
Mais de 70% das empresas de Finanças & Imobiliário não encontram talento
O sector das Finanças e Imobiliário está a atravessar uma profunda transformação. Para analisar o tema, o ManpowerGroup lança um novo estudo de Global Insights, que identifica as principais tendências que estão a definir o presente e o futuro do trabalho no sector .
São elas:
1. Escassez de talento: um desafio chave para o desenvolvimento do sector
Com a evolução tecnológica e as mudanças na regulamentação a impactarem o sector das Finanças e Imobiliário, aumenta a procura por talento qualificado, nomeadamente de profissionais com competências de transformação digital, cibersegurança, compliance, e data analytics, cada vez mais necessários para permitir às organizações operar em ambientes financeiros complexos e impulsionar a inovação.
Este talento especializado qualificado é escasso e muito solicitado. De facto, os empregadores terão de competir com empresas de outros sectores, que também estão a ampliar as suas iniciativas de transformação digital e procuram os mesmos perfis de qualificações. Assim, o estudo revela que 72% das empresas de finanças e imobiliário antecipam que irão continuar a ter dificuldades em encontrar o talento de que necessitam.
2. Impacto da IA no sector financeiro
A IA está a ser rapidamente integrada nas operações financeiras, sendo adoptada para aperfeiçoar operações, optimizar o atendimento ao cliente e reforçar a gestão de riscos das instituições.
De acordo com o estudo, em 2024, mais de metade (54%) dos empregadores deste sector, a nível mundial, revelaram recorrer a ferramentas empresariais de IA conversacional, um aumento de 26% face ao registado em 2023. No entanto, esta transição traz também alguns desafios, nomeadamente a privacidade e regulamentação (36%), os elevados custos de investimento (35%) e a falta de competências em IA (30%).
Face a este cenário, será essencial reduzir a actual escassez de competências de IA, cujo impacto na produtividade dos trabalhadores pode chegar aos 40%, segundo dados do MIT. O investimento na capacitação será, por isso, uma importante estratégia para responder à escassez de talento e reduzir o pessimismo dos trabalhadores quanto aos impactos desta tecnologia no futuro do trabalho.
3. A aposta na Experiência do Cliente (CX)
O sector financeiro é uma área onde o consumidor é cada vez mais digital e mobile first, com 57% dos utilizadores a utilizar activamente o telemóvel para gerir os seus serviços bancários em 2023, segundo dados referidos no estudo. O nível de exigência na experiência de consumo está igualmente a aumentar, com a procura de mais personalização e omnicanalidade, sendo que 60% dos clientes deste sector estão mesmo dispostos a partilhar uma grande quantidade de dados para obter serviços mais rápidos e simples.
Face a esta realidade, as empresas financeiras estão a aumentar os seus investimentos em inovação, como forma de melhorar a Experiência do Cliente (CX), recorrendo, cada vez mais, à IA e a Big Data para antecipar as necessidades dos clientes.
Esta aposta apresenta desafios para os empregadores, já que a inovação em CX depende uma força de trabalho criativa e qualificada, que possa conceber, testar e lançar continuamente iniciativas para melhorar a experiência do cliente. Este é um perfil de talento escasso e muito solicitado por diferentes sectores. De facto, o estudo revela que, no sector financeiro, os perfis com competências em tecnologias de informação e data são os mais difíceis de recrutar, seguindo-se os profissionais com valências em vendas, marketing e gestão da relação com o cliente.
4. Externalização e offshoring como forma de potenciar eficiências
A crescente aposta na externalização e offshoring nos serviços financeiros tem permitido às empresas do sector aceder a talento qualificado em mercados diversificados, apostando em localizações no estrangeiro que oferecem vantagens competitivas em termos de custos laborais e especialização. Este movimento oferece às organizações financeira a possibilidade de simplificar operações, melhorar a entrega de serviços e focar-se nas suas competências-chave, num contexto de mercado desafiante.
Importa, ainda assim, avançar com a contratação global de talento de forma prudente, e com parceiros que cumpram as regulamentações em vigor nos diferentes mercados, pois esta actuação está a ser alvo de crescente escrutínio regulamentar.
Ao mesmo tempo, a necessidade de gerir riscos geopolíticos globais e as perturbações nas cadeias de abastecimento está também a impulsionar um movimento de aproximação aos mercados locais neste sector, o que irá necessariamente impactar as estratégias de atracção de talento destas organizações.
5. O impacto do Return to Office (RTO) no imobiliário comercial
O sector imobiliário comercial está a recuperar, impulsionado pela evolução nas taxas de juro e pela crescente adesão a modelos de trabalho híbridos, que combinam operações remotas e no escritório.
Dados da KPMG indicam que a maioria dos CEO (83%) espera um regresso total aos escritórios nos próximos três anos, um aumento significativo face a 2023, quando apenas 64% previam essa tendência. Não obstante, e embora o equilíbrio actual de poderes favoreça os empregadores, este movimento deve ser gerido com precaução, pois mais de um terço dos trabalhadores de todos os sectores a afirmam ter intenção de mudar de emprego nos próximos seis meses, segundo o Global Talent Barometer, do ManpowerGroup.
Nesse sentido, é importante que os empregadores vejam este movimento de regresso aos escritórios como uma oportunidade para repensarem os espaços de trabalho, com intencionalidade e foco na interacção, na colaboração e na produtividade.
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