Há uma geração em particular que anda a criticar os seus empregadores online

Segundo um novo relatório da Owl Labs, quase metade da Geração Z admitiu queixar-se online dos seus empregos ou empregadores, revela a Newsweek.

A taxa de jovens da Geração Z a criticar as suas empresas online foi consideravelmente superior à dos restantes colaboradores. Enquanto 34% de todos os trabalhadores norte-americanos publicaram comentários negativos sobre os seus empregos nas redes sociais, 48% dos colaboradores da Geração Z afirmam ter criticado os seus empregadores online.

As publicações negativas incluem comentários no Instagram ou no TikTok, gravações de conversas no ambiente de trabalho ou publicações anónimas na Glassdoor.

«O que estamos a ver é uma geração que se recusa a tolerar as mesmas injustiças no local de trabalho que as gerações anteriores», explicou o consultor de RH Bryan Driscoll à Newsweek. «Será que alguns trabalhadores estão somente a ser sarcásticos e a demonstrar insatisfação com os seus empregos? Claro que sim. Mas, no geral, estas manifestções não são por ingratidão ou por se sentirem privilegiados, demonstram consciência.»

As queixas surgem numa altura em que cada vez mais empresasestão a exigir trabalho presencial e a reduzir os modelos remoto ou híbrido.

No relatório, no ano passado 62% dos colaboradores trabalhavam no escritório, em comparação com 27% que tinham um modelo híbrido e 11% que estavam totalmente em modo remoto. Um quarto dos colaboradores afirmou ainda que as suas empresas alteraram as suas políticas de trabalho híbrido e remoto apenas no último ano.

Mas para a Geração Z, que cresceu na era das redes sociais, publicar comentários negativos online sobre os seus empregadores pode, na verdade, expor práticas ultrapassadas e desigualdades, disse Driscoll. «Esta geração não sente necessidade de se submeter a práticas questionáveis ​​só porque sempre foi assim. Reconhecem o seu valor e, se o empregador não o reconhecer, não o tolerarão em silêncio.»

Para as empresas que hesitam em contratar a Geração Z com base nestes factores, Driscoll sugere em vez disso tentarem compreender porque é que os colaboradores estão a expressar as suas queixas, em vez de simplesmente tentarem silenciá-los.

«Se os empregadores querem lealdade, têm de a conquistar, não tomá-la por garantida. Esta mudança deve servir de alerta. Não podem continuar a promover os mesmos ambientes tóxicos de sempre e esperar que a Geração Z se mantenha em silêncio. Os empregadores que se recusarem a mudar enfrentarão um grave problema de retenção de talentos e danos de reputação.»

Alex Beene, formador de literacia financeira na Universidade do Tennessee, afirmou que a Geração Z não está sozinha a fazer comentários negativos sobre os seus empregadores online. Aproximadamente um terço dos trabalhadores no geral admitiu esta prática, e as críticas no local de trabalho tornaram-se cada vez mais comuns, acrescentou Beene.

«É o resultado de estes espaços online se tornarem mais uma extensão das nossas conversas quotidianas do que canais digitais separados para publicar conteúdo profissional», explicou Beene à Newsweek. «A Geração Z, que cresceu com estes serviços virtuais, vê-os como espaços online onde podem ser tão expressivos como seriam a falar com um amigo depois do trabalho.»

Ainda assim, Beene alerta a Geração Z, ou qualquer outro colaborador, para não utilizar as redes sociais como plataforma para discursos inflamados. «Muitos empregadores, e com razão, não gostam de ver as suas empresas serem atacadas online pelos seus próprios colaboradores. Tem certamente o direito de dizer o que quiser online, mas se isso lhe pode custar o emprego deve reflectir antes.»

Ler Mais