Barómetro Human Resources. Uma encruzilhada na Gestão de Pessoas

Human Resources
29 de Fevereiro 2024 | 10:10

Os desafios são muitos. E os gestores de Pessoas tem-nos identificados. Não podendo “deixar cair” nenhum, é preciso definir prioridades. São essas prioridades que destacamos nesta 51.ª edição do Barómetro Human Resources.

 

Por Ana Leonor Martins

 

A primeira edição do Barómetro Human Resources de 2024 – e já em jeito de antevisão da XXVII Conferência Human Resources, que se realiza dia 20 de Março, no Museu do Oriente, em Lisboa, e terá como tema “A Encruzilhada na Gestão de Pessoas” – o destaque foi para alguns temas que têm sido referidos pelos especialistas como os mais desafiantes para a Gestão de Pessoas, nomeadamente a atracção e retenção de talento, a pressão salarial, a saúde mental, a necessidade de upskilling e reskilling e, de forma mais macro, o imperativo de assegurar produtividade e resultados. Outro tema abordado, que, não sendo novo – ficou meio “adormecido” durante e no pós pandemia –, volta agora a estar mais presente no “discurso” das empresas, é o propósito. É destaque neste Barómetro e igualmente nesta edição, com a apresentação dos resultados do primeiro estudo sobre Propósito Organizacional em Portugal e também de case studies. Foram estes temas que propusemos para reflexão ao painel do Barómetro Human Resources nesta 51.ª edição, e os resultados apresentamos de seguida.

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Mais difícil fidelizar do que atrair
Comecemos pelos salários, factor que quase unanimemente as empresas concordam não poder ser o foco de diferenciação e argumentação na “luta” pelo talento, pois é um factor higiénico, é a “base da pirâmide”, aquele que tem de existir, e de ser justo. Mas, muito motivado pela escassez de pessoas, por um lado, e pelo aumento do custo de vida, por outro, a pressão salarial tem aumentado. No final de 2023, a maioria (63%) dos especialistas deste Barómetro afirmou que a sua empresa ia fazer aumentos salariais entre 2 e 4%, e as perspectivas mantiveram-se: 63% confirmam que os aumentos na sua empresa foram (ou vão ser feitos) em linha com o previsto em meados do ano passado. Mas 13% partilham que serão acima do previsto e 15% abaixo. De referir que 7% dos inquiridos admitem que não vão haver aumentos salariais na sua empresa, com excepção do obrigatório por lei (salário mínimo nacional).

Sobre “o que mais afectou a decisão do nível de aumentos salariais na empresa”, mais de metade (57%) reconhece que foi o contexto económico. O segundo factor que mais peso teve, mas a larga distância, foi os resultados da empresa, decisivo em 13% dos casos. Só para 4% é mais relevante a “justiça”, ou seja, aumentos motivados pelo mérito e não por “factores externos” ao desempenho. Mais importante, os custos de operação (que aumentaram, reduzindo as margens das empresas) e a produtividade da empresa são apenas reconhecidos como preponderantes por 2% dos inquiridos. O indefinido contexto político (Portugal encontra- se com Governo de gestão, estando as eleições antecipadas marcadas para dia 10 de Março) não influenciou nenhuma das empresas na hora da revisão salarial.

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Voltámos também ao tema da produtividade, que, na edição passada do Barómetro Human Resources, tinha sido identificada como a prioridade dos CEO para 2024, surgindo em quinto lugar para a Gestão de Pessoas. Para oito em cada 10 dos especialistas inquiridos, a produtividade é um problema em Portugal (na maioria das empresas, para 74%, mas há mesmo quem afirme que é um problema em todas as empresas – 6%). De lembrar que, em Fevereiro de 2023, na 45.ª edição do Barómetro, a maioria dos inquiridos (52%) considerou que a baixa produtividade no nosso país se deve sobretudo aos processos e métodos, mas quase metade (48%, só menos 4%) afirmou que a justificação se encontra na (falta de) cultura de trabalho/ má gestão de tempo dos profissionais.

Já em relação àquele que foi considerado como o grande tema da Gestão de Pessoas (para 52%, em 2023, para 60% em 2022 e para 69% em 2021) – a atracção e retenção de talento – questionámos os especialistas do painel sobre qual representa um maior desafio: se atrair os profissionais, se mantê-los na empresa. Sem surpresa, a maioria considera que são ambos, mas “obrigados” a escolher uma, destaca-se a atracção (24%), com mais quatro pontos percentuais (p.p.) do que a retenção (20%).

Juntando os que conseguiram escolher só uma dessas variáveis (20% reconheceram que é mais difícil manter as pessoas na empresa do que atraí-las, que é um maior desafio para 13% dos inquiridos), constata-se que se destaca a retenção de profissionais – considerada um maior desafio por 46% dos especialistas, mais nove p.p. do que quem defendeu ser mais difícil atrair. De notar que só 13% afirmaram que não têm dificuldade nem na atracção nem na fidelização de talento.

Ainda que o tema da Saúde tenha, na 50.ª edição do Barómetro Human Resources, saído do pódio das prioridades em Gestão de Pessoas (com 22%, menos seis p.p. do que em relação às prioridades identificadas para 2023, tendo sido destronada no top 3 pela inteligência artificial), mais de metade (55%) do painel de especialistas admite que as situações relacionadas com os problemas/transtornos de saúde mental (como depressão, burnout, ansiedade, fadiga mental ou stress ocupacional) estão a aumentar na sua empresa, com 42% a ressalvarem ser um aumento moderado, mas 13% reconhecem ser um aumento significativo (11%) ou mesmo muito significativo (2%). Por outro lado, para 22% dos inquiridos, ainda que não seja um problema que tenha estado a aumentar na sua empresa, é um problema que preocupa. E não é insignificante notar que apenas 4% dizem não ter problemas de saúde mental identificados na sua empresa (o que não quer dizer que não existam).

 

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Fique a conhecer todos os resultados do LI Barómetro Human Resources na edição de Fevereiro (nº.158) da Human Resources, nas bancas (se preferir comprar online, tem disponível a versão em papel ou a versão digital).

E tem também o comentário dos especialistas:

– Carla Marques, CEO da Intelcia Portugal

– Inês Madeira, directora de Capital Humano do Grupo FHC

– Joana Pita Negrão, People & Culture director na Nova SBE

– Carla Caracol, directora de Recursos Humanos do Grupo Renascença Multimédia

– Pedro Henriques, responsável pelo People and Organization da Siemens Portugal

– Margarida Esteves Calado, head of People NTT DATA Portugal

– Nuno Oliveira, director de Recursos Humanos da Zurich em Portugal

– Sílvia Gonçalves, directora de Desenvolvimento de Pessoas da Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM)

– Catarina Azevedo, People and Culture director da KPMG

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