
Sete formas de arruinar uma entrevista de emprego em 10 segundos (baseadas em casos reais)
As entrevistas de emprego são a oportunidade de um candidato brilhar e conseguir o emprego perfeito, mas bastam apenas alguns segundos para a transformar numa oportunidade perdida. A Brightside partilha uma análise de erros comuns que podem fazer com que seja reprovado numa entrevista rapidamente.
Aprenda com estas histórias reais e evite estas armadilhas para ter a melhor hipótese de sucesso.
Falar demasiado
Pode pensar que impressionará o entrevistador contando cada detalhe da sua experiência, mas se não conseguir parar de falar, rapidamente perderá a sua atenção ou simplesmente irritá-lo-á. As entrevistas são uma conversa, não um monólogo.
«Estava a entrevistar um candidato para uma vaga muito boa em engenharia de software. Passou a primeira ronda, e tanto eu como todos os envolvidos na segunda ronda gostámos do seu currículo e da sua experiência. No papel, tinha tudo o que procurávamos. Iniciou entrevista dizendo: “Deixem-me contar-vos um pouco sobre mim”. Dissemos: “Ok, vá em frente”. Começou a falar sobre o seu percurso pessoal e profissional. Passados cerca de três minutos, interrompi para fazer uma pergunta, baseada em algo que ele referiu, ao que ele respondeu: “Já respondo, dê-me só um momento”, e continuou a falar. Uma colega fez o mesmo e ele disse-lhe a mesma coisa. Tentei terminar a conversa educadamente várias vezes, mas ele não conseguiu perceber a dica e continuou a falar. Entretanto, fez uma pergunta sobre a equipa e, enquanto eu respondia, levantou o dedo e interrompeu para falar mais sobre o seu percurso. De seguida, fez outra pergunta, à qual a minha colega começou a responder, mas, novamente, ele interrompeu-a para falar sobre si. Nessa altura, eu disse: “Entrou nesta sala com 99% de hipóteses de conseguir o emprego. Agora, essa hipótese é zero. A única razão é porque, em menos de quinze minutos, demonstrou que não tem capacidade para ouvir. Por isso, estou a dizer-lhe agora: não vai conseguir a vaga.»
Fazer piadas inapropriadas
Pensa que está a ser inteligente ou engraçado, ou só quer aliviar a tensão. Em vez disso, acaba por soar estranho. Um comentário aparentemente inocente pode sair pela culatra e prejudicar totalmente as suas hipóteses de conseguir o emprego. Por isso, antes de falar, pare um segundo para pensar: “Isto vai fazer-me parecer um génio… ou um idiota?”
«Fiz uma entrevista num banco. Estava a correr na perfeição, apesar do meu nervosismo, e provavelmente tinha hipóteses. Depois, como pergunta final, o entrevistador perguntou-me: “Por que devemos contratá-lo?” E eu, sem hesitar, respondi: “Porque provavelmente não vos vou roubar o dinheiro!”. Não fui contratado.»
Trazer outra pessoa
Aparecer para uma entrevista com um amigo ou familiar é um grande sinal de alerta. Pode sinalizar falta de profissionalismo e independência.
«Fui buscá-los à recepção e a mãe dele também começou a andar. — “Não tem de vir, só precisamos de falar com ele.” — “Preciso de garantir que ele consegue essa vaga.” — “Pois, isto não vai resultar. Tenham um bom dia.»
«Tinha uma entrevista marcada para uma segunda-feira de manhã com uma mulher que o departamento de RH conheceu numa feira de emprego. A minha colaboradora avisou-me que a entrevistada estava à espera no átrio… Fui cumprimentá-la… era um homem. O marido tinha vindo fazer a entrevista por ela. Obviamente, não os contratei.»
«Um candidato chegou 15 minutos atrasado. Abriu a porta e ficou uns minutos parado. Fiquei a pensar no que se passava até que entrou uma mulher mais velha. Fechou a porta e levantei-me para o cumprimentar. Apresentou-se e, de seguida, apresentou a mulher mais velha como a mãe. Antes que eu pudesse prosseguir, perguntou logo se a mãe o podia acompanhar ao escritório, uma vez que eram muito próximos, e também se podia ter as quartas e quintas-feiras de folga, uma vez que eram “dias de jogar com os amigos”…. Nem sequer abri a boca, simplesmente dirigi-me à porta e mostrei-lhes a saída.»
Excesso de confiança
A confiança é importante, mas ser excessivamente confiante pode fazer com que pareça arrogante, o que não ajudará a conquistar o entrevistador.
