Ana Cardeira, Quinta do Lago: Liderança em transformação: o desafio geracional

No seu comentário à LX edição do Barómetro Human Resources, Ana Cardeira, directora de Recursos Humanos da Quinta do Lago, defende que «a liderança do futuro exige agilidade, capacidade de adaptação e uma abordagem mais humana e colaborativa, criando efectivamente planos de sucessão como parte da estratégia organizacional».

 

«O mais recente Barómetro Human Resources lança luz sobre uma realidade incontornável: a liderança, tal como a conhecemos, está em mutação. E essa transformação é, em grande parte, impulsionada pelas novas gerações que entram no mercado de trabalho com expectativas, valores e prioridades distintas.

Com efeito, apesar de 45% dos jovens demonstrarem interesse em assumir funções de liderança, 39% dos líderes reconhecem um decréscimo face às gerações anteriores. Este dado, por si só, já seria motivo de reflexão, mas é nas causas apontadas que reside o verdadeiro alerta: 55% referem a falta de equilíbrio entre vida pessoal e profissional, 45% apontam a pressão associada às responsabilidades, e 21% temem o impacto na saúde mental. Estes números revelam uma mudança de paradigma. A liderança tradicional, centrada no sacrifício pessoal e na dedicação exclusiva, já não é atractiva para uma geração que valoriza o bem-estar, o propósito e a autonomia.

No entanto, apenas 3% das organizações afirmam estar a adaptar os modelos de liderança de forma estratégica. A maioria continua presa a paradigmas ultrapassados, comprometendo a sucessão e a retenção de talento, que já é um problema de hoje e não de amanhã, apesar de 68% dos profissionais considerarem que a Gestão de Pessoas em Portugal precisa de reformas urgentes. Estas reformas não são apenas estruturais, mas também culturais.

A liderança do futuro exige agilidade, capacidade de adaptação e uma abordagem mais humana e colaborativa, criando efectivamente planos de sucessão como parte da estratégia organizacional, introduzindo políticas de trabalho flexíveis e centradas no bem-estar, e um investimento contínuo na inovação e capacitação com propósito.

A geração emergente não rejeita a liderança, mas sim os moldes ultrapassados em que ela tem sido exercida. Cabe às organizações reinventarem-se, não apenas para sobreviverem, mas para prosperarem, num mundo onde o talento é o activo mais escasso e valioso.

A liderança do futuro exige cultura, visão e coragem para mudar.»

 

Este testemunho foi publicado na edição de de Agosto (nº. 176) da Human Resources, no âmbito da LX do seu Barómetro.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

Ler Mais