60% da remuneração dos executivos de topo é fixa

A estrutura dos vencimentos em Portugal é ainda conservadora face a outros países, como os EUA e o Reino Unido, onde a componente variável assume um peso maior, revela o estudo “Remuneração de Executivos de Topo”, realizado pela consultora Mercer.

De acordo com esta pesquisa, em Portugal, a componente fixa representa cerca de 60% e a componente variável 40% da remuneração dos administradores executivos – esta última é composta pelo bónus (30%) e os incentivos de longo prazo (10%). Apesar de pagarem bónus, 47% das empresas referem não ter uma política estruturada, ou seja, uma política que defina os montantes a pagar em caso de consecução dos objectivos definidos no target e no máximo.

Para Diogo Alarcão, partner da Mercer, é cada vez mais importante clareza e transparência nas políticas de remuneração. «No que se refere a critérios de elegibilidade, por exemplo, é crucial que exista um entendimento claro de quais são esses critérios. Por outro lado, quando se atinge um determinado objectivo, é necessário saber qual a consequência em termos de remuneração variável e, no caso de se exceder o mesmo objectivo, se há lugar ou não a um maior valor de bónus. Isto promove o enfoque e a vontade de atingir níveis de desempenho mais elevados, assim como o alinhamento com os objectivos da empresa e dos accionistas», explica.

Os factores de desempenho mais utilizados no modelo de bónus dos administradores executivos são os resultados da empresa (83%), seguindo-se o desempenho individual e os resultados não financeiros (67%) e os resultados da divisão e unidade de negócio (58%), mostra o relatório. Por outro lado, indicadores como os resultados individuais financeiros representam 33%.

Este estudo analisou seis funções que compõem os conselhos de administração das empresas: CEO, COO, CFO, Chief of Sales and Marketing, o Chief of Manufacturing e ainda o vogal não executivo. Entre as dezassete empresas em análise, dispersas por vários sectores de actividade, a maioria (65%) é de origem nacional. Cerca de metade (46%) dos executivos em causa têm entre os 46 e os 55 anos e 35% têm mais de 20 anos de actividade na empresa.