Transformar escassez em abundância: a dificuldade de reter talento em Portugal

Human Resources
1 de Julho 2024 | 11:00
Transformar escassez em abundância: a dificuldade de reter talento em Portugal

Por Elsa Bizarro, directora de Recursos Humanos da Premium Green Mail

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Como em muitos países, Portugal enfrenta um desafio crucial associado à digitalização: a escassez de profissionais qualificados, especialmente em sectores de alta tecnologia como a Inteligência Artificial (IA). Essa questão foi destacada no mais recente Índice de Tendências de Trabalho da Microsoft e LinkedIn, que aponta para uma crescente preocupação entre gestores que procuram colaboradores não apenas com mais-valias técnicas, mas também com garantida capacidade se adaptar rapidamente às mudanças constantes do mercado.

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Os dados indicam que metade dos trabalhadores deseja mudar de função para aproveitar as oportunidades ligadas à IA, revelando interesse em ajustar as suas trajectórias profissionais às necessidades futuras. No entanto, apenas 39% dos inquiridos tiveram acesso a formação em IA, evidenciando uma lacuna que deve ser urgentemente colmatada.

Com 55% dos líderes preocupados com a escassez de profissionais qualificados para ocupar as vagas disponíveis, torna-se essencial que as empresas, especialmente as que estão ligadas à tecnologia, implementem programas internos de capacitação. Tais iniciativas não devem ser vistas apenas como solução imediata, mas como investimento crucial que garanta o futuro sustentável e inovador das organizações.

É imprescindível antecipar essas necessidades e agir proactivamente.

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As organizações devem estabelecer parcerias estratégicas com escolas e academias, investindo de forma contínua no desenvolvimento dos seus colaboradores e promovendo um ambiente de trabalho que estimule a criatividade e a formação contínua.

Outro ponto crucial é garantir modelos de trabalho flexíveis e adaptáveis, que possibilitem aos colaboradores conciliar a carreira e vida pessoal, uma estratégia determinante para reter talentos.

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Além disso, é importante transcender os limites convencionais do sector e aventurarmo-nos em áreas interdisciplinares. A IA, por exemplo, possui aplicações que vão desde tecnologia da informação até ao design criativo e gestão empresarial. A ampliação dessas funcionalidades por meio de programas de requalificação pode transformar a actual carência de mão-de-obra numa profusão de oportunidades.

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Finalmente, é crucial que as empresas colaborem estreitamente com o Estado no estabelecimento de políticas que fomentem a educação e a capacitação nos sectores mais requisitados. Benefícios fiscais, suportes à educação e programas de apoio a novas empresas são algumas das estratégias através das quais a governação pode estimular o desenvolvimento do capital humano do país.

Enquanto líderes, temos a obrigação de liderar a mudança, não apenas respondendo às tendências, mas configurando-as por meio de uma gestão de talentos activa. A escassez de grandes quadros é um tremendo desafio, mas também uma chamada à inovação, educação e cooperação, garantias de um futuro próspero para a economia portuguesa na era digital.

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