«No final da entrevista, que até então correu bem, o candidato começa a perguntar sobre os colegas com quem iria trabalhar, algo bastante normal na construção civil. Depois, do nada, perguntou quem era o homem mais forte da equipa. Não percebi bem, então pedi para explicar melhor. Disse que gosta de ser conhecido como o tipo mais forte ou mais duro do estaleiro de construção. Pois, não, obrigado, dispenso este tipo de situações.»
«Disse-me que estava no cargo actual há apenas 7 meses, mas era a melhor do departamento. Disse que realizava o seu trabalho mais rapidamente do que todos os outros e sabia tudo o que há para saber. O seu currículo também afirmava ser “atenta ao detalhe”, o que achei estranho e curioso, pois local de trabalho actual estava mal escrito nesse documento.»
Esquecer para que cargo está a ser entrevistado
Se se esquecer do cargo para o qual se candidatou ou der uma resposta que demonstre que não compreende totalmente o trabalho, é um sinal claro de que não se preparou adequadamente.
«Estava a avaliar candidatos para uma vaga de professor na escola primária. Quando questionada sobre o que a tinha levado a candidatar-se, a senhora disse que estava a tentar sair da carreira de professora porque as crianças são muito rudes e difíceis de lidar hoje em dia. Tive de a lembrar que não só se tinha candidatado para uma vaga de professor, como também para uma escola especializada no apoio a alunos com necessidades educativas especiais.»
«Estava a contratar alguém com competências em desenvolvimento web. Pedi a um candidato que me falasse de um episódio em que tenha encontrado um erro crítico e como o corrigiu. A resposta: “Bem, estava no nosso site e reparei que algumas informações estavam desactualizadas, por isso disse à equipa de desenvolvimento web que precisávamos de actualizar este erro”.»
Não respeitar o processo de entrevista
Não seguir a etiqueta básica de entrevista, como chegar atrasado, vestir-se inadequadamente ou não reconhecer com quem e como se está a falar, pode criar uma impressão negativa. Estas acções, mesmo que não intencionais, demonstram falta de profissionalismo e podem prejudicar as suas hipóteses, independentemente das competências.
«Havia uma vaga de management aberta, e um candidato qualificado chegou a horas e estava bem vestido. A meio da entrevista, pude sentir que estava convencido que tinha conseguido o emprego. A sua linguagem corporal começou a mudar e relaxou, afastando-se da mesa e esticando os braços, até que finalmente se alongou completamente e bocejou. De repente, pôs-se a encomendar uma pizza para o jantar. Apertei-lhe a mão e nunca mais falámos.»
«O rapaz que entrevistámos para uma vaga de administração na empresa passou uma hora inteira a fazer perguntas, de modo que era impossível fazê-lo falar sobre si próprio sem ser rude. Dominou completamente a conversa. Passou metade do tempo a dizer-nos que era de Silicon Valley e não estava habituado a ter de fazer entrevistas para uma vaga, e que, recebia uma oferta no segundo em que se colocava no mercado. Estávamos em Brisbane, na Austrália… um mercado completamente diferente. Não controle a entrevista, utilize exemplos rápidos e descritivos para responder às questões e não demonstre que está acima do processo.»
«Liguei a alguém para uma triagem telefónica. Estava a fazer perguntas técnicas, geralmente fáceis, para ver se ela se qualificava para passar para a próxima etapa. Ela sussurrava todas as respostas, e mal conseguia ouvi-la. Pedi-lhe que falasse mais alto, e ela disse que não podia porque estava numa reunião no trabalho. Foi aí que percebi que a voz que ouvia ao fundo não era de uma TV, mas sim de uma pessoa a falar.»
«Um entrevistado literalmente encaminhava as nossas perguntas para o ChatGPT e depois recitava respostas confusas que forneciam definições de palavras-chave nas nossas perguntas, em vez de as responder realmente. Por exemplo, perguntávamos: “Que reconhecimento teve por parte de um empregador?” e respondia: “Exemplos de coisas pelas quais um empregador pode reconhecer um trabalhador são…”»
Dizer mal do emprego anterior
Falar negativamente sobre o seu antigo empregador, colegas ou emprego em geral pode fazer com que pareça pouco profissional. Mesmo que tenha tido uma má experiência, focar-se nos aspectos negativos reflecte negativamente na sua atitude e nas suas capacidades de resolução de problemas. Os empregadores querem ver que consegue lidar com os desafios com elegância e manter o optimismo, mesmo em situações difíceis.
«Entrevistei uma mulher, que contou que teve um problema com uma antiga colega de trabalho e, no final, disse que a colega faleceu de cancro. É claro que disse “Oh, lamento imenso” ou algo do género, e ela respondeu “Ela teve o que merecia”.»