A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, disse que a economia da zona euro deverá continuar moderada nos próximos meses e assinala que o ímpeto do mercado de trabalho está a abrandar, sobretudo nos serviços.
Em conferência de imprensa, após a reunião do Conselho de Governadores que decidiu um novo aumento das taxas de juro de 25 pontos base, a responsável do BCE explicou que a economia estagnou durante o primeiro semestre do ano e assinalou que os indicadores mais recentes «sugerem que também esteve fraca no terceiro trimestre».
«A menor procura de exportações da zona euro e o impacto das condições de financiamento restritivas estão a atenuar o crescimento, nomeadamente através da redução do investimento residencial e empresarial», disse. A presidente do BCE destacou que «o sector dos serviços, que até agora tinha sido resiliente, está agora também a enfraquecer».
«É provável que a economia continue moderada nos próximos meses», afirmou, acrescentando, contudo, que «com o tempo, a dinâmica económica deverá acelerar, uma vez que se espera que os rendimentos reais aumentem, apoiados pela queda da inflação, pelo aumento dos salários e por um mercado de trabalho forte, o que apoiará o consumo privado».
Christine Lagarde também salientou que o mercado de trabalho tem permanecido resiliente até agora, apesar da desaceleração da economia, contudo admitiu que, embora o emprego tenha crescido 0,2% no segundo trimestre, «o ímpeto está a abrandar».
«O sector dos serviços, que tem sido um importante motor do crescimento do emprego desde meados de 2022, está agora também a criar menos empregos», sinalizou. A presidente do BCE defendeu mais uma vez que, à medida que a crise energética se dissipa, «os governos devem continuar a reduzir as medidas de apoio».
«É essencial para evitar o aumento das pressões inflacionistas a médio prazo, que de outra forma exigiriam uma resposta de política monetária ainda mais forte», argumentou.
Segundo Lagarde, o crescimento poderá ser mais lento se os efeitos da política monetária forem mais fortes do que o esperado, ou se a economia mundial enfraquecer, por exemplo devido a um novo abrandamento na China.
«Por outro lado, o crescimento poderá ser superior ao previsto se o forte mercado de trabalho, o aumento dos rendimentos reais e a diminuição da incerteza significarem que as pessoas e as empresas se tornam mais confiantes e gastam mais», disse.
Já os riscos ascendentes para a inflação incluem potenciais pressões ascendentes sobre os custos da energia e dos alimentos, alertando também para o impacto das condições meteorológicas adversas e a evolução da crise climática.
«Um aumento duradouro das expectativas de inflação acima da nossa meta, ou aumentos superiores aos previstos nos salários ou nas margens de lucro, também poderá aumentar a inflação, inclusive a médio prazo», advertiu.
Por outro lado, «uma procura mais fraca, por exemplo devido a uma transmissão mais forte da política monetária ou a um agravamento do ambiente económico fora da área do euro, levaria a pressões mais baixas sobre os preços, especialmente a médio prazo.»














