Entre os principais factores apontados para esta realidade, destacam-se o stress (28%) e as cargas de trabalho excessivas (24%), reflectindo a pressão crescente sentida por muitos profissionais num contexto de transformação acelerada e crescente adopção da IA.
A adopção de ferramentas de IA parece ainda estar longe de gerar os ganhos de eficiência esperados por muitas organizações. De acordo com o estudo The Age of Adaptability, do ManpowerGroup, quase metade dos trabalhadores que já utiliza IA (47%) admite não saber como alcançar os níveis de produtividade esperados pelos empregadores, enquanto 77% afirma que estas ferramentas acabaram por aumentar a carga de trabalho ou reduzir a produtividade em pelo menos uma dimensão.
O Global Talent Barometer revela ainda que a confiança dos trabalhadores na sua capacidade de usar as tecnologias disponíveis para desempenhar o seu trabalho diminuiu 14 pontos percentuais face a 2025, situando-se agora nos 64%. Este dado reflecte, assim, um sentimento crescente de insegurança, por parte dos trabalhadores, quanto à adaptação das suas competências ao futuro.
Estes resultados reflectem também as actuais carências ao nível da qualificação e do desenvolvimento profissional: mais de metade dos trabalhadores não recebeu formação recente (56%) nem mentoria (57%), limitando a capacidade de acompanhar o ritmo da mudança.
Neste contexto, o burnout surge cada vez mais associado não apenas ao volume de trabalho, mas também à necessidade contínua de adaptação e actualização de competências num ambiente profissional em rápida transformação tecnológica, muitas vezes sem o apoio necessário.
A Geração Z coloca a saúde mental em primeiro plano e que tende a ser mais aberta e transparente do que as gerações anteriores, relativamente a dificuldades pessoais. Nesse sentido, e apesar de revelarem uma melhoria no sentimento de equilíbrio vida trabalho face a 2024, ainda revelam desafios importantes na gestão do stress, sendo a geração que apresenta o valor mais acentuado de stress diário elevado, com 56%, sete pontos percentuais acima da média global dos trabalhadores. Em particular, as mulheres da Geração Z surgem como o grupo mais pressionado a nível global, com 57% a afirmar sentir níveis elevados de stress diário, praticamente o dobro da taxa registada entre homens da geração Baby Boomer (31%).
Esta é uma geração que entrou no mundo do trabalho no período pandémico e que tem assistido a uma sucessão de crises que estão a penalizar o seu sentimento de segurança no trabalho – a mais baixa entre todas as gerações – e, por consequência, também a segurança financeira, à qual esta geração é especialmente atenta. Por outro lado, a pandemia veio também afectar as suas competências sociais, acentuando o sentimento de desconexão ao limitar as possibilidades de onboarding e orientação inicial na carreira, algo que vêm igualmente impactar negativamente o sentimento de bem-estar desta geração.
O estudo Talent Barometer 2026 é uma ferramenta que mede o bem-estar e a satisfação profissional dos trabalhadores com base em 12 indicadores-chave, agrupados em três índices: Bem-Estar, Satisfação no Trabalho e Confiança. A pesquisa envolveu 13.918 trabalhadores a nível global, em 19 países.














