Comunicação interna: terapêutica para a incerteza

Em tempo de pandemia, e com a imposição do teletrabalho e de um conjunto alargado de medidas que vieram alterar as rotinas diárias, pessoais e profissionais, a comunicação no seio das organizações tornou-se não só mais desafiante, como imprescindível.

 

por Matilde Coruche, HR & Comms director na AstraZeneca Portugal

 

Mas ainda que manter os colaboradores informados acerca das decisões que vão sendo tomadas para a gestão da companhia durante a pandemia e ao impacto desta na actividade diária seja essencial, é preciso ir mais além e definir estratégias capazes de aproximar o que está fisicamente distante, mantendo a conexão das pessoas às empresas. É necessário juntar, mesmo que virtualmente, as equipas, mantendo, sempre que possível, o contacto visual. Assim, mais do que nunca, as chefias directas devem fazer um acompanhamento diário, não no sentido de controlar, mas de um verdadeiro acompanhamento, dando respostas às necessidades e aos desafios de cada um. E, ao mesmo tempo, criar momentos que demonstrem aos colaboradores que a empresa está a pensar neles e no seu bem-estar. Tudo isto porque, se à distância física juntarmos a incerteza e o receio vivido a nível mundial, facilmente percebemos que esta comunicação de proximidade ganha ainda mais relevância nesta altura.

Na AstraZeneca fizemos, além das necessárias alterações do ponto de vista de gestão de RH decorrentes do novo dia-a-dia das pessoas, um reforço da comunicação interna, usando diferentes canais para fazer passar a mensagem. Alguns já os usávamos, outros intensificámos o seu uso e criámos diversos momentos com e para as pessoas, seja através de reuniões para toda a empresa, do envio de mensagens personalizadas, ou da disponibilização de sessões de aconselhamento nutricional, psicológico e de exercício físico. E todas estas ações têm demonstrado que, apesar da distância física, conseguimos reforçar a proximidade, manter o espírito de equipa e o sentimento de orgulho de fazer parte de uma empresa como esta.

Resultados de um inquérito interno, concluído muito recentemente, demonstraram uma grande satisfação por parte dos colaboradores com a forma como a empresa tem feito a gestão da pandemia, nomeadamente, no que diz respeito ao esforço para manter os colaboradores informados sobre os temas que os impactam, ao apoio dado pelos líderes de equipa e pelos próprios colegas. Isto ao mesmo tempo que partilharam a sua adaptação ao trabalho remoto e que deriva, essencialmente, de todas as ferramentas que a companhia já dispunha e cujo uso foi intensificado durante este período. O mesmo inquérito indica que 94% dos colaboradores recomendaria a AstraZeneca como um excelente local para trabalhar, um dado que se mantém constante ao longo dos anos.

Dados que são, naturalmente motivos de orgulho, indicando-nos que estamos no caminho certo. No entanto, são também desafios para nos continuarmos a superar, sabendo que, para tal, a conjugação de factores como uma liderança forte e a aposta nas Pessoas e no seu empowerment são fundamentais. Mas este factores têm, obrigatoriamente, de ser acompanhados por uma boa estratégia de comunicação interna.

Em suma, e num momento de mudança e incerteza como o que vivemos, uma boa comunicação é decisiva para incluir toda a organização no mesmo barco, com a garantia de que todos remam, sintonizados, para o mesmo lado.

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