
Como manter a calma quando as coisas correm mal (de acordo com um Navy Seal)
William McRaven foi comandante dos Seal da Marinha e fez parte da equipa que derrubou Osama Bin Laden. Hoje está aposentado mas, em 2010, num discurso de formatura na Universidade do Texas aconselhou as pessoas a fazer as suas camas todos os dias. Em 2014, o seu livro “Make Your Bed” entrou para o topo da lista de livros mais vendidos do The New York Times.
Não se trata de ter uma cama bem feita para dormir bem todas as noites. Trata-se da neurociência e da lógica dos pequenos hábitos e do impulso. Não se trata de visão ou carisma. Trata-se de condicionamento através de pequenos rituais ao longo do tempo.
A Quartz partilha factores-chave do trabalho de McRaven que os líderes podem praticar e incutir nas suas equipas e culturas de trabalho.
Escolha uma tarefa pequena e despretensiosa para se comprometer a terminar todas as manhãs
McRaven opta por fazer a cama de manhã e fazê-lo bem, e com um elevado padrão de qualidade, como era exigido durante os seus dias de treino na Marinha. Obviamente pode escolher qualquer outra coisa ou várias coisas. Responder a e-mails ou organizar a sua secretária, por exemplo.
O ponto-chave é o facto de as pequenas vitórias iniciarem ciclos de feedback positivo que são fundamentais para a formação de hábitos saudáveis. E estes rituais — pelo menos os saudáveis e produtivos — protegem da fadiga de decisão.
Quando se interrompem esses pequenos hábitos, perde-se tempo e reprograma-se o cérebro para facilitar a desistência da próxima vez. A fadiga de decisão pode resultar daí. Os caminhos neurais começam a enfraquecer e torna-se mais difícil retomar os bons hábitos quanto mais se interrompe ou se abandonam as rotinas.
Esta ideia de que “os rituais reduzem as escolhas” baseia-se no trabalho de Roy Baumeister. Se cada escolha consome energia mental, então, ao criar rituais e rotinas, a energia mental é preservada, reduzindo a necessidade de força de vontade e aumentando o desempenho ao longo do dia.
A estrutura disciplinada reduz o stress e o caos. Dá liberdade às pessoas.
Ensaie “O que pode correr mal?”
McRaven sugere a realização de sessões regulares de “e se”. Os SEALS treinam incansavelmente para que, quando o perigo real surgir, reajam com disciplina e clareza, evitando o pânico.
No mundo do trabalho, isso pode ser preparar-se para o lançamento de um produto ou apresentação a um cliente, listando todas as formas pelas quais o plano pode correr mal e, em seguida, atribuir respostas de mitigação a cada uma delas. Se algo de mau acontecer, a equipa saberá responderá de determinada forma.
É assim que se encurta o tempo de decisão, melhora a clareza e responde eficazmente às dificuldades. Se for um resultado concebível, há um plano para ele.
Junte-se à equipa no trabalho diário
McRaven enfatiza repetidamente a ideia de “aparecer” nos seus textos e entrevistas.
E talvez isto não funcione em todos os sectores ou locais de trabalho, mas reservar meio dia ou um dia inteiro uma vez por mês para se juntar aos trabalhadores da linha da frente em vez de conduzir reuniões é fundamental para construir confiança e segurança psicológica, além de reduzir a distância e a desconfiança entre as equipas. Deve ser um comportamento consistente e visível.
Utilize este tempo para aprender sobre os obstáculos e os pontos fracos que atrasam as pessoas. Trata-se de estar lá para ajudar, não para inspeccionar. Peça para ser corrigido se houver uma forma melhor de fazer algo. Quando compreende claramente o que os membros da equipa enfrentam todos os dias, está em condições de reconhecer o seu trabalho, dar avaliações e feedback significativos e fazer ajustes que melhorem a vida dos trabalhadores.
Ritual pós-acção
Inspirado no seu tempo na Marinha, McRaven observa que, após cada missão ou exercício de treino, os Seal realizam reuniões e momentos de reflexão. Utilizam este tempo para discutir e pensar sobre o que funcionou, o que falhou e o que pode ser melhorado. É também nesse momento que os líderes podem identificar um óptimo trabalho individual ou colectivo e divulgá-lo a toda a equipa.
Esta prática treina a mente para perceber padrões, celebrar vitórias e corrigir erros antes que estes se agravem.
Quando os líderes participam nestes rituais demonstram os mesmos padrões que esperam das suas equipas. Esta prática incorpora comportamentos e hábitos de trabalho desejados nas rotinas diárias.
Trata-se de desenvolver a memória muscular para a excelência e coesão. Tal como o condicionamento físico, a alimentação saudável, a excelência académica e as relações amorosas de qualidade, o sucesso constrói-se com a prática de pequenos hábitos consistentes todos os dias.