Quase 75% das famílias portuguesas teve dificuldades em pagar despesas o ano passado
Human Resources com Lusa
17 de Março 2023 | 16:00
Três quartos das famílias portuguesas enfrentaram dificuldades financeiras em 2022, encontrando-se 8% em “situação crítica”, com problemas em pagar todas as despesas essenciais, aponta o barómetro anual da Deco Proteste.
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Segundo os resultados do barómetro, 74% das famílias assumiram ter enfrentado, mensalmente, problemas financeiros, sendo que 8% afirmaram ter dificuldade em pagar despesas ditas essenciais, relacionadas com a mobilidade, alimentação, saúde, habitação, lazer e educação.
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Face a 2021, a dificuldade em enfrentar as despesas com a alimentação sofreu o maior aumento (15%), seguindo-se as despesas com a habitação (5%) e com a mobilidade (4%).
O estudo da Deco Proteste precisa que «as principais parcelas que geram constrangimentos na gestão orçamental» dos consumidores dizem respeito às despesas com o carro — combustíveis, manutenção e seguros (67%) –, alimentação — carne, peixe e alternativas vegetarianas (59%) –, férias grandes — viagens e estadias (57%) –, cuidados dentários (55%) e manutenção da casa — obras, remodelações (54%).
«O índice que mede a capacidade financeira das famílias também não deixa espaço para dúvida: em 2022, atingiu o valor mais baixo desde há cinco anos — 42,1 (de 0 a 100; em que quanto mais elevado o número, maior a capacidade financeira para enfrentar as despesas mensais)», salienta.
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Em termos geográficos, é nos Açores que o índice apresenta piores resultados (37,2), seguindo-se os distritos de Vila Real (38) e Aveiro (39,4).
Em «maior desafogo financeiro» estão os distritos de Coimbra (47,1) Beja (43,5), Lisboa (43,5) e a Região Autónoma da Madeira (45,1).
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Citada no comunicado, a directora de Comunicação e Relações Institucionais da Deco Proteste considera que «os resultados de 2022 não são animadores».
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«É constatável que não houve uma melhoria efectiva das condições de vida dos portugueses nos últimos anos e as consequências da guerra na Ucrânia puseram a nu todas as fragilidades da nossa economia e a debilidade económica da maioria dos agregados familiares», afirma Rita Rodrigues.
Numa análise mais aprofundada à evolução das despesas com alimentação e habitação, a Deco Proteste — que, há mais de um ano, analisa o aumento do preço do cabaz alimentar e as flutuações das taxas de juro — constata que, entre Fevereiro de 2022 e Fevereiro deste ano, o valor do cabaz alimentar passou de 185 euros para 222 euros, um aumento de 20%.
«Em 2022, 44% das famílias portuguesas assumiram a dificuldade em pagar as contas com os produtos alimentares, numa tendência que se agrava desde 2020, onde as famílias em apuros eram quase metade», refere.
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Detalhando que «mercearia, carne, peixe, vegetais e frutas são os produtos que os consumidores têm cada vez mais dificuldades em pôr nas suas mesas», a Deco Proteste nota que «mais de metade dos agregados assumem que o preço crescente é um claro entrave à sua compra regular».
Quanto à área da habitação, «a realidade dos portugueses também não é risonha»: «Depois de as taxas de juros terem andado em terreno negativo meses a fio, o Banco Central Europeu iniciou o seu reajuste, reduzindo, ainda mais, o dinheiro que sobra no final do mês dos consumidores», explica.
Com o custo da habitação em Portugal, seja para compra ou para arrendamento, a destacar-se como «dos mais elevados da Europa», a Deco Proteste diz ser «fácil de entender o motivo pelo qual quase metade das famílias portuguesas (44%) assume ter dificuldades em pagar a sua renda ou o seu empréstimo».
De acordo com organização de defesa dos consumidores, «as dificuldades económicas sentidas pelos portugueses reflectem-se, igualmente, na capacidade de poupança», com quase 75% a afirmarem ser «impossível ou quase impossível estender o seu rendimento, de forma a conseguir poupar sequer uma pequena quantia».
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«Estamos perante um cenário pouco animador para as famílias portuguesas. A incerteza da duração da guerra e os seus efeitos, a ausência de medidas que protejam os consumidores e a crise financeira que vem asfixiando a classe média na última década fazem antever uma evolução pouco auspiciosa da qualidade de vida em Portugal», considera Rita Rodrigues.
Embora vendo com «satisfação a preocupação do Estado em intervir e em criar mecanismos concretos», a responsável da Deco Proteste defende que «estes têm de ser rápidos e estruturados para ajudar os portugueses».
«Preconizamos que o Governo esteja atento à realidade e às dificuldades concretas que a maioria dos portugueses tem de enfrentar diariamente», sustenta.
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