Engenharia Florestal, (re)conhecer uma profissão sustentável e de futuro

Poucas ocupações conjugam de forma tão evidente a ciência, tecnologia e inovação, com o intuito de cuidar das florestas, garantir a sua produtividade e preservar a biodiversidade, como a de engenharia florestal. Em simultâneo, há uma evidente escassez de profissionais da área no mercado. Perante essa realidade, que afecta as bioindústrias de base florestal, é fundamental evitar a perda de massa crítica e talento, tantas vezes aliciado por projectos além-fronteiras.

Por Gonçalo Almeida Simões, director Geral da Biond 

 

No final de Março, a Biond esteve na Futurália, espaço por excelência para quem pretende conhecer as grandes tendências que se identificam a nível laboral e académico. Uma visita que exige a maior atenção, fruto de uma miríade de entidades que promovem projectos com elevada qualidade e potencial agregador. Um mundo de actividades que visa atrair quem procura um outro rumo na sua vida laboral.

Naturalmente, aquele que é o mais importante certame nacional de educação e formação, para além de reunir milhares de jovens e profissionais do sector da educação, também debateu as melhores respostas a alguns desafios que se colocam, que não se cingem ao acima mensurado. Mais ainda, quando Portugal padece de algumas maleitas endógenas que fragilizam o seu tecido empresarial, com repercussões nos respectivos recursos humanos.

Uma área em específico merece atenção, a Engenharia Florestal. Reconhecidamente, com uma margem de progressão elevada, apresenta um manancial de oportunidade para todos aqueles que sigam esse trilho. Desde logo, com mais-valias evidentes para o país, ao encontro dos desígnios de uma narrativa centrada no crescimento da economia verde e descarbonização.

Lidamos com os esforços levados a cabo por stakeholders, políticos locais e empresários, no sentido de mitigar alguns dos (graves) problemas que resultam num atraso quase endémico do país. Foi, pois, com entusiasmo que verificámos uma crescente atenção para com as competências mais direccionadas para a floresta e agricultura – áreas estruturais para o desenvolvimento nacional. Cientes de que começam a ganhar o seu espaço, sabemos, no entanto, do longo caminho a percorrer, até que mereçam a devida atenção e sejam reconhecidas, que não apenas pelo World Economic Forum, organização que nos últimos tempos tem salientado o seu potencial de crescimento na próxima década.

No caso específico da Engenharia Florestal, é uma actividade com uma taxa de empregabilidade de 100%; neste caso, infelizmente, porque a oferta é superior à procura.

Estejamos certos, a componente tecnológica associada a este cargo, com a utilização de conceitos inovadores e desafiantes, assegurará uma maior produtividade daquele que é, afinal, um dos recursos nacionais por excelência, desde logo, ao ocupar 36% do território nacional – a floresta. Temos, pois, uma área multidisciplinar, que se dedica a uma gestão sustentável e à criação de soluções para enfrentar os desafios ambientais globais.

Num olhar mais atento, verificamos que as saídas profissionais têm especial enfoque nas áreas de Gestão e Planeamento Florestal. Mas vão mais além, da Conservação da Natureza às Bioindústrias de Base Florestal, Prevenção e Combate a Incêndios, Consultoria, Investigação e outras profissões com forte componente tecnológica. Ou seja, com uma vasta base de actuação, temos aqui um leque de possibilidades que representam profissões de futuro com forte componente ambiental e tecnológica, reforçando o impacto desta fileira.

Embora reforce a presunção de que os sectores agrícola e florestal têm uma margem de desenvolvimento deveras evidente, no caso de Portugal, o caminho é longo. É imperativo que se avance para uma estratégia que se pretende coerente e eficaz. E, provavelmente, certames como a Futurália vão ter um papel ainda mais decisivo na capacidade de sensibilizar os mais jovens para este mercado. Que as premissas acima plasmadas levem a comunidade no seu todo, mas sobretudo pais e alunos, a reconhecer as suas evidentes vantagens competitivas em termos de mercado de trabalho.

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