Emprego em Portugal cresce com talento estrangeiro

Portugal destaca-se na Europa com uma taxa de emprego de 80% em 2026 e um aumento de 82.000 trabalhadores no último ano. O recrutamento internacional ganha importância em sectores chave como a saúde, tecnologia, construção e turismo.

Human Resources
18 de Setembro 2026 | 14:00
Emprego em Portugal cresce com talento estrangeiro

Portugal tem vindo a aumentar o seu esforço para atrair talento estrangeiro de modo a colmatar lacunas na sua força de trabalho, com o recrutamento internacional a assumir um papel cada vez mais relevante em sectores como a saúde, tecnologia, construção e turismo.

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O mercado de trabalho português destaca-se pela combinação de um crescimento significativo do emprego e por um número relativamente modesto de vagas anunciadas. Com uma taxa de emprego de 80% no primeiro trimestre de 2026, o país situa-se acima da média europeia, enquanto o número de pessoas empregadas aumentou em 82.000 face ao ano anterior, um dos maiores ganhos entre os países analisados.

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Entre Julho de 2025 e Junho de 2026, foram registadas 15.948 vagas de emprego em Portugal, um valor que sugere que o crescimento do emprego não resulta de um volume excepcionalmente elevado de novas vagas.

 

Países com maiores ganhos de emprego, 1º trimestre de 2025 a 1º trimestre de 2026:
1. Espanha: 21,417 milhões ➔ 21,847 milhões (+430.000)
2. França: 28,117 milhões ➔ 28,259 milhões (+142.000)
3. Polónia: 16,588 milhões ➔ 16,710 milhões (+122.000)
4. Portugal: 4,951 milhões ➔ 5,033 milhões (+82.000)
5. Grécia: 4,156 milhões ➔ 4,190 milhões (+34.000)
6. Suécia: 4,873 milhões ➔ 4,905 milhões (+32.000)
7. Bélgica: 4,930 milhões ➔ 4,951 milhões (+21.000)
8. República Checa: 5,026 milhões ➔ 5,047 milhões (+21.000)
9. Áustria: 4,254 milhões ➔ 4,273 milhões (+19.000)
10. Bósnia e Herzegovina: 1,199 milhões ➔ 1,217 milhões (+18.000)

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Portugal e o mercado de trabalho europeu

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Segundo um relatório elaborado pela equipa da BestBrokers, que combinou dados do Eurostat e do Serviço Europeu de Emprego (EURES), Portugal registou uma taxa de emprego de 80% no primeiro trimestre de 2026, posicionando-se em 11.º lugar entre os países europeus analisados. O país ficou à frente da Polónia (79,6%), Noruega (79,5%), Irlanda (79,4%) e Dinamarca (79,3%), embora tenha ficado atrás de mercados como Malta (83,4%), Países Baixos (83,3%) e República Checa (82,8%).

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O crescimento da população empregada em Portugal foi de 1,66% entre o primeiro trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, passando de 4,95 milhões para 5,03 milhões de pessoas empregadas, o quarto maior aumento entre os países europeus analisados. Apenas Chipre (+2,52%), Malta (+2,22%) e Espanha (+2,01%) registaram crescimentos percentuais superiores.

Em termos de vagas de emprego anunciadas, Portugal ocupou o 21.º lugar entre 31 países europeus, com 15.948 anúncios entre Julho de 2025 e Junho de 2026. Este valor ficou muito abaixo dos maiores mercados, como Países Baixos (2,81 milhões), Alemanha (2,38 milhões) e França (1,88 milhões), e também abaixo da vizinha Espanha (98.828). Contudo, Portugal superou países como Malta (15.735), Eslováquia (15.045), Estónia (14.453) e Grécia (7.406).

Funções mais procuradas em Portugal

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O relatório destaca que os trabalhadores de serviços pessoais são a categoria mais procurada em Portugal, com 1.423 vagas entre Julho de 2025 e Junho de 2026, representando 52% mais do que os trabalhadores metalúrgicos e de máquinas, que ocuparam o segundo lugar com 934 vagas. Os profissionais de tecnologias de informação e comunicação (TIC) também tiveram uma posição relevante, com 809 vagas, situando-se em quarto lugar no conjunto geral.

Estes números evidenciam um mercado de trabalho que procura equilibrar a necessidade de trabalhadores essenciais na linha da frente com a crescente demanda por competências digitais e técnicas especializadas.

Desafios e perspectivas

O mercado de trabalho português encontra-se numa situação singular: está a contratar trabalhadores a um ritmo superior à maioria dos países europeus, enquanto as fontes tradicionais de mão-de-obra se tornam cada vez mais incertas. Os trabalhadores estrangeiros assumem um papel crescente em sectores essenciais como a construção, turismo, saúde e tecnologia.

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Porém, o país tem vindo a endurecer as regras de imigração, criando um equilíbrio delicado para os decisores políticos, pois as empresas continuam a necessitar de trabalhadores, mesmo num contexto em que a entrada desses trabalhadores se torna mais complexa.

«A experiência de Portugal oferece uma perspectiva de um desafio europeu mais vasto. Com o envelhecimento da população e o mercado de trabalho mais restrito, a imigração está a deixar de ser uma mera nota demográfica e a tornar-se uma necessidade económica», afirma Alan Goldberg, analista de dados sénior da BestBrokers.

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