Crédito à habitação: Millennials e Gen X pedem valores semelhantes, mas pagam de forma diferente

Quando se trata de pedir crédito à habitação, as diferenças entre gerações em Portugal não estão tanto no valor do empréstimo, mas na forma como este é gerido ao longo do tempo.

Segundo a mais recente análise de mercado em crédito habitação do ComparaJá, em 2025 os mais jovens, abaixo dos 35 anos, pedem em média 197 mil euros para comprar casa. Já os mais velhos, acima dos 35, recorrem a montantes muito semelhantes, na ordem dos 200 mil euros. É de notar que a análise é feita em todo o país onde ainda há zonas em que a habitação é mais acessível que nas grandes cidades. 

A diferença não está no quanto, mas no como
O verdadeiro contraste surge no peso da prestação mensal. Graças a prazos mais longos, os millennials conseguem diluir o esforço no tempo e pagam, em média, 760 euros por mês. Já a geração mais velha, apesar de ter entradas mais robustas, cerca de 80 mil euros, contra 68 mil euros dos mais jovens, acaba a pagar prestações mais elevadas, próximas dos 825 euros mensais.

Por outras palavras, os mais novos comprometem-se por mais tempo, mas com encargos mensais mais leves. Os mais velhos, por sua vez, encurtam o prazo e suportam uma prestação mais pesada, mesmo com maior capacidade de entrada inicial.

 

Estratégias diferentes, pressões distintas
Esta diferença traduz duas realidades distintas. Para os millennials, muitas vezes em início de carreira e com salários em crescimento, faz sentido alongar o prazo e reduzir a pressão imediata no orçamento familiar. Já a geração X, que está mais próxima da reforma e prefere não prolongar a dívida por demasiado tempo, opta por prazos curtos, aceitando o esforço mensal maior como contrapartida.

Segundo Pedro Castro, head de Operations e Crédito Habitação no ComparaJá, «estes números ajudam a explicar porque o mercado de crédito à habitação em Portugal continua dinâmico, mas também cada vez mais segmentado. A idade, a fase de vida e a estratégia financeira determinam escolhas que vão muito além do valor pedido ao banco.»

No fim de contas, não se trata de quem pede mais, mas de quem paga mais todos os meses. E, em 2025, a resposta é clara: a geração mais velha suporta a factura mais pesada da habitação em Portugal.

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