A Islândia fez uma alteração na Administração Pública para acabar com o que estava a prejudicar a eficácia e produtividade

O que começou como um projecto-piloto é hoje o modelo de trabalho de toda a administração pública islandesa. As “better working hours” implicaram uma redução de horário, mas também a eliminação de «redundâncias que minavam a eficácia e a produtividade», revelou o Jornal de Negócios. 

 

Segundo a publicação, em 2014 que, face à necessidade de reduzir o horário de trabalho de 42 horas semanais, a Islândia avançou com um projecto-piloto no município de Reiquiavique, a que deu o nome de “better working hours” (melhores horas para trabalhar).

Os vários departamentos da cidade puderam reorganizar o horário de trabalho, adaptando-o às necessidades de cada setor, e eliminando redundâncias que minavam a produtividade e a eficiência dos serviços.  Três anos mais tarde, um segundo piloto foi feito em todo sector público. O sucesso de ambas as iniciativas levou à criação de contratos coletivos de trabalho que instituíram as “better working hours” como o modelo seguido por toda a administração pública islandesa.

«O que eles fazem é muito interessante e é totalmente baseado em contratação colectiva», disse em declarações ao Jornal de Negócios, Sandra Ribeiro, presidente da Comissão para a Igualdade de Género (CIG), que acompanhou o projecto “in loco”, no âmbito do programa para a Igualdade de Género dos EEA Grants, numa visita que, em 2023, levou várias entidades portuguesas à Islândia.

O objectivo primeiro do piloto islandês era a diminuição do horário de trabalho, sem aumentar a despesa pública. «Sabiam que não podiam contratar mais pessoas e era preciso fazer uma análise de como é que se estava a trabalhar. Foi essa a lógica: ‘Como é que podemos trabalhar melhor e como é que trabalhamos melhores horas?’», explicou Sandra Ribeiro, que destaca a análise profunda feita no início de todo o processo. «Ficaram espantados com o facto de existir tanta redundância: havia muitas pessoas, em departamentos diferentes, a fazer as mesmas coisas, sem que isso acrescentasse eficiência ou eficácia, antes pelo contrário.»

A partir deste primeiro diagnóstico, foram feitas as adaptações que melhor se adequavam a cada serviço e às pessoas que nele trabalham, sem que houvesse alteração nos vencimentos.

Actualmente, o horário da administração pública islandesa está fixado nas 35 horas, mas a forma como as horas trabalhadas são repartidas ao longo da semana varia de serviço para serviço. Foi a maior flexibilidade e a possibilidade de criar soluções adaptadas a cada departamento que levou a que este fosse o modelo seguido.

O diálogo social em que se basearam as adaptações foi essencial para o sucesso da iniciativa, que também teve em conta o modo como o uso da tecnologia poderia contribuir para criar as “as melhores horas de trabalho”, explica Sandra Ribeiro. Foi no trabalho por turnos e em horário noturno que surgiram as maiores dificuldades, tendo havido necessidade de contratar mais pessoas nos sectores da saúde e educação, deitando por terra a ambição de realizar a mudança a custo zero.

Ler Mais