.»

Do mesmo modo, na área do talento, o foco também tem de ser uma gestão sustentável. «Se um colaborador não está a ter uma boa performance, muitas vezes, o caminho mais fácil pode ser arranjar outro colaborador, mas pode tentar perceber-se antecipadamente o porquê e fazer algo relativamente a isso, evitando que vá para desemprego», exemplificou. E é aí que a Randstad faz a diferença, procurando não deixar ninguém para trás, «o que acaba por ser muito relevante nestes momentos de verdade para a própria pessoa». Transformar um trabalhador “não empregável” num candidato “empregável” é precisamente o que está por trás do objectivo global da empresa – “tocar a vida de 500 milhões de pessoas até 2030”.

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Um factor de atracção e fidelização
Os próprios candidatos também estão atentos ao tema da sustentabilidade, e é factor de peso na tomada de decisão na hora de escolher, o que acaba por ter impacto directo na capacidade de atracção e fidelização de talento das organizações. «As pessoas não querem trabalhar para uma empresa que não queira saber destes temas», assegura Pedro Empis. «Quando se está a atrair, ainda se pode dizer algo que não se pratica, mas se depois não acontecer, quando se trata de manter o talento, é mesmo preciso fazer algo.»

Sendo responsável pelos pelouros da Sustentabilidade e dos Recursos Humanos, «coincidência feliz e que faz sentido», Joaquim Almeida revelou que, graças à boa reputação da Fnac, não sentem dificuldades na atracção de talento. Mas a “facilidade” já não é tão evidente quando se fala em evitar a rotatividade de colaboradores. «Sentimos que, actualmente, as novas gerações olham para estes temas com maior preocupação, e até de outro ponto de vista. A flexibilidade, por exemplo, é encarada não só do ponto no equilíbrio da vida profissional e pessoal, mas também das questões ambientais.» A atenção está, portanto, virada para dar respostas a essas pretensões. E, na Fnac, esse trabalho é feito, no curto prazo, através de metas estabelecidas anualmente e que abrangem também a área das Pessoas, olhando para índices desde a taxa de turnover ao número de participantes femininas em programas de desenvolvimento.

 

Leia o artigo na íntegra na edição de Fevereiro (nº. 146)  da Human Resources, nas bancas.

Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

O vídeo da talk está disponível aqui.

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