
Afinal, o “factor C” ainda é uma poderosa estratégia de carreira
“O meu pai conhece alguém” ainda abre portas. Mas se constrói organizações fortes — ou as enfraquece — depende do que acontece quando essas portas se abrem.
Quase 73% dos trabalhadores norte-americanos dizem que os contactos ainda importam mais do que as competências — o que levanta questões sobre a justiça, a confiança e a cultura da contratação, avança o Allwork Space.
Apesar de toda a conversa à volta da meritocracia, upskilling e currículos optimizados por IA, uma estratégia de carreira à moda antiga recusa-se a morrer: conhecer a pessoa certa (o “factor cunha”).
“Não é o que sabes, é quem conheces” pode soar como um cliché batido, mas quase 73% dos trabalhadores norte-americanos ainda dizem que os contactos são essenciais para conseguir um emprego, de acordo com um novo estudo. E, ao contrário dos “nepo babies” que estão muito na moda, este tipo de favoritismo está a aparecer em ambientes de trabalho um pouco por todo o lado.
O dicionário Merriam-Webster define um “nepo baby” como alguém que conquista oportunidades através de ligações familiares, especialmente se for filho de um pai famoso ou poderoso. Mas a investigação sugere que o nepotismo hoje parece muito mais comum e corriqueiro.
Quatro em cada dez inquiridos disseram ter trabalhado na mesma empresa que um familiar pelo menos uma vez e, na maioria dos casos, parentes próximos: pais, irmãos ou familiares directos que já trabalhavam na organização.
Por outras palavras, o nepotismo costuma ser silencioso, familiar e incorporado nos processos de contratação que raramente são examinados.
Quase 70% dos trabalhadores acreditam que o nepotismo está generalizado na força de trabalho dos EUA, e mais de metade diz conhecer colegas que foram contratados através de laços familiares. Outros 24,7% suspeitam que tal acontece sem nunca ser reconhecido abertamente.
Apenas cerca de um em cada cinco trabalhadores acredita que o nepotismo não existe no seu local de trabalho.
Ainda assim, a prática passa muitas vezes despercebida à liderança, enquanto permanece óbvia para os colaboradores que vêem as oportunidades escapar. Quase 45% diz ter perdido um emprego ou uma promoção porque foi para alguém com ligações familiares, seja na sua função actual ou anterior.
Mesmo quando os colaboradores contratados por laços familiares têm um bom desempenho — e muitos têm —, a percepção de favoritismo tem um preço elevado. Cerca de 54% dos trabalhadores afirmam que o nepotismo tem um impacto negativo em quase todos os aspectos do ambiente de trabalho, incluindo moral, confiança na liderança, diversidade e justiça nas promoções. Mais de 60% dizem que prejudica o moral da equipa, abala a confiança na gestão e danifica a reputação interna e externa.
Curiosamente, existem nuances. Cerca de 70% das contratações através de familiares são consideradas adequadas para os seus cargos. Mas quase 30% são vistas como pessoas que não teriam conseguido o emprego sem as suas ligações — uma lacuna difícil de ser ignorada pelas equipas.
Os homens são ligeiramente mais propensos a identificar o nepotismo do que as mulheres. Mais de 60% dos homens referem ter visto colegas contratados através de ligações familiares, em comparação com pouco mais de metade das mulheres. Em ambos os grupos, uma parcela significativa não vê evidências de nepotismo ou não tem a certeza — sublinhando a subtileza com que pode operar.
Geracionalmente, a crença no poder das ligações é quase universal. A Geração Z lidera, com quase 77% a concordar que “quem se conhece” é o que mais importa, seguida de perto pelos Millennials e pela Geração X. Mesmo entre os Baby Boomers, dois terços concordam que as ligações desempenham um papel importante na contratação.
Em todas as gerações, apenas uma pequena minoria acredita que a contratação é impulsionada principalmente pelas competências.