Klépierre. Capacitar talentos: Um projecto de empregabilidade e inclusão

O Parque Nascente lançou em Portugal a primeira edição da Klépierre Academy, dedicada à formação e inclusão profissional de pessoas com dificuldades intelectuais e de desenvolvimento.

A Klépierre, proprietária do Parque Nascente, lançou em Portugal a primeira edição da Klépierre Academy, uma iniciativa internacional dedicada à formação e inclusão profissional de pessoas com dificuldades intelectuais e de desenvolvimento. Com um programa de várias semanas, que combina competências pessoais, literacia digital e experiência prática no retalho, o projecto visa dotar os participantes de autonomia, confiança e ferramentas concretas para o mercado de trabalho. Em entrevista à Human Resources, Joana Rocha, directora do Parque Nascente, explica a génese da iniciativa, a colaboração com a associação VilacomVida e os objectivos de impacto social, profissional e comunitário da Academy.

 

O que levou a Klépierre a lançar a primeira edição da Klépierre Academy em Portugal e qual é a ambição central deste projecto?
A Klépierre Academy é uma iniciativa internacional que procura reforçar a empregabilidade e a integração de pessoas com dificuldades intelectuais e de desenvolvimento. Em Portugal, começou com um piloto no Parque Nascente, em parceria com a associação VilacomVida, envolvendo 18 formandos. Ao longo de várias semanas, frequentam módulos de competências pessoais e sociais, gestão da vida quotidiana e financeira, mobilidade, cidadania, saúde, segurança no trabalho, literacia digital e empregabilidade.

O objectivo é contribuir de forma prática para a integração destes participantes na vida activa. O contacto próximo com dezenas de retalhistas permite-nos conhecer as necessidades das lojas e adequar a formação aos perfis mais procurados, aumentando as hipóteses reais de colocação. Acreditamos que esta parceria com a VilacomVida, aliada ao know-how da Klépierre no retalho, cria as condições para que esta primeira edição seja um caso de sucesso em Portugal.

 

Este programa resulta de uma adaptação de um modelo que já está implementado em Espanha. Que aprendizagens retiraram dessa experiência internacional e de que forma foram aplicadas ao contexto português?
A Klépierre Academy já tinha sido lançada em Espanha, em Madrid, com resultados muito positivos, mostrando que uma formação estruturada e alinhada com o mercado de trabalho pode ter impacto directo na integração profissional. Cada país, no entanto, tem as suas especificidades. Em Espanha, o foco esteve sobretudo na preparação para entrevistas, uma das maiores dificuldades dos participantes.

Em Portugal, a experiência foi adaptada às necessidades locais e ao know- -how da VilacomVida, dando maior relevância a áreas como a gestão da vida quotidiana e financeira, a mobilidade urbana e a literacia digital, que reforçam a autonomia e a preparação para o mercado nacional. A ideia é aproveitar as boas práticas internacionais, mas sempre ajustando a realidade local, porque esse equilíbrio é visto como essencial para o sucesso do projecto.

 

A parceria com a VilacomVida é central nesta iniciativa. Como surgiu esta colaboração e que papel terá a associação ao longo do processo formativo?
A VilacomVida é um parceiro central nesta primeira edição, pela sua experiência na capacitação de pessoas com dificuldades intelectuais e de desenvolvimento. Desde o início esteve envolvida em todas as etapas: apoiou a concepção, avaliou candidaturas, seleccionou os 18 participantes e será responsável pela dinamização das formações, assegurando a qualidade pedagógica e a adequação dos conteúdos.

O Parque Nascente contribui com inputs ligados ao retalho, mas a componente formativa fica a cargo de quem tem know-how no terreno. Destaco ainda o apoio de parceiros como a ACIP, que preparou materiais personalizados, reforçando a consistência do projecto e o seu impacto na vida dos formandos.

 

O curso abrange áreas muito diversas, desde competências pessoais até literacia digital. Como foi desenhado o plano curricular e quais foram os critérios para definir os conteúdos?
O plano curricular foi concebido para reforçar a autonomia e a empregabilidade dos participantes, cobrindo desde competências pessoais até literacia digital. Resultou de um trabalho conjunto: a VilacomVida trouxe a visão pedagógica e o Parque Nascente acrescentou contributos ligados ao retalho e às competências mais procuradas pelas lojas. Esta combinação permitiu definir módulos que respondem às necessidades reais do mercado e asseguram que os formandos adquirem competências relevantes para a sua integração profissional.

 

A empregabilidade é o objectivo principal do projecto. Que mecanismos estão a ser criados para que os formandos consigam uma colocação profissional no final do programa?
Mais do que garantir uma colocação imediata, o objectivo é dotar os formandos de ferramentas e confiança para construírem um percurso profissional a longo prazo, mostrando que são capazes de assumir responsabilidades apesar das suas limitações intelectuais.

Ainda assim, o projecto prevê oportunidades concretas, nomeadamente através de uma feira de emprego no Parque Nascente, que reunirá empresas interessadas em integrar esta iniciativa. Assim, combinamos dois objectivos: preparar os participantes para futuros desafios e, em paralelo, facilitar o primeiro passo no mercado de trabalho, em parceria com marcas que valorizam a inclusão.

