ANA Aeroportos de Portugal: Tecnologia e pessoas: o céu é o limite

A transformação digital da ANA Aeroportos de Portugal está a redefinir a gestão de pessoas, alinhando tecnologia, proximidade humana e cultura de segurança em toda a rede aeroportuária.

 

A transformação digital na ANA Aeroportos de Portugal tem avançado de forma estratégica, cruzando tecnologia e gestão de pessoas para responder aos desafios de uma rede que se estende por 10 aeroportos nacionais. Em entrevista à Human Resources, Isabel Heitor, directora de Pessoas e Cultura da ANA, considerou que esta evolução tem sido marcada pela adopção de soluções em cloud e ferramentas colaborativas que vieram optimizar áreas críticas como o recrutamento, a formação e a avaliação de desempenho. Segundo a responsável, este investimento «moderniza a função de Recursos Humanos, além de posicioná-la como um parceiro estratégico na criação de valor organizacional».

A integração da ANA no grupo VINCI Airports revelou-se igualmente determinante para acelerar processos de inovação. Francisco Oliveira, director de Inovação da ANA, refere que a partilha de benchmarks globais, boas práticas e plataformas comuns dentro da rede internacional tem permitido à empresa alinhar-se com padrões de excelência, fomentando sinergias entre equipas e uma cultura de melhoria contínua em todas as operações.

Entre as prioridades está também o reforço da literacia digital dos colaboradores. Para Isabel Heitor, a cultura de aprendizagem contínua é um motor essencial desta mudança. «Temos apostado em programas de capacitação digital, e-learning e campanhas internas que garantem que todos evoluam de forma consistente, independentemente do aeroporto onde trabalham», afirmou. Esta estratégia garante que os cerca de três mil colaboradores acompanhem a evolução tecnológica sem perderem o foco nos valores que sustentam a actividade aeroportuária.

A modernização digital estende-se à experiência do colaborador, reforçada por intranets, portais de RH e canais de comunicação interna. De acordo com Isabel Heitor, estas ferramentas têm um papel decisivo na proposta de valor da empresa enquanto entidade empregadora, promovendo a transparência, o acesso ágil à informação e um maior sentimento de pertença. Esta dimensão torna-se ainda mais relevante num contexto de operação dispersa geograficamente, onde a coesão interna é determinante para a eficiência.

Na frente operacional, Francisco Oliveira afirma que as novas plataformas e sistemas implementados nos aeroportos têm elevado o nível de eficiência das equipas administrativas e operacionais. A tecnologia surge como facilitadora da produtividade, da integração entre diferentes funções e da colaboração transversal. Ainda assim, este avanço não ignora a necessidade de manter a proximidade humana. «Acreditamos que a tecnologia deve amplificar – e não substituir – a dimensão humana», lembra o director de Inovação, reforçando que o foco continua a ser libertar tempo e recursos para que as equipas se dediquem ao essencial: o cuidado com as pessoas e a cultura de segurança, pilares centrais no sector da aviação.

A pandemia veio acelerar práticas de trabalho flexíveis, obrigando a ANA a adaptar-se rapidamente ao teletrabalho e à colaboração remota. A resposta passou por sistemas já robustos e pela aposta num modelo híbrido que, segundo Isabel Heitor, combina flexibilidade com o contacto presencial, ajustando-se às especificidades de cada função. Este equilíbrio tem sido fundamental para assegurar a continuidade operacional sem descurar o bem-estar dos colaboradores.

Para dar suporte a decisões informadas na área de Gestão de Pessoas, a ANA monitoriza vários indicadores, desde a adesão às plataformas digitais à participação em formações e níveis de engagement. Isabel Heitor garante que a gestão destes dados obedece a critérios rigorosos de ética e privacidade, em linha com o Regulamento Geral de Protecção de Dados. «Asseguramos transparência, consentimento informado e um uso responsável da informação», explicou.

Do ponto de vista tecnológico, Francisco Oliveira adianta que a empresa está a explorar o potencial da inteligência artificial para reforçar a área de Recursos Humanos. Entre os projectos em curso destacam-se soluções de IA para prever necessidades de formação, optimizar escalas e mapear perfis de talento, sempre com o objectivo de apoiar decisões mais estratégicas. «A IA é uma aliada na tomada de decisões mais informadas», reforça.

A dimensão da ANA, que opera aeroportos em Lisboa, Porto, Açores, Madeira, Faro e Beja, coloca desafios adicionais na implementação de soluções digitais. A diversidade geográfica e cultural obriga a uma gestão de mudança atenta ao contexto local. Para Francisco Oliveira, a articulação entre equipas centrais e operações de cada aeroporto tem sido essencial para garantir eficácia e alinhamento com as metas definidas.

A capacitação digital das equipas passa também por formações contínuas dirigidas a perfis tão diversos como gestores de terminal, equipas de segurança ou pessoal de manutenção. Isabel Heitor refere que estes programas combinam iniciativas internas com parcerias externas, assegurando que os colaboradores dispõem das competências digitais adequadas às exigências actuais e futuras.

Ainda assim, a evolução tecnológica não está isenta de riscos. Isabel Heitor identifica a cibersegurança, a possibilidade de exclusão digital e o equilíbrio entre automação e humanização como os principais desafios que a empresa acompanha de perto. A estratégia passa por uma abordagem cautelosa e ética, sempre centrada nas pessoas. «As oportunidades são enormes em termos de personalização, agilidade e decisões baseadas em dados, mas não podemos perder de vista que o factor humano continua a ser insubstituível», referiu.

A cultura de segurança, a proximidade entre colegas e a preocupação com o bem-estar mantêm-se, por isso, como pilares inegociáveis. Na visão partilhada por Isabel Heitor e Francisco Oliveira, a tecnologia é vista como um meio e não como um fim. A prioridade é criar condições para que as equipas possam dedicar-se ao que é realmente determinante num aeroporto: garantir que tudo funciona com rigor, segurança e qualidade.

Num sector onde a inovação tecnológica molda cada vez mais a experiência de quem viaja, a ANA aposta em garantir que também quem lá trabalha evolui, cresce e se sente parte de um projecto comum. E fá-lo combinando plataformas digitais com uma liderança humana, capaz de equilibrar modernidade e tradição, eficiência e cuidado, estratégia global e identidade local: uma equação que se revela decisiva num negócio onde o céu é o limite, mas as pessoas continuam a ser o ponto de partida.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Tecnologia na Gestão de Pessoas” que foi publicado na edição de Julho (nº. 175) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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