CEO e presidentes de Câmara deram aulas em escolas em zonas mais desfavorecidos do país

Margarida Lopes
10 de Fevereiro 2026 | 16:40

A iniciativa «Professor por um dia», promovida pela Teach For Portugal, desafiou líderes empresariais e autárquicos a vestir a camisola de professores, com turmas de segundo e terceiro ciclo em escolas de contextos desfavorecidos.

O objectivo é o de valorizar o trabalho dos professores, que desempenham o papel mais essencial na mobilidade social e no futuro do país. Além disso, aproxima o setor privado e as autarquias da realidade escolar, mostrando o impacto que uma educação excelente pode ter na vida dos jovens. Especialmente em contextos de maior vulnerabilidade.

Perguntas dos alunos como “como posso ser presidente da Câmara?”, “o que acha melhor fazer: poupar ou investir?” ou “Que conselho dá a quem quer ser empresário?” ajudaram a criar conexão com os temas das aulas: Literacia Financeira, Empreendedorismo e Objectivos de Desenvolvimento Sustentável. Os alunos foram desafiados a gerir o dinheiro que ganham, pensar em soluções para problemas da escola ou imaginar um país ideal.

Os alunos reflectiram sobre os desafios identificados e, mais do que isso, pensaram em soluções práticas. Identificaram desafios como o desrespeito entre colegas ou a falta de materiais essenciais e muitos alunos expressaram a intenção de levar suas ideias à Assembleia de Alunos. Em muitas destas aulas, o próprio director da escola esteve presente, ouvindo em primeira mão as sugestões dos alunos. Essa interacção desenvolve a voz dos alunos, fortalece o sentido de pertença e a compreensão de que a mudança começa com a acção.

Para Paulo Azevedo, da Fundação Belmiro de Azevedo, foi surpreendente perceber “a preocupação dos alunos com o futuro”. Focou a sua mensagem na esperança, demonstrando como a humanidade tem vindo a conseguir superar os desafios que enfrenta.

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Inês Gouveia, da Fundação Santander, considera que esta experiência lhe trouxe uma nova perspectiva sobre o papel do professor: «Vi como é mesmo difícil controlar os tempos, criar um ambiente seguro e propiciar um ambiente de reflexão aos alunos. É preciso uma grande empatia e é preciso treiná-la todos os dias». A experiência prática permite que líderes empresariais e municipais compreendam melhor os desafios que os educadores enfrentam no dia a dia e contribuam para soluções mais eficazes.

O valor desta iniciativa vai além dos conteúdos. Serve para construir pontes entre os diferentes setores da sociedade. Serve para consciencializar os líderes sobre a necessidade de um envolvimento mais próximo com a educação. Serve para garantir que contextos que raramente se cruzam possam trocar experiências e aprendizagens. “Eu não gostei, eu adorei. Esta experiência só se tem uma vez na vida”, disse um aluno no final da aula com Artur Santos Silva (Fundação “la caixa”).

A experiência do Salvador de Mello é um exemplo de como se pode pensar a estrutura para uma maior relevância na aprendizagem dos alunos. Quando começou a planear a aula, a preocupação era clara: não queria ser mais um adulto a transferir conhecimentos de forma vertical. Em vez disso, queria que os alunos se questionassem sobre o poder de transformar ideias em ação e como isso tem o poder de mudar a vida das pessoas.

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A importância das relações na aprendizagem também foi evidente. «O que realmente ultrapassou todas as minhas expectativas foi o grau de intimidade que tanto a professora como a Mentora TFP tinham com os alunos. Uma relação muito próxima que é um contributo muito grande para o crescimento deles e para a forma como encaram a vida», salientou Carlos Moreira da Silva, da Teak Capital.

Nuno Piteira Lopes, presidente da Câmara Municipal de Cascais, sublinhou a relevância de envolver a comunidade local nas questões educativas. Para ele, iniciativas como a do «Professor por um dia» são essenciais para construir uma educação mais equitativa e consciente das necessidades da sociedade.

O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, refere que para ele é importante «conhecer a realidade concreta do dia-a-dia da cidade, e aquilo que se passa nas nossas escolas é muito importante para a vida na cidade no presente e crítico para o futuro da cidade, porque é na escola que se constroem comunidades e cidadão»”. Tal como diz Manuel Vitorino, vice-presidente da Câmara de Viana do Castelo, «a escola é o passaporte para a vida».

Foram 18 os «Professores por um dia»: Artur Santos Silva (Fundação “la Caixa”), Nuno Piteira Lopes (CM Cascais), Paulo Azevedo (Fundação Belmiro Azevedo), Luísa Salgueiro (CM Matosinhos), Isaltino Morais (CM Oeiras), Salvador de Mello (José de Mello), José Pena do Amaral (Fundação “la Caixa”), Nuno Macedo Silva (Grupo RAR), Carlos Moreira da Silva (Teak Capital), Paulo Rosado (Outsystems), Pedro Duarte (CM Porto), Inês Rocha de Gouveia (Fundação Santander), Sara Guerreiro de Sousa (Fundação Movere), Francisco Pedro Balsemão (Grupo Impresa), Eduardo Piedade (Sonae), Paulo Alves (CM Monchique), Manuel Vitorino (CM Viana do Castelo) e Tiago Moreira da Silva (BA Glass).

Cada um deles teve a oportunidade de sentir na pele o impacto que um professor pode ter na vida dos alunos e como a colaboração entre diferentes sectores da sociedade pode fazer toda a diferença.

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