Cuidar das pessoas e do planeta

Que propósitos movem Fidelidade, Randstad e Sonae MC? Sectores diferentes, uma mesma certeza: hoje em dia as empresas já não se movem (só) pelo lucro. Disso mesmo nos deram conta Sandra Mendonça, Inês Veloso e Ana Rute Alves.

 

“Temos de cuidar uns dos outros”

Sob o lema “Um propósito maior” Sandra Mendonça, Team Leader da Fidelidade, focou a sua apresentação no departamento WeCare da seguradora.

 

Tendo como ponto de partida a apresentação do caso do Zé, pensionista de acidente de trabalho desde os 21 anos devido a uma queda de um telhado no decurso da sua profissão de pintor da construção civil, que hoje se apresenta como uma pessoa feliz tendo aprendido a pintar com a boca actividade, através da qual já tem um livro publicado com o patrocínio da Fidelidade, Sandra Mendonça apresentou o WeCare e o seu propósito, o qual se estende à própria Fidelidade.

«A Fidelidade não queria e não podia permanecer presa ao pilar dos acidentes de trabalho», refere Sandra Mendonça, «em 2003 deu-se a primeira mudança com o departamento de WeCare, a qual se veio a repercutir anos mais tarde na atribuição de um prémio internacional na categoria de negócio sustentável». Isso levou a seguradora a tornar o serviço acessível a todos os restantes departamentos, «criámos critérios clínicos, os quais não são limitadores, pois funcionam como uma porta de entrada», refere.

Hoje, a Fidelidade e o serviço WeCare pretendem ser um actor privilegiado no processo de reabilitação, «tal como aconteceu com o Zé». Para que tal aconteça, a seguradora ajuda na reintegração social, trabalhando em conjunto com a família e a sociedade. «Assentamos a nossa actividade na proximidade e na humanização dos serviços próprios da área, sempre com e para as pessoas», reforça a responsável, para quem é preciso criar relações próximas de forma a dar corpo a projectos de vida, «tendo sempre em atenção cada caso, pois não há duas pessoas iguais».

O acompanhamento de cada acidentado é feito por uma assistente social que, a partir desse momento, passa a ser o rosto da Fidelidade, «fazemos o acompanhamento do acidentado e da sua família o qual se estende à alta, à reintegração social, ao desporto adaptado, prestando apoio psicológico (trauma, luto e dor crónica), sempre com enfoque na pessoa», reforça Sandra Mendonça.

Através do WeCare a Fidelidade faz o caminho com as pessoas, «estar ao lado das pessoas porque a vida não para é o propósito da Fidelidade», sublinha, «são as pessoas que nos mostram que fazemos a diferença, pelo que estamos cada vez mais comprometidos com este trabalho, o qual integra já o nosso ADN». De acordo com Sandra Mendonça, a tecnologia também tem de servir para nos libertar, pois temos todos de ter tempo para cuidar uns dos outros. «É este o nosso propósito e o compromisso WeCare», conclui a Team Leader da Fidelidade.

 

 

“O nosso propósito são as pessoas”

Inês Veloso, directora de Marketing e Comunicação da Randstad Portugal brindou a plateia com uma apresentação subordinada ao tema “E quando o propósito são as pessoas?”.

 

A Randstad está presente em 39 países onde a forma de expressar o propósito é diferente, mas o propósito da organização é apenas um. «Ao contrário de outras empresas, o nosso propósito está escrito: suportar as pessoas e as organizações para poderem fomentar o seu potencial, e fazemos isso através do acompanhamento, estamos sempre ao seu lado», refere Inês Veloso. Para a responsável, o propósito da Randstad não é portefólio, traduz-se nele mas vai mais além, «a empresa celebra 60 anos, e no dia da sua constituição definiu o seu propósito o qual não mudou».

Ao longo dos anos, a organização foi percebendo a sua relevância para perceber que «temos de voltar a ser humanos». A directora de Marketing e Comunicação da Randstad Portugal relembra que a empresa criou a ambição de tocar profissionalmente a vida de 500 milhões de pessoas, tendo percebido, em 2017, que este propósito tinha de se reflectir na marca, surgindo Human Forward. «Sabemos agora o que somos e a marca reflete assim o propósito da organização». Nessa caminhada surge o every day hero, seguido de uma mudança de imagem, «tornamo-nos mais humanos e mais próximos. A mudança de assinatura reflecte o nosso propósito de querer pessoas mais humanas, servindo a tecnologia para potenciar as pessoas, para as humanizar».

