A IA ao serviço da Humanidade

Por Sónia Vasconcelos, People Executive director da Celfocus

 

O desenvolvimento exponencial da inteligência artificial terá consequências profundas no mundo do trabalho tal como o conhecemos.

Existem muitas tarefas que passarão a ser executadas por agentes de IA.

E isto obriga-nos a repensar modelos de trabalho, processos, competências críticas, liderança, cultura. As mudanças serão profundas, significativas, impactantes.

Esta consciência é o primeiro passo para prepararmos um futuro promissor, sustentável, pleno de oportunidades, atractivo, humano.

Aos seres humanos cabe-nos a ética, a empatia, a criatividade, os sentimentos, o propósito. Seremos chamados a decidir o que fazer com o tempo libertado pela IA e com o seu potencial.

Enquanto gestores, lideraremos pessoas e agentes de IA. Enquanto colegas, colaboraremos com pessoas e agentes de IA. Uma colaboração que será necessariamente virtual, assíncrona, global. O conceito de híbrido deixará de se aplicar ao local onde trabalhamos, mas às equipas, aos processos, aos ecossistemas do trabalho, partilhados entre pessoas e IA.

Com esta consciência, é imperativo o desenvolvimento de competências humanas, como a criatividade e o espírito crítico, a ética, a aprendizagem contínua, a capacidade de adaptação, a empatia, a gestão emocional. É crítico investir na capacidade de liderar, de desenvolver relações, de confiar, de colaborar, de criar e comungar propósito, nestes novos ecossistemas híbridos.

É todo um novo paradigma, incerto, em permanente evolução, pleno de riscos e de oportunidades.

Cabe-nos enquanto líderes e gestores de RH, assegurar a capacitação e a consciencialização das nossas pessoas, para que aprendam a usar a IA para aumentar o propósito das suas funções, para entregar mais valor a todos os stakeholders, para melhorar a qualidade das decisões, ao serem mais informadas e mais rápidas. Para não terem medo de delegar à IA as tarefas rotineiras, os cálculos, as correlações. O foco será em garantir que a IA é bem-ensinada, conhece as fronteiras da ética, para que decida e aja em prol da humanidade.

Importa sermos realistas. A evolução da IA vai transformar determinadas funções, algumas deixarão de fazer sentido tal como existem hoje. Isso significa que quem as desempenha terá de desenvolver ou reforçar novas competências para continuar relevante nestes novos ecossistemas de trabalho. As empresas têm um papel activo nesta capacitação, mas o principal agente dessa evolução é cada pessoa. Por isso, é essencial falar sobre o que está a acontecer de forma clara, objectiva e transparente. Para informar, consciencializar, antecipar e preparar.

É também nossa missão antevermos situações de maior ansiedade e de stress, perante a incerteza e a ambiguidade inerentes a qualquer período de transição, a somar à habitual exigência dos projectos, da entrega, da produtividade. Soluções de protecção da saúde e do bem-estar serão ainda mais relevantes.

Estamos perante um paradoxo claro e inevitável. Por um lado, acolher e incorporar activa e intencionalmente a IA no nosso dia-a-dia, por outro, reforçar as nossas capacidades e forças diferenciadoras enquanto seres humanos, enquanto criadores de propósito e de esperança num futuro promissor, num mundo mais humano.

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