É por estas três áreas que os 750 mil milhões de euros do Fundo de Recuperação União Europeia vai ser distribuído

Margarida Lopes
27 de Maio 2020 | 17:45

O Fundo de Recuperação da União Europeia (UE) para responder à crise causada pela COVID-19 prevê a distribuição de 750 mil milhões de euros por “três pilares”, incluindo reformas, investimento privado e saúde, segundo a proposta hoje divulgada, avança a Agência Lusa.

 

Em causa está o Fundo de Recuperação proposto pela Comissão Europeia, num total de 750 mil milhões de euros, dos quais 500 mil milhões de euros serão canalizados para os Estados-membros através de subsídios a fundo perdido e os restantes 250 mil milhões na forma de empréstimos.

De acordo com a informação divulgada pelo executivo comunitário, «o dinheiro arrecadado para a Próxima Geração da UE [nome atribuído a este fundo] será investido em três pilares, desde logo no apoio aos Estados-membros com investimentos e reformas».

Um pilar centra-se novo Mecanismo de Recuperação e Resiliência de 560 mil milhões de euros (310 mil milhões de euros em subsídios e 250 mil milhões de euros em empréstimos), integrado no Semestre Europeu, que visa fomentar «investimentos e reformas, nomeadamente em relação às transições verdes e digitais e à resiliência das economias nacionais, ligando-as às prioridades da UE».

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Inclui também verbas adicionais para políticas como as de Coesão (complemento de 55 mil milhões de euros dos actuais programas até 2022, ao abrigo da nova iniciativa REACT-UE para fazer face aos impactos socioeconómicos da crise), o Fundo de Transição Justa (com reforço de até 40 mil milhões de euros para acelerar a transição para a neutralidade climática) e a Agricultura (com mobilização de mais 15 mil milhões de euros para o Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural).

O segundo pilar do Fundo de Recuperação centra-se no «incentivo ao investimento privado», abrangendo nomeadamente um novo instrumento público-privado de apoio à solvência, que Bruxelas quer ter operacional ainda este ano e com um orçamento de 31 mil milhões de euros.

O objectivo é, com este montante, desbloquear 300 mil milhões de euros em apoio à solvência das empresas e prepará-las para um «futuro mais limpo, digital e resiliente», nomeadamente no que toca às «empresas europeias saudáveis nos sectores, regiões e países mais afectados», como a agência Lusa já tinha avançado.

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Ainda nos apoios ao sector privado, o executivo comunitário pretende aumentar a verba alocada ao programa de apoio ao financiamento de empresas InvestEU para um total de 15,3 mil milhões de euros e criar uma nova facilidade de investimento estratégico integrada neste projecto.

O objectivo é «gerar investimentos até 150 mil milhões de euros no reforço da resiliência dos sectores estratégicos, nomeadamente os ligados à transição verde e digital, e das principais cadeias de valor no mercado interno, através de um contributo de 15 mil milhões de euros», segundo o executivo comunitário.

Já o terceiro pilar tem o intuito de “tirar lições da crise”, com Bruxelas a querer um novo programa de saúde, que designou de EU4Health, para «reforçar a segurança sanitária e preparar futuras crises sanitárias com um orçamento de 9,4 mil milhões de euros».

Ainda no âmbito sanitário, é proposto o reforço do Mecanismo de Protecção Civil da UE em dois mil milhões de euros «para equipar a União para se preparar e responder a futuras crises».

Este pilar contará também com a mobilização de 94,4 mil milhões de euros para o programa Horizonte Europa para «financiar a investigação vital no domínio da saúde» e ainda a alocação de um montante adicional de 16,5 mil milhões de euros para acções externas, incluindo a ajuda humanitária, aos parceiros mundiais da Europa.

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«Outros programas da UE serão reforçados para alinhar plenamente o futuro quadro financeiro com as necessidades de recuperação e as prioridades estratégicas e outros instrumentos serão reforçados para tornar o orçamento da União mais flexível e mais reactivo», adianta a Comissão Europeia.

 

A reação da CIP

A direcção da CIP – Confederação Empresarial de Portugal expressou a sua satisfação pelas propostas apresentadas. «O pacote de medidas hoje apresentado é extenso e está ainda a ser analisado ao detalhe pela CIP, mas as grandes directrizes e principais propostas vêm ao encontro do que temos defendido, tal como consta da carta atempadamente remetida à presidente von der Leyen», afirmou o presidente António Saraiva.

«Felicitamos a Comissão Europeia, em particular, pelo novo instrumento ‘próxima geração UE’, que demonstra ambição na resposta à crise que enfrentamos. É um instrumento inovador, de 750 mil milhões de euros, sendo constituído, na sua maioria, por subvenções, o que é fundamental para não sobrecarregar o endividamento dos Estados-membros”, acredita.

«É agora necessário assegurar que todos estes fundos são canalizados para áreas e investimentos relevantes, de forma a que a Europa saia desta crise fortalecida. Se assim for, o dia 27 de maio de 2020 pode constituir um marco do retomar do projecto europeu enquanto comunidade de liberdade, solidariedade, progresso e inovação. Esperamos agora que os Estados-membros consigam chegar a um acordo e aprovar esta proposta com a máxima urgência», concluiu António Saraiva.

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