Empreendedorismo: a nova Era do smart work

Titiana Barroso
13 de Agosto 2018 | 15:18
Empreendedorismo: a nova Era do smart work

Quando nos tornamos empreendedores, a gestão do tempo passa a ser da nossa inteira responsabilidade. O equilíbrio entre trabalho e vida pessoal é maior porque não se dissociam um do outro.

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Por Florbela Barão da Silva, consultora de Comunicação & PR advisor; brand owner of ViewPoint a way of making PR

As empresas trabalham com pessoas que têm um capital de conhecimento e de experiência que deve ser valorizado e reconhecido. Mas em alguns sectores, como na consultoria de comunicação, verifica-se cada vez mais a procura pelos jovens millennials pelas razões erradas.

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A principal razão, neste caso, é, muitas vezes, pagar mal. E estamos a falar de profissionais que lidam com gestão de informação valiosa dos clientes, por vezes confidenciais. Argumenta-se que a crise veio tornar a situação mais precária, mas a crise traz sobretudo oportunidades, e oportunistas que perpetuam este tipo de situação. Já lá vamos às oportunidades.

 

Há muitas excepções à regra mas, regra em geral, o ambiente e gestão de carreira depende de muitos factores que nem sempre é a meritocracia. Vejamos o caso das mulheres, caso fiquem num estado de graça, podem facilmente cair em desgraça. O regresso ao trabalho após a licença de maternidade pode ser considerado problemático em caso de amamentação pois são uma ou duas horas a menos por dia de trabalho. E no sector da consultoria da comunicação, onde trabalhei mais de 20 anos, o excesso de horas é a regra e não a excepção.

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A capacidade das mulheres é, não raras vezes, colocada em causa. O facto de se querer constituir família, ter filhos, é por vezes, ou mesmo muitas vezes, um factor impeditivo de evolução na carreira. Não é colocar as mulheres num lugar de vitimização para o qual devemos deixar de ter vocação, mas num lugar de repensarmos o nosso papel e como queremos gerir a nossa vida profissional, que é indissociável da nossa vida pessoal.

Sei que há muitas mulheres que não deixam de cumprir ou de se exceder no seu papel profissional e nos cargos de gestão ou executivos, mas só elas sabem a que preço.

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Mas a crise traz oportunidades. E também um sentimento de insatisfação e desvalorização, que faz crescer uma vontade de mudança, que é necessário sustentar e colocar em acção. Pode demorar algum tempo e ser precisar de apoio, seja aconselhamento na família ou nos amigos, ou coaching.

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Enquanto empreendedora, outra dificuldade que encontrei foi algum preconceito cultural que ainda persiste em Portugal em relação aos profissionais independentes. Mas acredito que estamos a assistir a um novo modelo laboral que implica flexibilidade e smart work.

Quando nos tornamos ou somos empreendedores, a gestão do tempo passa a ser da nossa inteira responsabilidade. As frustrações e as conquistas são vividas de forma mais solitária. O equilíbrio entre trabalho e vida pessoal é maior porque não se dissociam um do outro.

A quem está em processo de mudança mental para transformar a sua carreira, deixo algumas dicas:

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Não desvalorizar nunca o networking. É muito mais do que “coleccionar” contactos. É gerar envolvimento, dar feedback e estar disponível para prestar.

O apoio mútuo entre pessoas e, sobretudo, entre mulheres é fundamental. Procurar grupos formais ou informais de capacitação pode ajudar bastante. Exemplo disso é a comunidade Mulheres à Obra, que após um ano de existência tem já 60 mil mulheres que seguem a conta no Facebook.

Apostar no desenvolvimento pessoal e na formação. Não é fazendo o mesmo todos os dias que evoluímos. É como exercitar o corpo. Temos que criar estímulos diferentes.

– E finalmente, mas não menos importante, tentemos ser generosos connosco e com o tempo que necessitamos para sermos os nossos agentes da mudança. Deixar de questionar o que os outros podem fazer por nós para passar a questionar o que eu posso fazer por mim.

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