A solidão está a destruir o ambiente de trabalho (e pode nem estar a dar conta). Veja os sinais

A epidemia de solidão está a afectar os locais de trabalho e pode vir a tornar-se uma grave crise de saúde pública, avança a Quartz.

Os dados da Cigna mostram que 52% dos trabalhadores norte-americanos relataram sentir-se sozinhos em 2025. Além de afectar a saúde física e mental, segundo a Organização Mundial de Saúde, no mundo profissional pode levar a faltas, queda do engagement, da produtividade e vontade de mudar de emprego.

A solidão no local de trabalho não se resume a estar sozinho; trata-se da falta de ligações humanas significativas e equilibradoras, observa Chloë Bean, terapeuta especializada. «Os trabalhadores remotos são especialmente vulneráveis ​​a este problema. Clinicamente, isto manifesta-se como burnout profissional, falta de engagement e queda de motivação, mesmo entre pessoas que, aparentemente, são bem-sucedidas. E os colaboradores podem dizer que se sentem apáticos, confusos, irritáveis ​​ou estranhamente desmotivados», explica Bean.

Mas nem sempre é o trabalho remoto não causa a solidão, o que faz é eliminar a ilusão de que a proximidade é sinónimo de ligação. «Muitos colaboradores já se sentiam sozinhos nos escritórios muito antes de os modelos híbridos e remotos se tornarem comuns. A diferença agora é que a falta de ligação intencional é mais visível e mais difícil de ignorar», refere Stephanie Lemek, fundadora da The Wounded Workforce.

Segundo ela, os indicadores comuns de solidão no local de trabalho incluem:

  • Ausência em reuniões ou participação mínima para além das actualizações de tarefas.
  • Colaboração reduzida ou relutância em pedir ajuda.
  • Aumento da irritabilidade, desinteresse ou cinismo.
  • Queda de produtividade, foco ou compromisso com a conclusão de tarefas.
  • Sensação de invisibilidade ou a crença de que o seu trabalho não importa.

Os trabalhadores remotos também podem apresentar sinais de afastamento de outros colaboradores e das suas próprias tarefas.

«Verá menos conversas proactivas, câmaras desligadas, contributos mínimos e uma mudança da colaboração para a mera sobrevivência da tarefa», disse Morag Barrett, coach executiva. «Também observamos fadiga na tomada de decisão, menor confiança e apatia emocional. As pessoas ainda ‘desempenham’ as suas funções, mas o esforço extra e a criatividade diminuem silenciosamente.»

Estratégias para enfrentar o problema

Pare de esperar que uma ligação aconteça por acaso

Agende conversas para estabelecer contacto e não apenas para fazer ponto de situação. A solidão prospera no silêncio, mas a ligação constrói-se uma conversa e uma relação de cada vez.

Em ambientes remotos, Wendy Gates Corbett, professora na Universidade de Duke, aconselha os trabalhadores a criarem parcerias de responsabilidade com os colegas, reunindo-se virtualmente com regularidade.

Apostar na ligação e não apenas na eficiência

A gestão deve começar a medir as relações e não apenas o engagement. «As empresas devem formar os líderes para construir confiança remotamente, normalizar conversas não transaccionais e recompensar comportamentos que fortaleçam as relações, e não apenas os resultados», observou Barrett.

Não aceite a solidão no trabalho remoto

Uma grande parte deste compromisso é a colaboração entre trabalhadores e empregadores para combater a solidão e a desconexão, e a criação de programas que garantam que os colaboradores se sintam vistos, ouvidos e reconhecidos.

«O trabalho remoto não causa solidão; a liderança não intencional, sim. Quando as organizações priorizam relações significativas, a produtividade e o bem-estar aumentam simultaneamente», afirma Barrett.

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