Do conforto ao (efectivo) engagement

Human Resources
16 de Abril 2024 | 11:00
Do conforto ao (efectivo) engagement

Eu e as minhas equipas temos lidado, frequentemente, com os temas da motivação, da satisfação e do compromisso organizacional. Em diversas indústrias e geografias. Esta preocupação, por parte dos gestores, é legítima e natural. A ligação destas dimensões mais motivacionais (o “estar bem” e “querer fazer”) ao nível de desempenho é demonstrada por inúmeras investigações e estudos académicos e por ainda mais experiências práticas empresariais. Efectivamente, o “contrato psicológico” tem demonstrado ser uma força bem mais poderosa que os vínculos jurídicos-formais.

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Por Carlos Sezões, Managing partner da Darefy – Leadership & Change Builders

Inevitavelmente, em muitas destas realidades e projectos, emerge com frequência um dilema: deveremos preocuparmos em construir locais de trabalho confortáveis e assentes nas novas (relevantes, sem dúvida) correntes da felicidade e da qualidade de vida… ou  focar em questões que, sendo tendencialmente mais complexas e menos moldáveis no curto prazo, garantem uma maior sustentabilidade nos níveis de engagement e compromisso.

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A primeira abordagem será mais transaccional, assente em factores de satisfação mais imediatos, que tornam a organização mais confortável e o clima mais positivo. Ingredientes como compensação, benefícios, flexibilidade nos modelos de trabalho, instalações e espaços de lazer “cool” ou eventos regulares de team-building são, muitas vezes, os mais debatidos e mais facilmente “agilizáveis”.

Na segunda abordagem, teremos uma preocupação mais relacional, de médio-longo prazo, que tenderá a construir ambientes culturalmente consistentes, com um propósito sólido e com maior capacidade de diferenciação no que toca a atrair e manter talento. Aqui, ingredientes como a cultura, a liderança, a comunicação interna e os correspondentes traços de autonomia, risco, desafio e inovação, serão os mais impactantes.

Com honestidade intelectual, há que dizer que não existirão abordagens universais ou soluções únicas e milagrosas. Há que ter em consideração o sector, a empresa e seu estádio de maturidade e os traços culturais actuais. O que as pessoas têm, acreditam e ambicionam. O que gostariam de atingir no futuro. E o que a visão, propósito e estratégia, definidas pelos accionistas e pela gestão, tornam mais recomendável.

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Contudo, pela minha experiência, não me vou refugiar numa resposta ambígua de “equilíbrio”, sentenciando diplomaticamente que ambas são importantes. Uma organização deve providenciar, claro, um nível mínimo de conforto e de suporte mas, se quer construir um local de trabalho extraordinário e motivador, deve ser desafiante e alavancar a energia e emoção das pessoas.

Criar, pois, locais caracterizados por uma certa “inquietude saudável”, que desassossegam as suas pessoas, estimulando a sua proactividade e sentido de ownership. Com lideranças que personificam este mindset, orquestrando estratégias e cenários, cultivando a excelência nos seus deliverables e puxando pela agilidade e o pensamento out-of-the-box, quando tal se torna crítico para lidar com o imprevisto. E que recompensam os “doers”, que realmente fazem acontecer.

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Grandes marcas e empresas como uma Apple, uma Amazon ou uma Netflix foram construídas com estes ingredientes. Organizações que, pela sua forma de estar e viver intensamente o seu propósito, não serão uma escolha para todos. E há que assumir sem dramas esta segmentação e selecção natural.

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Acredito, pois, que ambientes de efectivo engagement, plenos de compromisso emocional, não são paraísos de conforto, construídos com o fim de apenas “agradar”… são locais de propósito, intensos e frequentemente desconfortáveis, em que a excelência produz mais excelência e o talento atrai e refina mais talento. E, claro, vão celebrando as suas vitórias e recalibrando a sua visão, de modo a serem sustentáveis no tempo.

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