A nova Lei da IA entra hoje em vigor na UE. Dos prazos às multas, veja o que vai mudar nas empresas

Human Resources
1 de Agosto 2024 | 12:49

A Lei da IA da União Europeia entrou hoje em vigor e aplica-se a todos os sistemas de Inteligência Artificial (IA) já existentes ou em desenvolvimento. A partir de agora, há um calendário definido para que, ao longo dos próximos meses e anos, as empresas que utilizam a IA se preparem para o seu cumprimento, avança o Euronews Next .

 

Esta legislação, a primeira no mundo que tenta regular a IA, foi aprovada em Março, mas a sua publicação no jornal oficial da Comissão Europeia aconteceu apenas em Julho.

A Lei da IA abrange todas as empresas que utilizam sistemas de IA e estabelece regras com base em quatro níveis de risco – sem risco, risco mínimo, risco elevado e sistemas de IA proibidos – que, por sua vez, determinam os prazos que lhes são aplicáveis.

A partir de Fevereiro de 2025, a UE proibirá totalmente certas práticas, como as que manipulam a tomada de decisões de um utilizador ou expandem as bases de dados de reconhecimento facial através da recolha de dados da Internet.

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Outros sistemas de IA considerados de alto risco, como as que recolhem dados biométricos e utilizadas em infra-estruturas críticas ou em decisões de emprego, serão alvo de regulamentos mais rigorosos.

Entre outros requisitos, estas empresas terão de apresentar os seus conjuntos de dados de treino de IA e fornecer provas de supervisão humana.

Cerca de 85% das empresas de IA enquadram-se na segunda categoria de “risco mínimo”, com pouca regulamentação necessária, avança Thomas Regnier, porta-voz da Comissão Europeia.

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Heather Dawe, responsável de IA na consultora UST, já está a trabalhar com clientes internacionais para que a utilização da IA esteja em conformidade com a nova lei, e partilha que essas empresas concordam com os requisitos, pois reconhecem que a regulamentação é necessária.

Dependendo do tamanho da empresa e qual o papel da IA no fluxo de trabalho, Heather Dawe diz que pode levar entre três a seis meses as empresas ficarem em conformidade com a nova lei.

E aconselha as organizações a considerarem criar conselhos internos de governança de IA, com especialistas jurídicos, técnicos e de segurança para fazer uma auditoria completa das tecnologias que estão a ser usadas e que ajustes são necessários.

Se uma empresa não estiver em conformidade com a Lei da IA dentro dos prazos estabelecidos, poderá ser multada em até 7% do seu volume de negócios anual global, explicou Thomas Regnier, porta-voz da Comissão Europeia.

O papel da Comissão Europeia

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O Gabinete de IA da Comissão Europeia irá supervisionar o cumprimento das regras, com a realocação de 60 colaboradores internos da Comissão e prevêem contratar mais 80 candidatos no próximo ano, disse Regnier. Este gabinete trabalhará com um Conselho da IA, composto por delegados dos 27 estados-membros, para garantir que a aplicação da lei seja harmonizada em toda a UE.

Durante este mês de Agosto, os Estados da UE terão de criar as autoridades nacionais competentes que supervisionarão a aplicação das regras no seu país. Entretanto, mais de 700 empresas afirmam que vão assinar um Pacto de IA: um compromisso de cumprimento antecipado da lei.

Risto Uuk, responsável pela investigação na UE no Future of Life Institute, considera que a Comissão Europeia ainda tem de clarificar o grau de risco de determinadas tecnologias. E dá um exemplo: utilizar um drone para tirar fotografias a um sistema de abastecimento de água que tem de ser reparado «não parece muito arriscado», mas segundo a nova lei enquadra-se na categoria de alto risco.

Uuk acredita que, à medida que a implementação for avançando, a Comissão será capaz de dar uma resposta mais específica, mas defende que a lei poderia ir mais longe se impusesse mais restrições e multas mais pesadas às Big Tech que utilizam a IA Generativa na UE. Isto porque as principais empresas de IA, como a OpenAI e a DeepMind, são consideradas “IA de utilização geral” e estão na categoria de risco mínimo.

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