Estudo revela que a escassez de mão-de-obra acelera a transição para fábricas sem humanos

A crescente escassez de mão de obra está a pressionar o sector da indústria transformadora e o futuro não traz boas notícias, com a Europa a ver sua população em idade activa cair cerca de 18% até 2050, ou a China a ver essa redução a atingir os 24%. Esta é uma das conclusões do The lights-out factory – How to address the challenge of labor scarcity, o mais recente relatório da consultora estratégica global Roland Berger.

Margarida Lopes
18 de Maio 2026 | 11:50
Estudo revela que a escassez de mão-de-obra acelera a transição para fábricas sem humanos

O estudo reforça ainda que o défice estrutural de mão de obra dificilmente será compensado por ciclos económicos, pelo que o foco na indústria está a mudar para a criação de unidades de produção altamente automatizadas, capazes de operar sem intervenção humana – as “lights-out factories”.

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A escassez de talento deverá intensificar-se nas próximas décadas, sendo o motor que levará à transformação e à automação da indústria, enquanto opção estratégica e operacional. Paralelamente, a viabilidade económica da automação tem vindo a melhorar de forma consistente, com o custo dos robôs industriais a cair mais de 50% desde 1990, enquanto o mercado de automação industrial cresce a um ritmo médio de 6% ao ano desde 2015, com previsão de aceleração para 7% ao ano nos próximos anos.

O relatório identifica a montagem (assembly) como o maior obstáculo à automação total. A elevada variabilidade de produtos, aliada à necessidade de manipular componentes flexíveis como cabos ou tubos, limita significativamente a aplicação de soluções robóticas tradicionais e mesmo de sistemas baseados em inteligência artificial.

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Adicionalmente, funções de suporte e back-office continuam fortemente dependentes de intervenção humana. A fragmentação de sistemas e a baixa qualidade de dados também impedem a criação de fluxos digitais contínuos, obrigando a reconciliações manuais e reduzindo o impacto da automação.

Ainda assim, a tecnologia avança sem substituir fundamentos operacionais. Embora avanços em áreas como visão computacional, robótica autónoma e inteligência artificial estejam a expandir o leque de processos automatizáveis, a tecnologia, por si só, não resolve todos os desafios. O relatório sublinha que a automação eficaz depende de bases operacionais sólidas, nomeadamente processos estáveis e bem controlados.

Mesmo perante os bloqueios identificados, o relatório partilha dois exemplos concretos que demonstram o progresso feito, nomeadamente no processo industrial de um fabricante alemão do sector aeroespacial, que já permite até 66 horas consecutivas de operação autónoma, ou uma fábrica de smartphones chinesa altamente automatizada, que atinge uma produção anual de cerca de 10 milhões de unidades, com automação total em processos-chave.

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Ainda assim, estas iniciativas permanecem excepções e não a norma. Para avançar de forma consistente rumo à autonomia, o estudo identifica três pilares fundamentais:

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  1. Estabilização de processos — condição essencial para operações autónomas fiáveis;
  2. Fecho de lacunas de sistemas e dados — integração selectiva com foco no valor operacional;
  3. Design para automação — adaptação de produtos e processos desde as fases iniciais

 

Esta abordagem permite às empresas evoluírem progressivamente, focando-se em casos de uso com maior retorno económico.

 

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O caminho para as “lights-out factories” varia significativamente consoante o perfil industrial. Fabricantes de componentes, produtores em massa e operações de alta variabilidade, enfrentam desafios distintos e devem priorizar diferentes alavancas estratégicas.

A conclusão central do relatório é, por isso, clara: a fábrica totalmente autónoma não surgirá de forma abrupta, mas a indústria deverá seguir um percurso progressivo de “dim the lights” antes de “lights out” total, automatizando etapas específicas enquanto constrói as bases para uma autonomia mais ampla.

De acordo com o estudo, num contexto de escassez crescente de mão de obra e pressão competitiva global, as empresas que iniciarem esta transição agora estarão melhor posicionadas para capturarem ganhos de produtividade e assegurarem a sustentabilidade das suas operações a longo prazo.

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