Barómetro Human Resources. Uma encruzilhada na Gestão de Pessoas

Os desafios são muitos. E os gestores de Pessoas tem-nos identificados. Não podendo “deixar cair” nenhum, é preciso definir prioridades. São essas prioridades que destacamos nesta 51.ª edição do Barómetro Human Resources.

 

Por Ana Leonor Martins

 

A primeira edição do Barómetro Human Resources de 2024 – e já em jeito de antevisão da XXVII Conferência Human Resources, que se realiza dia 20 de Março, no Museu do Oriente, em Lisboa, e terá como tema “A Encruzilhada na Gestão de Pessoas” – o destaque foi para alguns temas que têm sido referidos pelos especialistas como os mais desafiantes para a Gestão de Pessoas, nomeadamente a atracção e retenção de talento, a pressão salarial, a saúde mental, a necessidade de upskilling e reskilling e, de forma mais macro, o imperativo de assegurar produtividade e resultados. Outro tema abordado, que, não sendo novo – ficou meio “adormecido” durante e no pós pandemia –, volta agora a estar mais presente no “discurso” das empresas, é o propósito. É destaque neste Barómetro e igualmente nesta edição, com a apresentação dos resultados do primeiro estudo sobre Propósito Organizacional em Portugal e também de case studies. Foram estes temas que propusemos para reflexão ao painel do Barómetro Human Resources nesta 51.ª edição, e os resultados apresentamos de seguida.

 

Mais difícil fidelizar do que atrair
Comecemos pelos salários, factor que quase unanimemente as empresas concordam não poder ser o foco de diferenciação e argumentação na “luta” pelo talento, pois é um factor higiénico, é a “base da pirâmide”, aquele que tem de existir, e de ser justo. Mas, muito motivado pela escassez de pessoas, por um lado, e pelo aumento do custo de vida, por outro, a pressão salarial tem aumentado. No final de 2023, a maioria (63%) dos especialistas deste Barómetro afirmou que a sua empresa ia fazer aumentos salariais entre 2 e 4%, e as perspectivas mantiveram-se: 63% confirmam que os aumentos na sua empresa foram (ou vão ser feitos) em linha com o previsto em meados do ano passado. Mas 13% partilham que serão acima do previsto e 15% abaixo. De referir que 7% dos inquiridos admitem que não vão haver aumentos salariais na sua empresa, com excepção do obrigatório por lei (salário mínimo nacional).

Sobre “o que mais afectou a decisão do nível de aumentos salariais na empresa”, mais de metade (57%) reconhece que foi o contexto económico. O segundo factor que mais peso teve, mas a larga distância, foi os resultados da empresa, decisivo em 13% dos casos. Só para 4% é mais relevante a “justiça”, ou seja, aumentos motivados pelo mérito e não por “factores externos” ao desempenho. Mais importante, os custos de operação (que aumentaram, reduzindo as margens das empresas) e a produtividade da empresa são apenas reconhecidos como preponderantes por 2% dos inquiridos. O indefinido contexto político (Portugal encontra- se com Governo de gestão, estando as eleições antecipadas marcadas para dia 10 de Março) não influenciou nenhuma das empresas na hora da revisão salarial.

Voltámos também ao tema da produtividade, que, na edição passada do Barómetro Human Resources, tinha sido identificada como a prioridade dos CEO para 2024, surgindo em quinto lugar para a Gestão de Pessoas. Para oito em cada 10 dos especialistas inquiridos, a produtividade é um problema em Portugal (na maioria das empresas, para 74%, mas há mesmo quem afirme que é um problema em todas as empresas – 6%). De lembrar que, em Fevereiro de 2023, na 45.ª edição do Barómetro, a maioria dos inquiridos (52%) considerou que a baixa produtividade no nosso país se deve sobretudo aos processos e métodos, mas quase metade (48%, só menos 4%) afirmou que a justificação se encontra na (falta de) cultura de trabalho/ má gestão de tempo dos profissionais.

Já em relação àquele que foi considerado como o grande tema da Gestão de Pessoas (para 52%, em 2023, para 60% em 2022 e para 69% em 2021) – a atracção e retenção de talento – questionámos os especialistas do painel sobre qual representa um maior desafio: se atrair os profissionais, se mantê-los na empresa. Sem surpresa, a maioria considera que são ambos, mas “obrigados” a escolher uma, destaca-se a atracção (24%), com mais quatro pontos percentuais (p.p.) do que a retenção (20%).

Juntando os que conseguiram escolher só uma dessas variáveis (20% reconheceram que é mais difícil manter as pessoas na empresa do que atraí-las, que é um maior desafio para 13% dos inquiridos), constata-se que se destaca a retenção de profissionais – considerada um maior desafio por 46% dos especialistas, mais nove p.p. do que quem defendeu ser mais difícil atrair. De notar que só 13% afirmaram que não têm dificuldade nem na atracção nem na fidelização de talento.

Ainda que o tema da Saúde tenha, na 50.ª edição do Barómetro Human Resources, saído do pódio das prioridades em Gestão de Pessoas (com 22%, menos seis p.p. do que em relação às prioridades identificadas para 2023, tendo sido destronada no top 3 pela inteligência artificial), mais de metade (55%) do painel de especialistas admite que as situações relacionadas com os problemas/transtornos de saúde mental (como depressão, burnout, ansiedade, fadiga mental ou stress ocupacional) estão a aumentar na sua empresa, com 42% a ressalvarem ser um aumento moderado, mas 13% reconhecem ser um aumento significativo (11%) ou mesmo muito significativo (2%). Por outro lado, para 22% dos inquiridos, ainda que não seja um problema que tenha estado a aumentar na sua empresa, é um problema que preocupa. E não é insignificante notar que apenas 4% dizem não ter problemas de saúde mental identificados na sua empresa (o que não quer dizer que não existam).

 

Fique a conhecer todos os resultados do LI Barómetro Human Resources na edição de Fevereiro (nº.158) da Human Resources, nas bancas (se preferir comprar online, tem disponível a versão em papel ou a versão digital).

E tem também o comentário dos especialistas:

– Carla Marques, CEO da Intelcia Portugal

– Inês Madeira, directora de Capital Humano do Grupo FHC

– Joana Pita Negrão, People & Culture director na Nova SBE

– Carla Caracol, directora de Recursos Humanos do Grupo Renascença Multimédia

– Pedro Henriques, responsável pelo People and Organization da Siemens Portugal

– Margarida Esteves Calado, head of People NTT DATA Portugal

– Nuno Oliveira, director de Recursos Humanos da Zurich em Portugal

– Sílvia Gonçalves, directora de Desenvolvimento de Pessoas da Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM)

– Catarina Azevedo, People and Culture director da KPMG

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