Iscte vai capacitar jovens para transformar ideias simples em pequenos negócios em regiões vulneráveis de Angola

Margarida Lopes
9 de Julho 2025 | 16:40

No Dundo e em Luena, no nordeste de Angola, 45 jovens entre os 14 e os 18 anos vão aprender a transformar ideias simples em pequenos negócios capazes de funcionar em zonas marcadas por uma enorme vulnerabilidade económica. A formação vai ser dada pela Iscte Business School em parceria com a USEPHA, uma ONG angolana especializada na capacitação para a gestão de micro e pequenos negócios.

 

O projecto chama-se “Impactful entrepreneurship for inclusion and diversity in Africa”. Nele, ao longo dos próximos semestres, serão ensinados não só conhecimentos técnicos de empreendedorismo, mas também competências interpessoais essenciais como a comunicação, a integridade, a resiliência, o trabalho em equipa e princípios de tomada de decisão. O objcetivo é empoderar estes adolescentes para eles alcançarem a sua plena autonomia e sustentabilidade financeira, rompendo ciclos geracionais de exclusão e assumindo um papel activo no futuro das suas comunidades.

«Este projecto está a trabalhar com jovens com enorme potencial, criatividade e desejo de mudança, mas que vivem em contextos profundamente adversos, sem acesso a educação formal de qualidade ou a oportunidades económicas mínimas», afirma Renato Pereira, Associate dean for Internationalization and Research da Iscte Business School e coordenador do projecto “Impactful entrepreneurship for inclusion and diversity in Africa”.

Depois de uma primeira acção em Novembro de 2024, e de uma nova edição em Abril deste ano, a próxima intervenção está marcada para agosto de 2025. Essa acção de capacitação irá decorrer numa das regiões associadas à exploração desenfreada de diamantes, um sector que gera muita riqueza, mas cujos benefícios raramente chegam às populações locais.

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Ao longo das dez acções de capacitação previstas até 2027, todas com uma forte componente prática, os participantes irão aprender a desenvolver um negócio desde o início: elaborar orçamentos, planear a produção, definir preços, negociar com parceiros e apresentar ideias com clareza, são alguns dos conteúdos que serão ministrados. Os formandos irão também desenvolver competências interpessoais fundamentais – as chamadas “soft skills” – como integridade, criação de redes de contactos, resiliência perante dificuldades persistentes, resolução de conflitos e trabalho em equipa.

Fora das sessões, existirão encontros semanais na sede da USEPHA no Dundo, onde aprofundarão conhecimentos complementares fundamentais, como ferramentas informáticas e utilização estratégica das redes sociais. A USEPHA é uma ONG fundada por um doutorando do Iscte, o angolano Adolfo Caiji Cabeia.

«A metodologia parte da realidade local e procura responder a necessidades concretas, de forma realista e aplicável», afirma o Associate Dean da Escola de Gestão do Iscte. «Focamo-nos em setores críticos, como o agroalimentar, que além de representar uma oportunidade económica, tem um impacto direto na segurança alimentar das comunidades», explica Renato Pereira. «O objectivo não é apenas criar negócios, mas fundamentalmente construir respostas enraizadas nos territórios, uma vez que a sustentabilidade de qualquer iniciativa, sobretudo nestes contextos, depende da sua capacidade de mobilizar e empoderar as comunidades locais e de gerar confiança».

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Outra parte essencial deste projecto é a sua articulação com instituições locais. Destaca-se a parceria do governo provincial da Lunda-Norte, do Instituto Nacional de Apoio às PME (INAPEM), da Universidade Lueji A’Nkonde e de órgãos de comunicação social daquela região angolana. «Sem envolvimento institucional e comunitário, não há transformação real», afirma Renato Pereira. «Estes jovens não serão apenas microempreendedores: podem vir a ser líderes locais, mentores e referências para os que virão a seguir».

Com financiamento próprio da Iscte Business School, no contexto do orçamento das iniciativas estratégicas da Escola, e o patrocínio de alguns dos parceiros angolanos, o projecto prepara agora uma segunda fase: reforçar o acompanhamento dos projetos com maior potencial e criar pontos de apoio dentro das comunidades. A abordagem já começou a gerar reconhecimento internacional. A Global Business School Network (GBSN) demonstrou interesse em que esta iniciativa se integre numa comunidade de impacto mais alargada com outros parceiros internacionais interessados na mesma problemática, o que poderá aumentar significativamente a escala do projecto e abrir novas oportunidades em termosde financiamento, além de permitir a replicação do modelo noutras regiões de África e fora do continente.

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