Desafios e prioridades para 2026. Maurício Korbivcher, Great Place to Work: Bem-estar, produtividade e sustentabilidade do negócio como três dimensões críticas

Human Resources
18 de Fevereiro 2026 | 13:20
Desafios e prioridades para 2026. Maurício Korbivcher, Great Place to Work: Bem-estar, produtividade e sustentabilidade do negócio como três dimensões críticas

Maurício Korbivcher, CEO & Country manager do Great Place to Work, faz notar que «a Gestão de Pessoas terá de equilibrar três dimensões críticas: bem-estar, produtividade e sustentabilidade do negócio. O trabalho deixa de ser apenas um “lugar” e passa a integrar o life balance dos colaboradores». 

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O grande desafio da Gestão de Pessoas em 2026 será garantir consistência, confiança e performance, num contexto de instabilidade permanente. Vivemos num cenário em que as crises – epidémicas, climáticas, geopolíticas ou relacionadas com cibersegurança – surgem com maior frequência e menor intervalo entre si, exigindo das organizações uma capacidade contínua de adaptação, sem perder o foco nas pessoas.

O maior risco não é a crise em si, mas a fadiga organizacional que ela provoca. Neste contexto, a Gestão de Pessoas terá de equilibrar três dimensões críticas: bem-estar, produtividade e sustentabilidade do negócio. O trabalho deixa de ser apenas um “lugar” e passa a integrar o life balance dos colaboradores. As empresas que não responderem a esta nova realidade, com culturas fortes, lideranças preparadas e políticas claras, terão dificuldades em atrair, gerar engagement e reter talento.

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Tendência, já realidade, e acções prioritárias
A tendência para a qual empresas e profissionais estão claramente menos preparados é a adopção da inteligência artificial (IA) de forma ética, transparente e responsável, integrada na cultura organizacional e nas competências humanas.

Apesar de muitas organizações já recorrerem à IA, a sua utilização continua, em grande parte, superficial e reactiva, funcionando como um complemento aos processos existentes. O verdadeiro desafio está em capacitar os colaboradores a um ritmo mais rápido do que a própria evolução tecnológica e, simultaneamente, em criar processos verdadeiramente IA-native, onde a tecnologia apoia decisões estratégicas sem substituir o pensamento crítico, a empatia e o julgamento humano.

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Em paralelo, persiste uma lacuna significativa na preparação das lideranças intermédias, essenciais para ligar a estratégia à execução e liderar equipas multidisciplinares, híbridas e em constante transformação, mantendo elevados níveis de confiança, engagement e compromisso.

A Great Place To Work, como qualquer organização, está longe de ser perfeita. Trabalhar diariamente com as melhores empresas para trabalhar traz-nos aprendizagem contínua e a responsabilidade de um exercício permanente de mea culpa e melhoria interna. Para 2026, destacamos três prioridades:

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1. Reforço da capacitação das pessoas. É fundamental garantir equipas altamente capacitadas. Reconhecemos que, tal como acontece no mercado, nem todos os colaboradores se encontram no mesmo nível de maturidade na utilização da IA e de novas ferramentas digitais. Em 2026, o foco será uma capacitação contínua e estruturada, que potencie produtividade, qualidade e criação de valor.

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2. Bem-estar organizacional numa lógica evolutiva e inclusiva. O bem-estar não é estático; evolui com as pessoas e com a organização. O crescimento e a retenção de talento trouxeram maior diversidade geracional e diferentes fases de vida, com necessidades distintas. A prioridade será continuar a adaptar práticas, benefícios e formas de trabalhar, garantindo um ambiente saudável, inclusivo e sustentável.

3. Fortalecimento da liderança e da escuta activa. Culturas fortes exigem líderes preparados e próximos das equipas. Iremos continuar a investir no desenvolvimento das lideranças, reforçando a escuta activa e a capacidade de agir com base no feedback. Acreditamos numa prática simples, mas muito exigente: ouvir, ouvir e ouvir e depois agir, agir e agir.

 

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O trabalho em 2030
Se, em 2020, a pandemia de COVID-19 acelerou tendências ainda embrionárias, 2030 chegará muito mais depressa do que esperamos. A grande diferença no mundo do trabalho será clara: a cultura tornar-se-á o principal factor de competitividade das organizações.

Num contexto em que a tecnologia será amplamente acessível e os modelos de negócio facilmente replicáveis, o verdadeiro diferencial estará no propósito, nos valores vividos, na qualidade da liderança e na forma como as equipas colaboram. O trabalho será cada vez mais orientado para projectos, competências e impacto, e menos para funções rígidas.

Assistiremos também a mais movimentos de fusões e aquisições como estratégia de sobrevivência e crescimento. No entanto, o sucesso dependerá menos da componente financeira e mais da capacidade de integrar culturas, alinhar lideranças e manter equipas comprometidas. Em 2030, as organizações que prosperam serão aquelas que colocaram as pessoas no centro muito antes de isso se tornar uma exigência do mercado.

 

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Este artigo foi publicado na edição de Janeiro (nº. 181) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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