A importância da responsabilidade social na Gestão de Pessoas

Para qualquer gestor de Pessoas, o efeito da responsabilidade social nos colaboradores deve ser sempre contextualizado de acordo com os efeitos externos que uma boa causa traz e também pelos laços e vínculos que se criam entre colaboradores e empresa.

 

Por Luís Antunes director de Recursos Humanos da PHC Software

 

Dar algo de volta à sociedade é uma forma de realização pessoal que se encontra em todos os projectos de responsabilidade social. Porém, o efeito deste tipo de acções pode ser ainda maior quando as pessoas são envolvidas no âmbito da sua profissão.

No caso de uma empresa de cariz tecnológico, pode ser mais complexo o desafio de erguer projectos de responsabilidade social que aliem os benefícios que prestam à sociedade e esta componente de adequação às actividades profissionais dos colaboradores. Ainda assim, está longe de ser um objectivo impossível de alcançar, já que são inúmeras as áreas da sociedade que podem tirar partido da enorme especialização que os profissionais das tecnologias de informação possuem.

Vejamos os desafios relacionados com a literacia digital. Impostos, em grande medida, pela assimetria de conhecimento existente na sociedade portuguesa, são uma parte do problema da escassez de talentos a nível nacional neste sector e uma complicação acrescida para os responsáveis de recrutamento. Neste sentido, torna-se essencial perceber como podem as empresas prestar um serviço à sociedade, ajudando na sua resolução.

Além dos programas de formação para profissionais qualificados ou de requalificação de licenciados, importa agir numa perspectiva de futuro, dotando os nossos jovens de mais conhecimentos e, acima de tudo, de estímulos apelativos e criativos para a literacia digital. Desta forma, estaremos a contribuir para a resolução de um problema real e a valorizar o papel dos nossos profissionais.

Face a este desafio, gostaria de sublinhar o projeto PHC <Junior/Code>, um curso gratuito de programação para jovens entre os 11 e os 15 anos que, durante uma semana, são desafiados a aprender as bases que lhes permitem desenvolver competências nesta área. Através desta iniciativa, são envolvidos os colaboradores da empresa, sendo estes os formadores dos participantes, o que se traduz num aumento de identificação, orgulho e motivação.

Penso que é esta a maior lição que, enquanto gestor de Pessoas, tiro de uma iniciativa como esta. Uma lição que consigo dividir em três ideias-chave: em primeiro lugar, como um multiplicador da motivação e da felicidade dos colaboradores; além disso, considerando a forma como estas acções impactam e movem as diferentes gerações, cria-se um efeito de clara contribuição para a sociedade em áreas de actividade nas quais são especialistas; por último, a importância de ser um projecto de responsabilidade social construído com know-how interno, reforçando o sentimento entre os colaboradores de que a sua empresa tem um propósito e que este passa também para a comunidade.

A tecnologia abre-nos muitas portas e o PHC <Junior/Code> é a forma de estarmos presentes na sociedade, devolvendo uma parte do tanto que recebemos, dando também à sociedade aquilo que gostaríamos de ter no futuro: jovens motivados, com vontade de programar e um país cada vez mais tecnológico.

Por outro lado, num contexto em que o software está em todo o lado, os nossos colaboradores também contam connosco para ajudar a construir uma sociedade integrada neste mundo cada vez mais digital. Tratando-se de uma causa tão importante para o futuro do País, gostaria que outras empresas também o replicassem. Fica o desafio.

 

Artigo publicado na edição de Junho da Human Resources.

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