Oito em cada 10 colaboradores acreditam que a IA vai criar novos empregos. Mas menos de metade se considera preparado

Margarida Lopes
17 de Outubro 2025 | 10:10
Oito em cada 10 colaboradores acreditam que a IA vai criar novos empregos. Mas menos de metade se considera preparado

A sexta edição do relatório anual Global Workforce of the Future do Grupo Adecco, que tem o título «Humanity at work: How to thrive in the AI era», mostra que embora 76% dos colaboradores acreditem que a IA criará novos empregos e 70% antecipem uma reconfiguração dos actuais, 23% temem perder o emprego e procuram garantias.

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O estudo revela que mais de três quartos dos trabalhadores dizem que a IA lhes permite realizar tarefas anteriormente inacessíveis, e quase o mesmo número refere que a tecnologia já alterou, ou está prestes a alterar, as competências e actividades exigidas nas suas funções.

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Com base nas respostas de 37.500 trabalhadores em 31 países e 21 sectores, o relatório revela que, à medida que as ferramentas de IA ganham terreno, os profissionais afirmam estar a poupar, em média, duas horas por dia. No entanto, esta percepção de ganhos de produtividade não corresponde à realidade de muitas organizações.

Entre as principais conclusões, o estudo indica que os trabalhadores identificam a IA como a maior força de transformação no local de trabalho em 2025, ultrapassando a incerteza económica e o trabalho flexível. A confiança na utilização de IA também aumentou de forma expressiva, 71% dos inquiridos afirmam não haver nada que os impeça de usar estas ferramentas, um crescimento significativo face aos 19% registados em 2024.

Os trabalhadores que compreendem o impacto da IA nas suas funções — e como o seu trabalho se liga à estratégia da empresa — têm maior propensão a manter-se na organização, mesmo quando as preocupações com a privacidade aumentam para 44%.

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Em 2025, 37% dos trabalhadores consideram-se “future-ready”, mais do triplo dos 11% registados no ano anterior. O estudo destaca ainda que os trabalhadores considerados “future-ready”, aqueles que estão a atualizar as suas competências e a adaptar-se às novas tecnologias, beneficiam de maior clareza nos objectivos e de um apoio estruturado ao desenvolvimento da carreira.

O relatório sublinha ainda que, apesar do tempo poupado com a IA, um terço dos trabalhadores continua a ocupá-lo com tarefas rotineiras ou pouco significativas. Para transformar essa eficiência em motivação e envolvimento, as empresas devem ajudar os colaboradores a avaliar o impacto do seu trabalho e a direccionar-se para funções de maior valor acrescentado.

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O estudo demonstra que ter um propósito claro é um factor determinante na fidelização de talento. Entre os que sentem que o seu trabalho tem um sentido claro e está alinhado com a estratégia da empresa, 99% planeiam manter-se na organização nos próximos 12 meses, em contraste com os 53% que nunca sentem esse alinhamento.

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O desenvolvimento de carreira ganha igualmente peso: um em cada três profissionais manter-se-ia na empresa se tivesse oportunidades claras de progressão, face aos 22% registados no ano anterior.

Apesar da abertura à IA em tarefas automáticas e de formação, os trabalhadores continuam a preferir decisões de carreira tomadas por pessoas. O estudo revela que líderes e gestores estão mais confortáveis com agentes de IA do que os profissionais em início de carreira, o que reforça a importância de comunicação transparente e directrizes éticas claras.

Os profissionais preparados para o futuro, que compreendem o seu impacto e assumem a responsabilidade pelo seu desenvolvimento, demonstram maior confiança na IA — o que reforça que clareza e envolvimento são essenciais para gerar confiança.

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