Queremos (ou temos) mesmo trabalhar mais tempo?

Human Resources
24 de Março 2026 | 13:30

A longevidade é uma das grandes transformações silenciosas do mercado de trabalho. Apesar de o tema estar cada vez mais na agenda corporativa (ou, talvez seja mais correcto dizer, nos discursos), será que está a ser activamente trabalhado? E os profissionais, têm vontade de se manter nas empresas mais tempo? Provavelmente até sim, mas não nos mesmos moldes.

Por Ana Leonor Martins | Fotos Nuno Carrancho

 

Durante décadas, os modelos de carreira foram desenhados com base numa lógica linear: entrada no mercado de trabalho relativamente cedo, progressão contínua, muitas vezes sempre na mesma empresa, e reforma por volta dos 60. Mas, à medida que a esperança média de vida aumenta, torna- se inevitável repensar a forma como se estruturam as carreiras e as relações de trabalho ao longo da vida. Estamos, genericamente falando, não só a viver mais anos, mas com mais saúde e, por isso, com capacidade para continuar activos profissionalmente mais tempo.

Isso implica uma mudança de mindset nas pessoas, que provavelmente terão de aprender a fazer coisas novas – ou de forma diferente, pelo menos –, mas também nas empresas, para verdadeiramente retirar valor desses profissionais com know-how acumulado. Não basta manter as pessoas mais tempo nas organizações, é preciso criar condições para que diferentes gerações possam contribuir de forma equilibrada, mantendo todos motivados e reconhecidos. Surge aqui outra questão: a estrutura de benefícios da maioria das empresas continua pouco flexível, e, sobretudo, pouco pensada para quem está a aproximar- se da reforma.

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Outra das questões centrais prende-se com aquilo que os próprios profissionais desejam nesta fase da vida. Muitos não procuram necessariamente uma reforma antecipada, mas também não querem continuar a trabalhar da mesma forma. Modelos mais flexíveis podem ser uma resposta: redução progressiva da carga horária, projectos específicos, funções de mentoria ou regimes de prestação de serviços que permitam manter o contributo e o conhecimento, sem o peso de responsabilidades operacionais intensas. A longevidade nas empresas não é apenas um desafio demográfico, pode ser uma oportunidade estratégica, se conseguirem tirar partido da multigeracionalidade.

O almoço do Conselho Editorial contou a participação dos conselheiros: Ana Gama Marques (MEO), Catarina Tendeiro (Hovione), Elsa Carvalho (WTW), Inês Madeira (Grupo FHC), Marco Serrão (Nadara), Maria João Martins (My Change), Patrícia Fernandes (Montepio), Pedro Fontes Falcão (Iscte Executive Education), Pedro Henriques (Siemens), Pedro Rocha e Silva (LHH | DBM) e Sara Silva (L’Oréal).

Almoço do Conselho Editorial da Human Resources, artigo publicado n.º 183, de Março de 2026

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