De 2017 até ao presente, foi delineado um plano de acção que está baseado em três promessas, «transparência para os candidatos e empresas; acompanhamento nesta humanização desejada e pretendida; e proactividade para ajudar a perceber o mercado, antecipando as suas necessidades». Portugal é o terceiro país no universo Randstad a fazer esta experiência que se apresenta muito mais do que um projecto, «juntámos as nossas pessoas e perguntámos o que foi trabalhado com o candidato na sua jornada. Depois foram definidas drivers que nos mostraram o mais importante dessa caminhada, os momentos mais impactantes e verificámos que a diferença reside nos momentos mais humanos. É o contacto humano que mais diferencia os momentos», refere.

A Randstad tem agora um sistema que mede o comportamento emocional e humano, «formamos equipas e mostramos às nossas pessoas que são elas que estão no centro da equação», sublinha a responsável, «desta forma passamos o nosso propósito para as pessoas com quem interagimos». Para a organização a humanidade está no centro de tudo, «este nosso propósito está no nosso ADN, no nosso posicionamento e estratégia». De referir que este sistema está também presente internamente, uma vez que «o nosso propósito são as pessoas».

 

 

“Deixar um planeta saudável para as gerações vindouras”

Para apresentar “Um propósito sustentável” o painel contou com a presença de Ana Rute Alves, directora de marcas Próprias da Sonae MC.

 

Há na Sonae MC um propósito sustentável, sendo que na organização a sustentabilidade é vista de uma forma alargada através da nutrição e da sustentabilidade ambiental. «Com a Missão Continente este propósito chegou primeiro às crianças, sendo que rapidamente passou a impactar a comunidade adulta», refere Ana Rute Alves, «há cerca de 10 anos foi lançado um semáforo que alertava os consumidores para os nutrientes que integram os produtos, surgindo recentemente a Roda da Alimentação com o intuito de desmistificar mitos que rodeiam este tema». A marca própria sofreu alterações para dar mais aos consumidores, «sendo que o crescimento económico é importante mas não pode estar separado da sustentabilidade ambiental».

Esta mudança é feita pela Sonae junto dos produtores e dos consumidores para que «possamos deixar um planeta saudável para as gerações vindouras», alerta a responsável. O número impressiona, 750 milhões de embalagens, sendo que até 2025 a Sonae tem a pretensão de as embalagens de marcas próprias serem totalmente sustentáveis e reutilizáveis. «As embalagens são necessárias, temos é de as saber usar», alerta a Ana Rute Alves, «é preciso acelerar rumo a um sistema circular onde as embalagens sejam recicladas de forma a voltarem a entrar no circuito».

Plástico – vilão ou herói, pergunta a directora de marcas Próprias da Sonae MC, «este é de facto um material indestrutível mas que combate o desperdício alimentar, chegando a salvar vidas. Assim, temos é de reciclar o plástico e pô-lo neste circuito».

São quatro as alíneas que servem de base a este propósito sustentável da Sonae, «potenciar a reciclagem, sendo que 2/3 já são reciclados; optimizar o design e os materiais; incorporar materiais reciclados; e implementar modelos de reutilização, como os sacos de compras», assinala Ana Rute Alves, reforçando que a Sonae está focada em trabalhar em equipa com fornecedores, clientes e colaboradores. «Nos nossos colaboradores são os pequenos gestos que fazem a diferença, pois todos desempenhamos um papel importante nesta mudança e na implementação deste propósito de sustentabilidade», afirma a responsável, reafirmando que a sustentabilidade sempre esteve no ADN da empresa, apresentando-se como um propósito comum entre a organização e os seus colaboradores.

«Quando temos os nossos valores e o nosso propósito alinhado com o propósito da empresa, aí a magia acontece», garante Ana Rute Alves.

Por Sandra M. Pinto

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