 

O envolvimento de grandes marcas retalhistas é um dos pontos fortes da Klépierre Academy. De que forma as empresas aderiram a este desafio e que compromissos assumem com os formandos?
A adesão das empresas tem sido muito positiva. Vários retalhistas reagiram rapidamente ao convite para participar na Klépierre Academy e em marcar presença na feira de emprego. Foi muito gratificante ver que reconheceram a importância de participar no projecto e apoiar a inclusão e a formação de novos talentos. Neste momento, ainda não podemos divulgar a lista completa de marcas presentes, pois estamos a ultimar alguns detalhes e a confirmar a participação de todos os parceiros. Mas posso partilhar que foi com muito entusiasmo que tivemos abertura do McDonald’s para uma visita guiada à loja do Parque Nascente, onde os formandos vão ter a oportunidade de conhecer algumas das pessoas que ali trabalham e o seu dia-a-dia, e também a confirmação dos cinemas NOS com a oportunidade de visitar o backstage das salas do nosso centro comercial.

O que nos importa destacar é que, com este envolvimento, conseguimos criar oportunidades concretas de contacto com o mercado de trabalho para os formandos, permitindo-lhes explorar caminhos profissionais em diferentes áreas do retalho. Esta colaboração é fundamental para transformar a formação em oportunidades de inserção profissional.

 

O programa decorre num centro comercial. Qual é a importância de aproximar o espaço físico de consumo e lazer a um papel activo na formação e inclusão profissional? Os centros comerciais deixaram de ser apenas espaços de consumo e são hoje locais de encontro e convivência, que acolhem diferentes experiências e respondem às múltiplas necessidades dos visitantes, incluindo compras, bem-estar, cultura, desporto ou trabalho remoto. Este posicionamento acompanha as tendências e reforça a atractividade dos centros comerciais para consumidores, marcas e investidores.

Com a Klépierre Academy, o Parque Nascente assume também um papel activo na capacitação e inclusão profissional, mostrando que é possível abrir portas para a integração no mercado de trabalho, independentemente das dificuldades de cada pessoa.

 

Além do impacto imediato nos participantes, que efeitos esperam gerar no ecossistema do Parque Nascente e na comunidade local?
Para além do impacto nos participantes, a Klépierre Academy reforça a ligação entre o Parque Nascente e a comunidade, mostrando que espaços de consumo podem também ser espaços de aprendizagem e inclusão. O projecto destaca o papel do centro comercial no desenvolvimento humano e social e pode inspirar outras organizações a adoptarem práticas semelhantes. Queremos que todos sintam orgulho no projecto e se sintam motivados a apoiar iniciativas deste tipo.

 

O projecto está inserido no pilar Growing People do programa Act4Good. Como se articula esta iniciativa com a estratégia mais ampla de responsabilidade social da Klépierre?
O Act4Good é o programa de responsabilidade social da Klépierre, com quatro pilares: Achieving Net Zero, Servicing Communities, Growing People e Promoting Sustainable Lifestyles. A Klépierre Academy insere-se no pilar Growing People, focando-se na capacitação e empregabilidade de grupos com maiores dificuldades de integração. No Parque Nascente, o projecto oferece formação prática e acompanhamento personalizado, reforçando o impacto positivo nas comunidades e a promoção de uma sociedade mais inclusiva.

 

A integração no mercado de trabalho de pessoas com dificuldades intelectuais e de desenvolvimento continua a ser um desafio em Portugal. Que contributo concreto acredita que a Klépierre Academy pode trazer para mudar este cenário?
O foco da Klépierre Academy é apoiar o sucesso dos 18 participantes da primeira edição em Portugal, oferecendo formação de qualidade, competências e confiança para enfrentar o mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, o projecto pretende inspirar outras empresas a desenvolver iniciativas semelhantes, promovendo uma sociedade mais inclusiva. O sucesso será medido pela capacidade de capacitar os participantes e mostrar que podem alcançar os seus objectivos e construir um futuro promissor.

 

O curso tem um período definido de pouco mais de um mês. Está prevista a continuidade do projecto ou mesmo a sua expansão para outros centros comerciais em Portugal?
O projecto tem potencial para continuar e, no futuro, expandir-se para outros centros comerciais da Klépierre em Portugal. Nesta primeira edição, é importante acompanhar de perto a iniciativa, avaliar o que funciona e retirar aprendizagens para aperfeiçoar o programa. Por agora, está prevista apenas a primeira edição em 2025, e detalhes sobre futuras edições serão divulgados oportunamente.

 

Que mensagem gostaria de deixar às empresas e à sociedade em geral sobre a importância de apostar na formação e empregabilidade inclusiva?
Gostaríamos de reforçar a importância de investir na formação e empregabilidade inclusiva. Todos têm potencial para contribuir para a sociedade e para o mercado de trabalho, e projectos como a Klépierre Academy mostram que, com apoio adequado, é possível capacitar pessoas, aumentar a sua confiança e criar oportunidades reais de integração profissional. Esperamos que esta iniciativa sirva de exemplo para outras empresas, demonstrando que a inclusão é também uma oportunidade para desenvolver talentos e construir uma sociedade mais justa.

 

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Academias de Formação” que foi publicado na edição de Setembro (nº. 177) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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