Vera Rodrigues, MC Sonae: “No people, no gain”

Human Resources
7 de Outubro 2024 | 14:00
Vera Rodrigues, MC Sonae: “No people, no gain”

Se quisermos fazer das equipas de Gestão de Pessoas equipas cada vez mais estratégicas e com mais impacto nos negócios, teremos sempre de as pensar e capacitar para que elas próprias falem fluentemente a linguagem da gestão, dos números, dos indicadores, da produtividade e da competitividade.

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Por Vera Rodrigues, head of People da MC Sonae

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There are no gains without pains”. A frase remonta a 1758, sendo o seu autor Benjamin Franklin, considerado um dos pais fundadores dos Estados Unidos e um dos líderes da Revolução Americana, conhecido pelas suas citações e experiências com a electricidade. Já a sua versão simplificada “no pain, no gain” está associada a Jane Fonda, na medida em fez dela um slogan para os seus vídeos de treino de aeróbica nos anos 80.

Feito o enquadramento histórico, passemos à associação sobre a qual aqui importa reflectir. Em qualquer fórum ou discussão sobre pessoas, em que participem gestores ou líderes de equipas – mais comummente designadas de “recursos humanos” –, se reitera a necessidade de investir em formação e requalificação, de criar oportunidades de carreira, de investir em bem-estar e satisfação dos colaboradores e, de uma forma geral, da prioridade que as organizações devem dar ao investimento nas pessoas. É algo consensual na nossa “comunidade”.

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Se é verdade que esse desígnio tem vindo a ganhar cada vez mais relevância no discurso de alguns protagonistas e gestores com outro tipo de responsabilidades nas empresas, também sabemos que o investimento nas pessoas nem sempre está no seu top of mind – e, ainda menos, no topo de prioridades quando se pensa em estratégias que permitam, por exemplo, alcançar ganhos de competitividade.

Naturalmente que há excepções. Mas esta reflexão não é feita com o propósito de crítica a empresários ou a gestores. O desafio vai mais além: há uma ambição que deve ser colocada, desde logo, aos próprios líderes e gestores de Recursos Humanos (RH), se quisermos, designadamente, fazer das equipas de Gestão de Pessoas equipas cada vez mais estratégicas e com mais impacto nos negócios.

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Teremos sempre de as pensar e capacitar para que elas próprias falem fluentemente a linguagem da gestão, dos números, dos indicadores, da produtividade e da competitividade. É necessário investir, claramente, e desde logo, no desenvolvimento de competências analíticas. Só assim essas mesmas equipas serão capazes de demonstrar, com dados e com números, o racional, a viabilidade e o impacto tangível das iniciativas e dos investimentos em pessoas que tantas vezes defendem. Só assim conseguirão traduzir de forma clara e assertiva os verdadeiros ganhos que as suas propostas encerram, seja do ponto de vista de produtividade, competitividade ou mesmo de desempenho global da empresa. Elevar a fasquia da Gestão das Pessoas, também passa pelo investimento nas próprias equipas de gestão de RH.

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Como muitas vezes se diz, “o que não se mede, não se gere”. Isto também se aplica, obviamente, às pessoas. Mas se, em alguns contextos, tudo isto é muito óbvio, atrever-me-ia a dizer que, ainda assim, é raro. E o primeiro passo é reconhecer essa realidade, para se poder garantir que a função de Gestão de Pessoas vai cada vez mais além do “tradicional” e que os seus protagonistas têm capacidade de se focar em iniciativas que agreguem valor efectivo e tangível para os negócios.

Acredito que as equipas de RH têm um papel crucial, enquanto enablers da transformação das empresas. Como acredito, verdadeiramente, que a excelência das pessoas é o elemento mais diferenciador de uma organização. Porque é através do seu talento que a visão, a missão e a estratégia de um negócio ganham forma. Como vários estudos já o demonstram, através de números claros e objectivos, são as empresas com as equipas mais bem preparadas que produzem os melhores resultados e que conseguem atingir os maiores ganhos e as performances mais destacadas.

No final do dia, é como quem diz “No people, no gain”.

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Este artigo foi publicado na edição de Setembro (nº. 165) da Human Resources.

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