Barómetro: Os salários em Portugal são baixos. Mas porquê?

Na 42.ª edição do Barómetro Human Resources o grande destaque vai para o tema dos salários e os resultados corroboram a opinião generalizada (que é também baseada em factos) de que os salários em Portugal são baixos. Mas o que o justifica? Foi o que perguntámos ao painel de especialistas.

 

Por Ana Leonor Martins

 

No passado mês de Junho, o Expresso noticiava que Portugal é o quarto país da União Europeia com o salário médio mais baixo. Apenas a Grécia, a Hungria e a Eslováquia ficam atrás. Entre 2008 e 2019, o salário médio nas empresas aumentou no total 6,8% em termos reais. Em 2021, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a remuneração bruta mensal média por trabalhador aumentou 3,4%, para 1361 euros.

Sendo os salários um tema incontornável quando se trata do mundo do trabalho e, logo, da Gestão de Pessoas, foi o foco principal desta 42.ª edição do Barómetro Human Resources. Quando questionados sobre como classificariam, genericamente falando, os salários em Portugal, a esmagadora maioria dos especialistas – 79% – afirmou que são baixos. Destes, 12% considera mesmo que são “muitos baixos”, enquanto que 44% ressalva que são “baixos, mas condizentes com a realidade portuguesa/possibilidade das empresas”. Apenas cerca de um em cada cinco dos inquiridos (19%) considera que os salários praticados em Portugal são “aceitáveis, de acordo com a realidade portuguesa/possibilidade das empresas”. Para 2% os salários em Portugal são bons.

A resposta à pergunta anterior seria já expectável, mas interessa perceber o que justifica este nível salarial em Portugal. E não se pode dizer que haja grande surpresa aqui também. Podendo escolher duas opções entre as variáveis apresentadas, mais de metade dos especialistas do painel do Barómetro Human Resources (58%) indicou como causa a produtividade das empresas, mas quase outros tantos (56%) “culpou” a carga fiscal. Em terceiro, mas bastante longe das anteriores (27%), surge como justificação “o alinhamento com o que é praticado noutras empresas, no País”. Será relevante evidenciar que o “sentido de justiça/qualidade do trabalho/meritocracia” só foi referido por 2% dos inquiridos, enquanto 21% acredita que o baixo nível salarial em Portugal tem como causa o desejo das empresas de maximizar lucros.

Saindo do cenário geral para perceber a realidade das empresas representadas no Barómetro – que inclui algumas das mais relevantes no País, e de sectores diversificados –, constata-se que a média salarial é, em um terço das empresas representadas (33%), entre 1500 e 2000 euros. Em 21% situa-se entre os 1200 e os 1500 euros e 19% entre 1000 e 1200 euros. Mas se juntarmos os intervalos seguintes, temos 21% de empresas com uma média salarial superior a 2000 euros. Só 4% paga, em média, menos de 1000 euros.

Concretizando a análise naquilo que mais influencia os aumentos salariais (ou ausência deles) nas empresas dos inquiridos (e podendo ser escolhidas duas opções), destaca-se claramente o desempenho individual, com 69%, mais 23 pontos percentuais do que o desempenho da empresa, referido por 46% dos inquiridos. Em terceiro, com 38% das respostas, surge o “alinhamento face ao mercado” mas, curiosamente, a guerra pelo talento parece não estar a ter grande influência nos aumentos salariais, já que apenas 6% dos especialistas referiu a concorrência externa.

Numa altura em que tanto se fala de atracção e retenção de talento, e não obstante a relevância de vários outros factores, a competitividade do salário não pode ser descurada. Quando questionados sobre o motivo mais apresentado pelos seus colaboradores quando deixam a empresa, a maioria (38%) reconhece que é por causa do salário. A vontade de mudança é o motivo apresentado por 29% dos inquiridos, enquanto 23% justifica com o desafio/ conteúdo do trabalho. Um dado interessante – uma vez que estudos indicam que a maioria das pessoas deixam os chefes e não as empresas – é que não houve ninguém a referir que os colaboradores justificam a sua saída com a liderança. Também ninguém referiu o “trabalhar por conta própria”.

 

Fique a conhecer todos os resultados do XLII Barómetro Human Resources na edição de Julho (nº.139) da Human Resources, nas bancas (se preferir comprar online, tem disponível a versão em papel ou a versão digital).

E tem também o comentário dos especialistas:

–André Ribeiro Pires, Executive Board member e COO da Multipessoal

– Eduardo Caria, responsável de Pessoas e Organização do Grupo Ageas Portugal

–Filipa Martins, directora-geral da Edenred Portugal

– Sandra Brito Pereira, directora de Recursos Humanos do Banco Montepio

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