Adeus trabalho remoto. Agora esta é a nova norma, diz o CEO global da Randstad (excepto para talentos muito especiais)

Com milhões de trabalhadores a receberem ordens para regressar ao escritório em 2025, Sander van’t Noordende, CEO global da Randstad, afirma que a grande guerra do regresso ao escritório terminou — e surgiu uma nova “hierarquia híbrida”.

Enquanto os colaboradores comuns são obrigados a regressar às suas secretárias, o CEO da empresa de recrutamento diz que apenas os profissionais de alto desempenho conseguirão manter cargos totalmente remotos.

«É preciso ser muito especial para poder exigir um emprego 100% remoto», disse van’t Noordende à Fortune. «Esta é a realidade cada vez mais presente. É preciso ter competências tecnológicas muito específicas ou alguma especialização.»

«O fenómeno do trabalho freelance tem vindo a crescer, claro, nas últimas décadas… mas isso também exige competências específicas — boas competências comerciais ou de networking, que nem todos possuem.»

Para todos os outros, não há como escapar a pelo menos algum tempo no escritório. Mas, ao contrário das directrizes rigorosas de empresas como a Amazon e a JPMorgan, van’t Noordende não acredita que voltemos ao modelo tradicional das 9h às 18h, cinco dias por semana, como norma.

Em vez disso, afirma que um meio-termo ideal veio para ficar: «O pêndulo está a começar a abrandar… O equilíbrio parece ter sido encontrado», acrescentando que, com excepção de alguns bancos nas grandes cidades, «é geralmente um modelo híbrido, com cerca de três a quatro dias, mais algum trabalho em casa».

Pesquisas já denominaram este fenómeno de “hierarquia híbrida”.

O que van’t Noordende está a observar na prática reflecte o que a Korn Ferry previu no início de 2025: à medida que as empresas intensificavam o trabalho presencial, a consultora previu uma “nova hierarquia híbrida”, na qual a flexibilidade se torna uma vantagem reservada apenas aos profissionais de destaque.

Essencialmente, no topo da hierarquia, os trabalhadores com competências escassas ainda podem negociar regimes totalmente remotos ou ultraflexíveis. Mas, na base, os trabalhadores com menos poder de negociação — geralmente em cargos mais juniores ou padronizados — terão provavelmente de comparecer presencialmente.

Em algumas empresas, os profissionais de alto desempenho já recebem horários flexíveis como bónus pelo seu bom trabalho. Ao mesmo tempo, aqueles com um desempenho mediano não têm o privilégio do trabalho remoto, informou o Wall Street Journal.

Agora, com a desaceleração das contratações e a estagnação dos aumentos salariais, a flexibilidade é uma das poucas ferramentas que restam aos empregadores para atrair e reter profissionais que não querem realmente perder.

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