A Inteligência Artificial e o mercado de trabalho: uma transformação que começa nas pessoas

 Por Tiago Santos, head of Innovation and Transformation na Concentrix Portugal

 

Vivemos um momento singular na história do mercado de trabalho. A Inteligência Artificial (IA), em especial as suas ferramentas generativas, deixaram de ser uma promessa distante e tornaram-se uma realidade presente em praticamente todas as actividades empresariais. Muitos profissionais questionam-se: “Será que o meu emprego está seguro?” e fazem a pergunta com legítima preocupação. Mas acredito que estamos a abordar a questão da forma errada.

Primeiro, é essencial reconhecer que a IA não é uma entidade “mágica” que simplesmente substitui humanos. Ela funciona quando nós a treinamos, contextualizamos e supervisionamos, ou seja, só “aprende” aquilo que nós ensinamos e validamos. Por mais poderosa que uma ferramenta seja, ainda depende de intervenção humana para saber o que é relevante, o que é correcto e o que faz sentido num contexto de negócio.

A IA pode automatizar tarefas repetitivas e acelerar processos, mas não substitui o sentido crítico, a empatia, a experiência e a visão estratégica que nós, humanos, conseguimos trazer para o nosso trabalho. Em vez de usarmos a expressão “automação do mercado de trabalho”, deveríamos falar em colaboração entre humanos e IA, pois é uma parceria que faz sentido e que pode potenciar resultados muito positivos.

Quando aplicamos a IA de forma estratégica, não apenas como uma ferramenta isolada, criamos espaço para os colaboradores concentrarem-se em trabalhos que requerem uma maior atenção: resolução de problemas complexos, cuidado com o cliente, criatividade e inovação. Isto exige uma mudança fundamental: deixando ser se, em alguns casos, meros executores de tarefas, os colaboradores passarão a ser gestores de inteligência humana + artificial.

A verdade é que o mercado de trabalho vai transformar-se, não desaparecer. Novos papéis vão emergir, exigindo competências diferentes. As empresas e profissionais que conseguirem adaptar-se continuamente e adoptarem uma mentalidade de crescimento serão os que mais prosperarão no futuro.

Portanto, a pergunta “Os nossos empregos estão seguros?” talvez devesse ser reformulada para: “Estamos preparados para evoluir com o trabalho que a IA nos permite fazer?” A resposta depende de nós e acredito que sim, estamos preparados. A oportunidade está aqui, o futuro é de quem o constrói, não de quem o teme.

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