
Certificação ambiental pode gerar quase 50 mil empregos e reforçar competitividade da indústria portuguesa, revela estudo
Portugal reúne condições para se afirmar como um dos líderes europeus da produção industrial sustentável, mas tem de conseguir transformar o seu investimento em transição energética numa verdadeira vantagem competitiva no mercado internacional, conclui um estudo da NOVA School of Business and Economics (NOVA SBE) agora tornado público.
Num contexto internacional fragmentado, marcado pelo aumento da pressão regulatória e pela crescente exigência de sustentabilidade por parte de consumidores e retalhistas, o estudo “Oportunidade Industrial Verde em Portugal” demonstra que adoptar sistemas de certificação ambiental em sectores-chave da indústria portuguesa poderá traduzir‑se num impacto potencial de 0,8% no PIB nacional (o equivalente a 9.611 milhões de euros) e de cerca de 1% no emprego (o que significa mais 49 mil empregos).
Para a equipa da NOVA SBE esta é uma oportunidade particularmente relevante para Portugal, tendo em conta a sua matriz energética renovável, a sua localização geográfica e a sua base industrial fortemente exportadora. Sobretudo no caso da denominada indústria hard to abate (como a siderurgia ou o vidro, em que a descarbonização dos processos de produção é mais difícil), que necessita de reconhecimento por parte do cliente final – ou encontrará na transição energética apenas um custo.
A investigação confirma que existe, por parte dos consumidores, uma disposição para pagar mais por produtos sustentáveis, desde que essa informação seja credível e verificável, o que torna a certificação independente da sustentabilidade um factor decisivo.
Para o professor João Duarte, autor do estudo, «a competitividade futura da indústria portuguesa dependerá da sua capacidade de provar, com rigor, que produz de forma sustentável. A certificação é o elemento diferenciador que permite captar valor, ganhar novos mercados e contribuir para o crescimento do país.»
Para Thomas Carrier, CEO da REGA ENERGY – empresa de energias renováveis que está a investir em Portugal, e que apoiou a realização do estudo, «Portugal tem vantagens competitivas claras, pela sua base industrial, pela forte dimensão da energia renovável, e pela existência de talento e de uma cultura internacional, para se afirmar como líder europeu na produção industrial sustentável, transformando a transição climática numa fonte de competitividade que torne o Made in Portugal em sinónimo de Made Sustainable.»