Celfocus: Verdade e transparência para atrair e reter talento

Num mercado cada vez mais competitivo e marcado por elevados níveis de inovação e exigência, o employer branding assume um papel fundamental na forma como as empresas se apresentam aos seus potenciais e actuais talentos.

 

Por Catarina Azevedo, head of People da Celfocus

 

Gerar a melhor percepção da empresa enquanto empregadora de referência, não só no recrutamento de novos colaboradores – proporcionando o crescimento da empresa – mas também na retenção dos seus melhores talentos, fazendo com que se mantenham motivados e possam continuar a dar o seu melhor, é um pilar cada vez mais presente nos planos das organizações.

A finalidade do employer branding passa por reforçar os pontos positivos de pertencer a uma determinada realidade empresarial, fortalecendo a sua imagem no que toca à ética organizacional e ambiente de trabalho. O facto de nos sentirmos bem e felizes no local de trabalho é fundamental para o nosso desempenho e para aumentar o nosso envolvimento no dia a dia. É hoje consensual, aliás, que as empresas que implementam iniciativas que estimulam o engagement com os seus colaboradores influenciam positivamente o ambiente de trabalho e as relações entre as equipas e, consequentemente, a produtividade.

O employer branding é, também, um factor decisivo quando o candidato se encontra perante duas ou mais ofertas de emprego. Comunicar a proposta de valor de pertencer a uma determinada empresa e à sua cultura, e fazê-lo de forma simples, próxima e, acima de tudo verdadeira, é uma garantia de que esta se consegue destacar perante as suas concorrentes. Porque ninguém vai querer pertencer a uma empresa que não conhece ou que comunica de forma pouco clara e pouco fiel à realidade os atributos e benefícios que lhe estão associados.

É importante ter em conta que, sobretudo na área das TI, em que se regista uma escassez de talento especializado, este tema assume uma importância ainda maior. Fornecer uma experiência ampla ao colaborador, que lhe permita desenvolver diferentes tarefas e não estar focado apenas numa área/projecto, de maneira que o trabalho não se torne monótono ou pouco desafiante, é cada vez mais importante. As empresas têm que conseguir oferecer essa diversidade de escolha, não apenas em termos de tecnologias, mas também no que diz respeito a projectos e clientes, sendo este um tema que deve ficar claro desde o primeiro contacto com o candidato. Outro requisito igualmente crítico no momento de atrair e reter talento, é o da formação interna – principalmente tendo em conta a aceleração da evolução tecnológica –, que é fundamental para proporcionar o sucesso e segurança aos colaboradores no trabalho que desenvolvem.

Há muito que o percurso profissional deixou de ser um mero “plano de carreira”. O trabalho ocupa uma parte considerável do dia-a-dia das pessoas, pelo que é natural que estas procurem experiências revigorantes, com impacto, que lhes permitam atingir a máxima realização profissional, através de uma flexibilidade que permita mudar sempre que fizer sentido, bem como garantir um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

Falar de “Verdade e Transparência” quando falamos de employer branding é uma das premissas mais importante quando as empresas se apresentam a potenciais candidatos, destacando o melhor que têm para oferecer sem deixar de gerir expectativas e mantendo sempre uma narrativa fiel à realidade empresarial em causa. No entanto, as técnicas e ferramentas aplicadas, quer no momento de atracção quer no momento de retenção, só se tornam eficazes se reflectirem a verdadeira essência da empresa. Nenhum dos lados ganha se assim não for. Este é o primeiro passo para conseguir gerar empatia com potenciais candidatos.

Mas se o objectivo primeiro dos processos de employer branding passa por conseguir integrar os novos colaboradores, familiarizá-los com a missão, valores e visão da empresa, motivando-os e levando-os a transmitir essas mesmas mensagens a outros, não menos importante é ter consciência de que este seu envolvimento com a marca se deverá manter (e reforçar!) ao longo de todo o seu percurso na empresa.

O sucesso é resultado de um jogo de equipa entre o que as organizações têm para oferecer e aquilo que quem nelas trabalham lhes podem dar. O cliché da aposta na integração de novos talentos, garantindo a sua felicidade, bem-estar e desafio, não pode ser uma manobra de charme, mas antes um imperativo estratégico suportado pela forma empática, verdadeira e transparente como se comunica. Porque só com a verdade e transparência é possível envolver o talento com a marca e levá-lo a fazer o que tão comummente designamos de “vestir a camisola”. Ganharemos sempre mais se assim for!

 

Esta entrevista faz parte do Caderno Especial “Employer Branding” publicado na edição de Abril (n.º 136) da Human Resources.

Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

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